VADER, DOOKAN E MAUL: COMO PALPATINE USOU E DESCARTOU CADA UM DE SEUS APRENDIZES?
O lado sombrio é a mais poderosa e perigosa das tentações de Star Wars, e poucos a utilizaram tão bem como ferramenta de sedução quanto Palpatine. Como um manipulador mestre desde a juventude, Sidious foi capaz de ocultar sua própria conexão com a Força diante dos Jedi, infiltrar-se no jogo político até as mais altas cúpulas e transformar os guerreiros mais poderosos de seu tempo em meras marionetes.
STAR WARS
Rafael Silva
6/17/20268 min read
Ainda como aprendiz de Darth Plagueis, Sidious quebrou a Regra de Dois ao tomar Darth Maul como seu pupilo, roubando-o da Mãe Talzin em Dathomir quando ele era apenas um bebê. Ele o criou cercado de dor e sofrimento, transformando o ódio na única arma capaz de libertá-lo. Palpatine fez com que o jovem Zabrak acreditasse que teria um papel crucial no futuro da galáxia, que destruiria a Ordem Jedi e a República, e que governaria ao lado de seu mestre. O que Maul não sabia era que seu mestre ainda tinha um mestre e que, para ambos, ele jamais passou de um assassino descartável, uma bucha de canhão.
Por mais que Maul se tornasse cada vez mais poderoso, especialmente em suas habilidades com o sabre de luz, ele jamais foi treinado a fundo nos poderes ocultos do lado sombrio, aqueles que Plagueis e o próprio Sidious dominavam. Isso esclarece, nesse e em todos os casos posteriores, a forma como Sidious enxerga seus aprendizes: ferramentas com uma utilidade passageira, as quais ele irá iludir com falsas promessas e migalhas de poder, para descartar ao primeiro sinal de falha ou ameaça. Darth Sidious jogava com a base e o topo da pirâmide do poder simultaneamente.
A obra "Darth Plagueis", de James Luceno, mostra como, mesmo antes do fracasso de Maul em Naboo, Sidious já desejava substituí-lo, no caso, pelo próprio Escolhido dos Jedi: Anakin Skywalker. Enquanto Plagueis desejava destruí-lo, Palpatine queria corromper a maior esperança dos Jedi, em uma última e sádica humilhação aos seus inimigos: tornar seu eleito uma marionete dos Sith, tão poderosa que possibilitaria que Sidious governasse para sempre. Mesmo em ação, Maul já estava fora dos planos.
O jovem Zabrak sentiu esse desprezo na pele após ser partido ao meio por Obi-Wan Kenobi em Naboo, logo após ter matado Qui-Gon Jinn. Mesmo como um simples aprendiz, ele se mostrou poderoso o suficiente para derrotar um Mestre Jedi, mas ainda era imprudente e impulsivo demais, o que lhe custou, além das duas pernas, o lugar que julgava ser de seu direito no tabuleiro de xadrez da galáxia.
Sobrevivendo graças ao seu ódio contra Obi-Wan, Maul permaneceu vivo por anos em Lotho Minor, até ser resgatado por Savage Opress, seu irmão. Os Sith e os Jedi haviam lhe tirado tudo, deixando-lhe apenas a herança maldita que seu mestre havia impregnado em seu coração: o rancor. Ele conquistou Mandalore e matou a Duquesa Satine diante dos olhos de Obi-Wan, mas, por interferência de Palpatine, perdeu seu irmão e seu reinado, sendo preso, torturado e usado como isca para o assassinato de Mãe Talzin. Como um servo eternamente incompleto do lado sombrio, Maul era ardiloso, mas cego pela raiva, fadado a sempre falhar em suas maquinações de vingança. Da Sombra Coletiva à Aurora Escarlate, tudo o que ele construiu mirava o chão. Desde o dia em que caiu no fosso do Palácio de Theed, não havia outro destino para ele que não morrer, velho e moribundo, nos desertos de Tatooine, nos braços do homem que mais odiou, porque Sidious já havia traçado seu destino desde o momento em que o tirou de sua mãe.
Após descartar Maul, Sidious optou por um antigo interesse de seu mestre, alguém que ele próprio julgava ter um potencial político imenso: o Conde Dookan. O Mestre Jedi era, além de um exímio duelista e respeitado membro da Ordem, um diplomata habilidoso, alguém capaz de convencer por meio das palavras, algo que seria de grande valia para os planos dos Sith. Aproveitando-se da descrença já sabida de Dookan em relação à Ordem Jedi, reforçada pela morte de seu antigo aprendiz, Qui-Gon Jinn, Sidious se apresentou ao Conde de Serenno não como um monstro das trevas, mas como um visionário que tinha planos para fazer da galáxia um lugar melhor, superando a corrupção inexpugnável da República e a passividade covarde dos Jedi. Ele sabia que Dookan não desejava poder bruto ou glória; ele era um idealista que acreditava que poderia fazer mais pelas pessoas uma vez livre das correntes da Ordem.
É perceptível a diferença entre Dookan, Maul e Vader apenas ao olhá-los nos olhos. Enquanto Vader e Maul têm os olhos flamejantes tipicamente Sith, Dookan mantém um olhar limpo, livre do rancor desenfreado do lado sombrio, conseguindo utilizá-lo como ferramenta para algo muito maior do que ele mesmo, algo que ele considerava nobre, se não envolvesse lançar a galáxia nel conflito mais sanguinário de sua história.
Agindo nas sombras, Sidious comandava os Separatistas por meio de Dookan, que agia como a face pública do movimento. Isso fazia com que inclusive os Jedi pensassem que não houvesse nenhum outro Sith além dele, dando tranquilidade para o vilão dar sequência aos seus planos como Chanceler Palpatine: preparar seu exército Clone para a Ordem 66 e continuar corrompendo Anakin vagarosamente.
Dookan tinha conhecimento do interesse de seu mestre por Anakin Skywalker, mas não fazia ideia do papel que ele mesmo realmente desempenhava nessa engrenagem. Ele acreditava que Anakin, a quem sempre desprezou por sua arrogância, seria uma espécie de general do Império Galáctico, enquanto ele seria o líder político, moldando a galáxia à sua vontade, deixando Sidious encarregado dos assuntos da Força. Para alguém tão sábio, a ingenuidade de Dookan era surpreendente.
Palpatine já havia decretado sua morte no momento em que orquestrou seu próprio sequestro na Mão Invisível, atraindo Anakin e Obi-Wan e pedindo que Darth Tyrannus facilitasse as coisas para Skywalker. Dookan assim o fez, mas, quando se viu sem as duas mãos, percebeu que las coisas haviam saído do controle. Ao ouvir seu mestre ordenando friamente que o jovem Jedi o decapitasse, ele teve a certeza de que havia sido apenas uma peça de sacrifício. Ele havia preparado o exército Clone, reunido os Separatistas e coordenado as Guerras Clônicas apenas para terminar com sua cabeça rolando pelo chão metálico da nave, enquanto Sidious olhava satisfeito para seu futuro e tão desejado aprendiz.
O fascínio de Palpatine por Anakin nasceu logo no momento em que o viu pousar no Templo Jedi ainda criança. Ele sentiu um poder imensurável, aliado a uma instabilidade emocional facilmente explorável. Ele saboreava o medo e a tristeza do garoto em estar longe de sua mãe, e sabia que era primordial eliminar Qui-Gon Jinn, algo que Maul executou, para que a única referência paterna saudável lhe fosse tirada. Palpatine inseriu-se nesse vácuo, servindo como um porto seguro para Anakin fora de uma Ordem Jedi que jamais o compreendeu.
Anakin era apegado demais àqueles que amava (sua mãe, Padmé, Qui-Gon) e esses sentimentos, ao mesmo tempo que moldavam sua bondade, eram as brechas que o lado sombrio saberia explorar. Palpatine conhecia o tamanho desse poder; afinal, Anakin foi capaz de controlar o Filho e a Filha em Mortis, os espectros da Luz e das Trevas, algo que somente o Escolhido seria capaz de fazer. É justamente nesse momento que o desdém de Palpatine pela Força entra em cena. Para ele, a profecia dos Jedi não passava de uma superstição. Ele e Plagueis já haviam sido capazes de dobrar a Força à sua vontade inúmeras vezes no passado, e simplesmente o fariam de novo. Ele escolheria o escolhido e ditaria o seu destino.
Até então, ele havia treinado aprendizes claramente inferiores a ele em poder, mas dessa vez ele desejava alguém que realmente pudesse ver como um igual, com quem pudesse finalmente compartilhar o imenso controle que possuía. Obviamente, Sidious sabia muito bem que a Regra de Dois um dia cobraria seu preço e Skywalker tentaria destroná-lo, mas, para mantê-lo sob rédea curta, ele exploraria a maior fragilidade do "Herói Sem Medo": seus sentimentos.
Palpatine sempre soube da pressão que pairava sobre Anakin: a necessidade de ser o melhor e, principalmente, de reprimir suas próprias emoções, algo impossível para alguém tão jovem. Desde a adolescência, Anakin carregava o peso da galáxia nas costas, e, enquanto Obi-Wan parecia pressioná-lo ainda mais, Sheev lhe oferecia um ombro amigo, um olhar “compreensivo” para seus descontroles. Se Kenobi e Yoda insistiam que ele enterrasse seu medo, sua raiva e suas paixões, Sidious via todos esses sentimentos como ganchos para trazê-lo para si.
A morte de sua mãe, Shmi, fortaleceu ainda mais o medo de perder Padmé e os filhos em seu ventre, gerando inúmeros pesadelos. Havia planos traçados em cada detalhe; muitos fãs acreditam inclusive que essas visões tenham sido deliberadamente plantadas por Palpatine para gerar desespero, sabendo que o jovem jamais encontraria o apoio necessário no Conselho Jedi. Enquanto os Mestres o afastavam, o Chanceler legitimava sua verdadeira natureza.
Sua queda foi construída cuidadosamente ao longo de quase uma década e, quando Anakin finalmente se tornou Darth Vader, o plano-mestre parecia perfeito, com o Escolhido liderando o massacre à Ordem Jedi. Tomado pelo ódio, Vader perdeu completamente a racionalidade, chegando a sufocar Padmé ao pensar que ela o havia traído ao trazer Obi-Wan até Mustafar. E foi justamente lá que seu destino mudou completamente, quando a arrogância o levou ao maior dos sofrimentos.
Ter seu corpo mutilado e queimado pela lava ceifou boa parte de seu potencial, tornando-o incapaz, por exemplo, de utilizar os relâmpagos da Força, uma vez que já não possuía mãos orgânicas. Mas nada era tão terrível quanto a dor excruciante que seu novo traje lhe causava. O ser mais poderoso da galáxia havia se tornado prisioneiro de uma armadura mecânica e de sua própria mente, que continuamente o lembrava dos erros que o haviam levado até ali. Palpatine prometeu o poder de salvar aqueles que amava, e agora ele não tinha mais ninguém. Prometeu poder absoluto, e agora ele não conseguia respirar sem aparelhos. Prometeu governar a galáxia, e agora era apenas um escravo.
Então, por que ele simplesmente não abandonou Sidious? Simples: quem restaria para ele? Por mais que Sidious o desprezasse, Palpatine era a única pessoa viva que restava de seu passado, o único que ainda lhe dava um propósito, uma razão para continuar sua dolorosa existência.
Darth Vader serviu quase como um encontro das filosofias que Palpatine usou com seus dois aprendizes anteriores. Com Maul, ele utilizou-se da dor para abastecê-lo com um ódio que apenas a violência constante seria capaz de dissipar. Com Dookan, ofereceu uma utopia autoritária para curar os males da galáxia. Para Vader, ele usou ambas as estratégias: explorou a mágoa e o rancor de seu aprendiz, ao mesmo tempo que tentou convencê-lo de que, por trás das atrocidades que cometiam, havia um propósito maior de ordem cósmica, quando, na verdade, o fim último sempre foi a glória do próprio Imperador. Como Maul e Dookan, Vader foi seduzido com promessas irresistíveis para se tornar apenas mais uma peça no xadrez de Sidious.
Palpatine ficou furioso pelo fracasso de seu aprendiz em Mustafar, mas de forma alguma iria descartá-lo. Ele podia não ser mais o semideus que havia planejado, mas ainda era um executor forte o bastante para destruir seus inimigos, sem jamais ameaçar seu trono. Mesmo perdendo, Sidious saía ganhando. Ele o manteve como um servo, enquanto continuava reservando para si os mistérios mais profundos do lado sombrio. Seus únicos esforços foram em tentar manter a fagulha de Anakin Skywalker sob controle. Felizmente para a galáxia, Luke foi capaz de reacendê-la no momento certo. Esse mesmo Luke que Palpatine já cobiçava, enxergando nele o potencial para ser o aprendiz perfeito que Anakin não pôde ser.
Por fim, compreende-se que Darth Maul, Conde Dookan e Darth Vader, por mais poderosos e icônicos que tenham sido, foram todos vítimas de um mesmo homem, que os manipulou de diferentes maneiras, tornando-os dependentes de sua aprovação. E quando perdiam o valor estratégico, eram sumariamente descartados para que um mais forte e útil assumisse o seu lugar no tabuleiro.
E para você, qual aprendiz de Palpatine sofreu mais nas mãos do Imperador? Qual deles foi o mais crucial para os planos dos Sith? Deixe seu comentário!


