UM FEITIÇO PARA CADA PERSONAGEM DE HARRY POTTER

Os feitiços são o que há de mais mágico no universo de Harry Potter, cada um deles carregando um enorme significado e importância dentro da narrativa. Uma série de palavras pode definir o futuro de qualquer um, para bem ou para mal. Porém, existem alguns encantamentos que parecem se relacionar diretamente com o bruxo que o utiliza, quase como um reflexo de sua personalidade, e são sobre esses casos que falaremos hoje!

HARRY POTTER

Rafael Silva

5/30/20264 min read

Voldemort: Avada Kedavra

A forma que o Lorde das Trevas descobriu de controlar a vida por meio da morte. Desde a juventude, Tom Riddle sempre temeu a morte mais do que o normal, enxergando-a como uma limitação reservada aos fracos. No entanto, ele jamais hesitou em usá-la como ferramenta para conquistar mais poder.

Quando assassinou seu pai e seus avós em Little Hangleton, Riddle experimentou pela primeira vez o poder da maldição da morte criada na idade média. Indefensável, limpa e instantânea, duas palavras capazes de resumir a mais longa das vidas a um milésimo de segundo (Dumbledore que o diga). A frieza e a impessoalidade fazem desse feitiço um reflexo perfeito da personalidade do Lorde das Trevas: alguém que sempre desprezou a vida daqueles a sua volta, enxergando-as como obstáculos ou escadas para si mesmo.

Como sabemos, Riddle usou aquele triplo homicídio para criar sua primeira horcrux, o Anel dos Gaunt, uma parte de sua alma, salvaguardada fora de seu corpo. O fim de suas existências significava a continuidade da sua própria. Voldemort descobriu uma forma de usar seu maior medo a seu favor, encontrou no fim um caminho para a eternidade.

A maldição da morte também o ligou a Harry Potter, pois falhou em matar o Menino Que Sobreviveu, destruindo o corpo do vilão ao voltar-se contra ele, deixando no garoto uma cicatriz em formato de raio, que conectaria os arqui-rivais até o fim da vida de um deles.

Essa não seria a única vez que o feitiço se voltaria contra o feiticeiro, já que em Relíquias da Morte, Voldemort foi morto em definitivo graças a um Avada Kedavra defletido pela varinha que empunhava, mas que não lhe pertencia. Ironicamente, o feitiço que ele usou durante toda a sua vida para governar a morte decretou a sua própria.


Harry Potter: Expelliarmus

O completo oposto do sadismo assassino de Voldemort. Expelliarmus é um dos feitiços de combate mais básicos ensinados em Hogwarts, servindo simplesmente para desarmar o oponente de qualquer arma que esteja portando, seja ele quem for.

Harry, o maior herói do mundo bruxo, foi leal a esse mesmo feitiço desde seu primeiro duelo contra Draco Malfoy em Câmara Secreta, até seu confronto derradeiro com Voldemort em Relíquias da Morte. Isso demonstra algo inerente ao Eleito: a compaixão e o respeito pela vida, seja ela de quem for, do colega arrogante de escola ao maior bruxo das trevas de todos os tempos.

Esse moralismo por parte de Potter já o pôs em apuros mais de uma vez, como quando preferiu usar Expelliarmus em vez de qualquer outro feitiço mais agressivo na Batalha dos Sete Potter's (Relíquias da Morte), algo que enfureceu até mesmo Lupin. No entanto, isso demonstra o apreço que Harry tem pela vida, pondo a sua própria em risco, apenas para não ter que tirar a de outra pessoa.

Mesmo diante dos piores assassinos, como Bellatrix Lestrange, que tirou a vida de Sirius Black diante de seus olhos, Potter jamais desceu ao nível de seus inimigos, e essa retidão moral é justamente o que o fez ser tão admirado por Dumbledore.

Enquanto Voldemort corrompia sua alma por meio dos assassinatos, que por si só são uma completa corrupção da natureza humana, a de Harry permanecia intacta, pura.

Essa predisposição ao sacrifício o acompanhou durante toda a saga. Isso começou desde quando decidiu enfrentar Voldemort sozinho com apenas onze anos de idade em Pedra Filosofal, até quando se entregou de peito aberto para a morte na Floresta Proibida, no intuito de que seus amigos sobrevivessem. Ele sempre pôs a vida do próximo à frente da sua própria, e seu feitiço exala essa característica: alguém que prefere preservar a vida em vez de espalhar a morte.


Snape: Oclumência

Um feitiço não verbal, sutil e misterioso, capaz de esconder a verdadeira natureza da mente de um bruxo de qualquer um que tente invadi-la. Para alguém como Snape, que conseguiu esconder sua verdadeira missão até mesmo do público, não existe escolha mais acertada.

Severo sempre soube que sua mente era seu maior trunfo, sua fortaleza, o lar do seu verdadeiro eu, independente de quem ele transparecesse ser por fora.

Isso o fez logo cedo desenvolver a habilidade de blindá-la. Foi esse dom que lhe permitiu ser um dos maiores agentes da luz, como também das trevas. Como Comensal da Morte, ele foi capaz, mesmo que temporariamente, de enganar até mesmo Dumbledore, infiltrando-se em seu meio e obtendo a Profecia do Eleito, sem saber que aquela descoberta iria condenar o amor de sua vida: Lílian Potter.

Com o peso daquela morte sob sua consciência, ele usou seu mesmo dom para um novo papel: o de agente duplo, passando-se por servo de Voldemort, quando, na verdade, agia em favor de Dumbledore e da Ordem da Fênix.

Sua habilidade com a oclumência foi levada ao limite, de forma que nem mesmo Voldemort, um dos maiores legilimentes do mundo mágico, foi capaz de desmascará-lo.

Snape tornou-se completamente insondável. Por fora, um professor arrogante, cruel e, posteriormente, um assassino e um traidor. Por dentro, Snape era um homem amargurado, movido pelo remorso de seus próprios erros, que lhe conferiram uma coragem ímpar, capaz até mesmo de entregar a própria vida por um garoto que lhe fazia lembrar do homem que mais odiava na vida, além de si próprio, sem que ele sequer imaginasse isso.

Ele se fez frio quando necessário, leal quando necessário, quando a única verdade sobre si mesmo permanecia oculta por trás de uma barreira intransponível para qualquer um além dele mesmo.



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