THE BLACKEST EYES: O VERDADEIRO FIM DE MICHAEL MYERS

Em 13 de outubro de 2022, os fãs do terror tiveram a última aparição de Michael Myers nos cinemas. Halloween Ends prometia não apenas dar à rivalidade entre Michael e Laurie Strode um final épico, como também explicar, de maneira definitiva, a origem do mal de Myers. O que exatamente ele é? O que o motiva? Em Halloween Kills (2021), fica sugerido que Michael é, de fato, mais que um homem, quase como uma entidade que se alimenta do medo e da raiva dos cidadãos de Haddonfield, e quanto mais mata, mais propaga o mal, mais invencível se torna. David Gordon Green tinha a faca e o queijo na mão para entregar algo fantástico, mas o resultado… Digamos que o Mal Encarnado sendo espancado por um adolescente de 35 anos em um esgoto não era exatamente o que o público esperava. Porém, se a Blumhouse, com dezenas de milhões de dólares à sua disposição, não foi capaz de fazer jus ao vilão que praticamente fundou o terror slasher ao lado de Jason e Leatherface, os fãs, com um pastel e um guaraná, deram origem ao que talvez seja uma das melhores obras já feitas dentro do universo de Halloween. É claro que estamos falando da série The Blackest Eyes, do canal estadunidense Sonny Fernandez, conhecido por suas inúmeras animações de terror, que vão desde o slasher clássico até monstros clássicos e sci-fi. Descobri seu canal enquanto vagava aleatoriamente pelo YouTube e, ao ver uma animação de Halloween com mais de 3,7 milhões de views, não pude fazer outra coisa senão assistir. Admito que a violência gráfica não me agradou, como não me agrada em nenhuma produção, e, nos seis capítulos da série, ela se faz presente em abundância, deixando até mesmo os filmes no chinelo. Porém, existe algo muito mais interessante para além do sangue e das várias e várias referências aos filmes. The Blackest Eyes se propõe a responder uma pergunta que até então parecia não ter resposta: como parar Michael Myers? Sem mais delongas, vamos conhecer um pouco da história do último Halloween de Michael Myers e entender o que de fato o motiva.

TERROR

Rafael Silva

9/21/20266 min read

O que existe por trás dos olhos mais negros?

A trama começa com o clássico grupo de jovens imbecis, que adentram a casa dos Myers na noite de Halloween, liderados pela jovem Katie. Ela é simplesmente fissurada pelo vilão, tendo lido tudo sobre ele e nutrindo uma paixão perturbadora pelos detalhes mais mórbidos de sua sanguinária carreira.

Ao entrar em sua casa e reconstituir os passos da noite em que matou Judith Myers, Katie esperava, de alguma forma, entender o homem por trás da máscara. O que ela não sabia era que não havia um.

Quando ele surge das sombras, em clara referência à sua aparição para Laurie no clássico de 1978, e manda de arrasta seus dois amigos figurantes, Katie não pôde fazer nada além de correr, até ser encurralada pelo vilão.

Ela passou a vida idolatrando aquele monstro, tentando encontrar sentido nele, uma explicação, pensando que, de alguma forma, pessoas como ela e ele poderiam ser iguais. Mas, ao olhar em seus olhos, ela não podia ver nada além das trevas.

“Por que você faz isso?” foram as únicas palavras que saíram de sua boca naquele instante. Não era ódio, medo ou vingança, era o mal na forma mais pura, impossível de ser emulado e, muito menos, contido. Infelizmente para Katie, o preço da sua paixão mórbida foi pago com seu próprio sangue.

Uma forma à prova de balas

Logo após isso, Myers invade uma segunda casa, onde três amigos curtiam uma noite de filmes de terror. Ali, somos apresentados à nossa final girl sem nome (como é costume do canal, talvez para causar identificação), que vê seus dois amigos NPCs serem eliminados diante de seus olhos por Myers.

Mais esperta, ela escapa do assassino, utilizando um lança-chamas improvisado para atordoá-lo, destruindo sua máscara no processo. Nenhum homem poderia sobreviver a algo assim. A polícia chega e a acolhe, mas, ao verificar o segundo andar, não encontra absolutamente nada. Myers não era o tipo de mal que se poderia matar com fogo ou balas. Pelo contrário, parecia que, quanto mais ele era atacado, quanto mais ele resistia, mais forte se tornava, e não apenas fisicamente.

Quando as autoridades cercam o local, o nome de Myers passa a rodar toda a cidade, causando arrepios em todos. Muitos não acreditam, mas, ainda assim, temem. Outros, ao melhor estilo Voldemort, evitam até mesmo falar seu nome. O medo o fazia onipresente em toda a cidade e se fazia mais forte justamente pelo fato de que ninguém, de fato, o entendia, pelo menos até aquele momento.

Em dado momento, o xerife da cidade é abordado por ninguém mais, ninguém menos que John Loomis, filho de Sam Loomis, o psiquiatra que passou mais de uma década tentando encontrar humanidade em Michael e havia falhado.

Assim como seu pai, John é direto: Myers não é um criminoso comum, nem mesmo uma lenda, é uma forma da natureza do tipo que não se deve tentar entender as motivações, mas sim usá-las para detê-lo como for possível. Ele sabia que Michael jamais iria fugir de uma caçada. Se ele estivesse em algum lugar, seria na sombra da única pessoa que havia escapado de suas garras.

No caminho, John confirma que a garota seria, na verdade, a sobrinha de Myers, filha de um caso extraconjugal do pai de Michael. Por isso o Bicho-Papão a caçava, para pôr fim à sua árvore genealógica. Uma pulada de cerca nunca custou tão caro.

Mais à frente, na ambulância, a jovem começa a alucinar, lembrando-se de Myers, e os paramédicos discutem se ele de fato é real, mostrando o quão grande é o seu impacto em Haddonfield. Ele era um mal sem rosto, sem lógica e sem CNH, mas que, mesmo assim, dirige melhor que o Toretto para tirá-los da estrada, fazendo com que a garota precise novamente correr pela vida, escondendo-se na casa de um casal de idosos que inutilmente tenta defendê-la.

Trajada com a plot armor, ela desvia das investidas de Myers e dispara duas vezes com um rifle contra ele, destruindo boa parte de seu corpo com os disparos. Não era o bastante.

John chega ao local e tenta queimá-lo com um lança-chamas, causando uma enorme explosão, mas, quando as chamas se apagaram, o corpo de Myers ainda não jazia sem vida no chão. Nem mesmo aquele que havia dedicado sua vida a entendê-lo, que viu seu pai sucumbir à loucura tentando pará-lo, foi capaz de matá-lo. O que seria capaz de parar Michael Myers?

O coração do mal

Com um novo nome e uma nova cidade, a agora chamada Megan recomeça sua vida longe de Haddonfield, sem abrir mão, é claro, da proteção policial na noite de Halloween. O xerife estava confiante de que Myers nunca mais voltaria, mas, ainda assim, John Loomis foi ao seu encontro naquele mesmo dia, pronto para pôr sua última carta na mesa, caso fosse necessário, e ele sabia que seria.

Após roubar uma nova máscara igual à de Halloween 4 em uma loja de conveniências, o Bicho-Papão vai até o prédio de Megan e entra fazendo mais kills que o Rambo, deixando-a novamente sozinha. Porém, dentro desse um ano, ela se preparou melhor que Laurie em quatro décadas e enfrentou Michael diretamente, chegando a derrubá-lo de uma escadaria inteira, novamente, uma situação que ninguém seria capaz de sobreviver. Mas, como já ficou claro: Michael Myers não é todo mundo.

Sabendo do ocorrido pelo jornal, Loomis e o xerife vão ao encontro de Megan, e ambos têm ideias totalmente diferentes de como derrotá-lo definitivamente.

Megan tenta escapar de Myers, e todos que se põem entre eles morrem. Quanto sangue foi derramado para que ela sobrevivesse? Será que, de alguma maneira, ela era a culpada pelo terror que todos ali estavam vivendo? Não importava o que ela fizesse, a sombra do mal jamais deixaria de pairar sobre ela. Ela era indestrutível, incansável e insaciável.

Quando os dois se encontram pela terceira e última vez, Megan estava prestes a ser morta, quando Loomis e o xerife entram em cena, disparando contra Myers, que, obviamente, permanece de pé. O xerife é nocauteado, e somente John fica entre Michael e sua presa. E é nesse momento que faz a única coisa capaz de deter o mal: tirar-lhe o propósito.

Ele atira em Megan, que cai desacordada no chão. Myers simplesmente para, sem saber o que fazer. Ele nunca teve motivo e, agora, também não tinha um objetivo. O mal não tinha mais um alvo para atacar.

Nesse momento, uma força da SWAT entra atirando, disparando rajadas de tiros contra o vilão, que simplesmente continua vivo. Era impossível destruir o mal, mas era possível destruir o seu propósito. Nesse momento, o garoto dentro da criatura finalmente abriu os olhos e soltou a faca pela primeira vez desde os seis anos de idade. Estava acabado. O Bicho-Papão decidiu morrer, pois não tinha mais razão para existir.

Michael não precisava morrer. Precisava deixar de ter um motivo para continuar.

John havia superado seu pai. Sam insistiu em celas que não poderiam prendê-lo e em balas que não poderiam matá-lo, mas seu filho decidiu fazer o mal descansar.

Ainda bem, pois, pela quantidade de dano que ele suportou nessa série, o próximo passo deveria ser chamar o Superman para lidar com ele.

Obviamente, Megan não havia sido morta. John havia usado uma bala de borracha para atordoá-la, enganando Michael. Sem resistir, ele foi preso em Smith Grove, o que é bizarro, pois como alguém em sã consciência vai pôr um cara como Michael Myers em um simples hospital psiquiátrico? Felizmente, ele simplesmente sentou-se em sua cela e passou o resto de seus dias desenhando atrocidades. O Bicho-Papão ainda estava lá, mas simplesmente não queria mais ir embora.

A obra de Sonny Fernandez traz a Myers uma profundidade que nenhum filme, além do original de John Carpenter, foi capaz de construir. A persona de Michael é explorada como nunca antes. John Loomis e Megan são ótimos personagens originais e trazem um tempero a mais para a trama, sendo de suma importância para a conclusão do arco de Myers.

Em geral, temos um fan film sublime. Bem animado, roteirizado e muitíssimo coerente com a saga, sendo, sem sombra de dúvida, melhor do que muito material oficial dela.

E você, conhecia esse fan film? O que achou do fim da saga de Michael Myers? Não deixe de comentar!

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