THANOS: ABSOLUTO, MAS INCOMPLETO
Na lendária saga Desafio Infinito (1991), de Jim Starlin, George Pérez e Ron Lim, o Titã Louco enfim obtém as suas tão desejadas seis Joias do Infinito, que, embutidas em sua manopla, fazem dele o ser mais poderoso do universo. Nem mesmo os deuses e as entidades agora poderiam comparar-se a ele. Todavia, esse poder ainda não era capaz de dar-lhe o que mais ele desejava: o amor da Morte. A entidade o havia trazido ao mundo dos vivos com o intuito de reequilibrar a balança cósmica entre vivos e mortos, sabendo que a sede insaciável por sangue de Thanos poderia pender drasticamente a balança para o seu lado. Decidido a impressioná-la, o Titã, induzido principalmente por Mefisto, extermina, com um simples estalar de dedos, metade da vida em todo o universo. Trilhões de vidas ceifadas em um piscar de olhos, uma atrocidade incomensurável, cometida em nome do “amor”. O desequilíbrio cósmico é imediato. Na Terra, heróis como Demolidor, Senhor Fantástico, Gavião-Arqueiro, Coisa e Pantera Negra simplesmente desapareceram, junto a bilhões de pessoas comuns, como Mary Jane Watson, para o desespero do Homem-Aranha. Longe da Terra, os Kree e os Skrulls, rivais históricos, culpavam uns aos outros pelo morticínio, estando prestes a iniciar uma guerra. Os estragos causados por Thanos iam além do que até mesmo ele era capaz de mensurar. Mas será que tudo isso realmente fez sentido para o vilão? Ou será que o poder, para ele, não passava de um meio para alcançar algo que jamais foi seu? É isso que iremos discutir hoje!
MARVEL E DC
Rafael Silva
11/5/20265 min read
UMA SERENATA CÓSMICA


Enquanto Thanos utiliza indiscriminadamente suas joias, o universo aproxima-se cada vez mais do colapso. O Surfista Prateado alerta o Doutor Estranho, que forma uma união improvável com o Doutor Destino e com o campeão da vida, Adam Warlock.
Eles se unem aos Vingadores e a outros heróis sobreviventes para tentar, de alguma maneira, deter um ser que não pode ser detido.
Na Lua de Titã, Thanos continua tentando impressionar a Morte a qualquer custo. Ele destrói mais vidas, tortura seu irmão, Eros, e sua neta, Nebulosa, e explode estrelas em sua homenagem. Mas nada, nem um único sorriso lhe é dado. Ele possuía em suas mãos o poder para fazer literalmente qualquer coisa. Destruir o universo ou até mesmo criar um novo. Ser a caça ou o caçador, o Sol ou a Lua, o céu ou o mar, a criação ou a destruição. A existência era como um livro aberto em suas mãos, e o impossível agora não significava mais nada.
Mas sua vontade jamais seria completa, pois esta dependia da vontade de outra pessoa. Para ele, de nada valia moldar o amanhã segundo a sua vontade, se sua amada não o construísse ao seu lado. Dá para entender por que a Morte o reviveu… o cara é insistente.
Ele acreditou que somente o poder o faria digno dela, quando, na verdade, o tornou inacessível. Tanto a Morte quanto Mefisto eram entidades cósmicas, incluídas em uma hierarquia muito clara. Quando o Titã Louco era um mero mortal, dedicando os milênios de sua vida a banhar o universo com sangue em adoração à sua amada, sua bajulação era bem-vinda. Agora, como um ser supremo, tão poderoso quanto a própria Morte, ajoelhar-se implorando por banalidades mortais como amor e afeto era somente patético.
Thanos queria o poder de um deus, mas jamais teria a grandeza de um, e por isso ela sempre o rejeitaria, não importa o quanto tentasse.
O vilão cria até mesmo uma amante chamada Terraxia, que o adorava sem questionar. Mas sua paixão artificial não lhe valia nada, não passando de uma falha tentativa de causar ciúmes em seu verdadeiro amor.
Por mais furioso que estivesse, ele não desiste, estando disposto a pôr sua onipotência em risco ao abrir mão dos poderes das joias antes de enfrentar os Vingadores. Ele iria provar à sua amada que era capaz de vencer de forma justa, como um mortal.
Sim, ele estava disposto a perder o poder absoluto apenas para impressionar a mulher que o desprezava. Gado demais!
O PODER SEM POR QUÊ
Os heróis mais poderosos da Terra lutam incansavelmente contra Thanos. Hulk e Drax combinam socos, Homem de Ferro e Ciclope combinam seus disparos, Thor castiga com o Mjolnir, enquanto o Capitão América lidera o ataque, permitindo que Warlock e o Surfista Prateado se posicionem para tentar tomar a manopla.
Mesmo se limitando, ele enfrenta todos simultaneamente, quase matando o Dr. Destino com uma rajada cósmica e suportando inúmeros golpes de Hulk e Thor. Mesmo sem as Joias do Infinito, seu poder era mais do que suficiente para todos eles.
Todavia, sua coragem tinha limites. Quando o Homem-Aranha o distrai com suas teias, permitindo que Thor o derrube com golpes poderosíssimos, ele percebe que a derrota é iminente e recorre à manopla, derrotando todos facilmente. Ambos os planos haviam falhado.
Sabendo que o amor da Morte era inacessível, seu único propósito se perdeu. Agora, era o poder pelo poder, a qualquer custo. Entidades como Galactus, Eternidade, os Lordes do Caos e outros uniram-se para detê-lo, em um duelo que devastou o universo.
Nem amor, nem falso moralismo: ele agora usava seu poder pura e simplesmente para destruir. Ele levou a si mesmo ao limite, pois não tinha mais nada a perder. Ele tinha tudo, mas ao mesmo tempo, não tinha nada.
O confronto de proporções universais termina em um impasse, com Thanos ficando desacordado por tempo suficiente para que Nebulosa lhe tome a manopla, tomando para si a soberania do universo.
O VERDADEIRO SENTIDO
Desesperado, Thanos se alia aos Vingadores sobreviventes para retomar a manopla, lutando ao lado de Thor, Doutor Estranho, Surfista Prateado e Adam Warlock. E é nesse momento que Adam esfrega a verdade na cara roxa do vilão.
“Reflita sobre sua vida, Thanos. O que vê? Um homem sempre em busca do poder absoluto e perdendo-o sempre que o obtém! Por quê? Porque, no fundo da sua alma, você sabe que não é digno dele.”
E como ele poderia negar? Como alguém poderia sentar-se no trono do universo, se não podia nem mesmo ter o amor de quem ama? Durante toda a sua existência, tudo o que ele fez foi lutar para obter mais e mais poder, para então lançá-lo aos pés de alguém que, no final, apenas o usou como uma simples marionete dos seus interesses. Um avatar que nunca seria digno de sentar-se ao seu lado.
Juntos, eles conseguem ludibriar Nebulosa, fazendo-a reverter toda a devastação causada por Thanos. A vida do universo dobrou com um simples estalar de dedos. Peter reencontrou MJ, Homem de Ferro, Ciclope e tantos outros heróis que tombaram em batalha, retornaram (até parece que a Marvel ia sair matando seus maiores heróis desse jeito), e a agora foi parar nas mãos de Adam Warlock, garantindo que esse incontrolável poder jamais repousasse nas mãos de um genocida novamente.
Recusando-se a ser capturado, Thanos forja a própria morte em uma enorme explosão, mas Warlock, que conhecia a mente do Titã melhor que ele próprio, sabia exatamente onde ele estaria.
O déspota agora vivia como um simples fazendeiro em um pequeno planeta. Ele duvida que seu adversário seja capaz de suportar o poder das Joias, ao mesmo tempo que sente um imenso fardo deixando seus ombros.
“Adam Warlock, um ser que não desejava nada além de passar o resto da vida dentro do pacífico ambiente da Joia da Alma. Ele agora possui o poder infinito e toda a responsabilidade que o acompanha. Enquanto isso, eu, que passei a vida toda dedicando-me à busca por poder, vejo-me sobrevivendo do que extraio do solo. Uma ironia digna deste conflito. De algum modo, sinto que, a longo prazo, Thanos de Titã venceu essa disputa.”
Ao livrar-se do poder, Thanos quebrou as duas correntes que o prendiam: a obsessão pela Morte e pelo domínio. Pela primeira vez em toda a sua longa vida, ele estava em paz. Ele entendeu que nada adiantava sua manopla estar completa, se o seu interior não estivesse. Seu poder poderia ser absoluto, mas, enquanto ele dependesse de outra pessoa para ser alguém, ele nunca seria suficiente para si mesmo, não importasse quantos universos pudesse destruir.
E você, já leu esse clássico? Prefere essa versão ou a do MCU? Não deixe de comentar!
