Qual Sith chegou mais perto de dominar a galáxia?

Desde os primórdios da galáxia, o objetivo de 99% dos seguidores do lado sombrio é um só: conquistar a galáxia, e destruir completamente os Jedi no processo. Como todos os fãs de Star Wars bem sabem, eles não são lá muito bons nisso, tendo em vista que mesmo que por vezes conquistem vitórias parciais,e até mesmo dominem a galáxia quase inteira por um período, seu triunfo nunca é absoluto. Todavia, houveram alguns que chegaram realmente perto disso, mas afinal: qual deles performou melhor? Palpatine e seu Império Galáctico? Darth Traya e seu Triunvirato Sith? Darth Vitiate e seu Império milenar? É isso que vamos discutir hoje, então, sem mais delongas, vamos lá!

STAR WARS

Rafael Silva

7/16/202610 min read

O Triunvirato Sith

A maior ameaça à filosofia Jedi que a Ordem já enfrentou, justamente por ser um inimigo saído de suas próprias linhas. Traya era uma habilidosa mestre Jedi, conhecida por utilizar a telecinese para duelar usando três sabres de luz ao mesmo tempo, que, como muitos outros em seu tempo e no futuro, tinha inúmeras críticas à forma com a qual a Ordem se relacionava com a Força, prendendo-se a dogmas ultrapassados e permitindo que uma energia imprevisível regesse seu passado, presente e futuro, tornando-os dependentes do acaso.

Sua visão polêmica quanto à energia que liga todas as coisas a fez ser banida da Ordem Jedi. Uma vez fora dela, Traya acabou sentindo na pele o que era viver sem essa influência mística quando seus próprios aprendizes a traíram e cortaram sua conexão com a Força. Essa experiência a fez perceber como a Força drenava o livre-arbítrio dos seres sensitivos, puxando-os para guerras que devastavam a galáxia com morte e destruição. Por mais que trouxesse a vida a todos os seres, a Força definitivamente não era benevolente.

De certa forma, ela não estava totalmente errada, uma vez que luz e trevas travaram as guerras mais sanguinárias da galáxia justamente por causa da dualidade com a qual enxergam a Força, movidos pela forma como ela age em cada uma de suas filosofias. Em teoria, se a Força deixasse de existir, a galáxia finalmente teria a paz.

Porém, ela sabia que os Jedi não abandonariam sua filosofia por simples palavras; ela precisaria fazê-los sentir a dor causada pela Força bem no fundo de suas mentes, todos ao mesmo tempo. A chave para isso foi o desolado planeta de Malachor V, onde a ex-jedi e antiga aprendiz de Traya, Meetra Surik, ordenou a detonação do Gerador de Massa Sombria, que simplesmente obliterou toda a vida na superfície daquele planeta, em um massacre tão brutal que abriu uma ferida conhecida como Eco da Força, uma espécie de último grito de agonia de todos os mortos naquela batalha. Esse grito tornou-se insuportável para Surik, que voluntariamente desconectou-se da Força apenas para que as vozes se silenciassem, mesmo que a culpa jamais pudesse ser esquecida.

A ideia de Traya era simples: levar Meetra de volta à cena do crime e fazê-la sofrer de forma que a ferida na Força fosse reaberta em escala ainda maior, consumindo toda a galáxia e forçando todos os sensitivos, tanto Jedi quanto Sith, a tomar uma decisão: trair a Força ou morrer por ela. Ela estava determinada a expurgá-la de todos os cantos da galáxia.

Felizmente, Surik foi capaz de resistir a Traya e seus planos, recusando definitivamente a visão niilista de sua ex-mestre. Todavia, por mais que a mentora do grupo representasse a mente por trás da ameaça, os outros dois membros do Triunvirato já haviam espalhado o terror pela galáxia por conta própria: Darth Sion e Darth Nihilus.

Nihilus havia sido um sobrevivente do massacre em Malachor V. No entanto, sua fome era tão devastadora que acabou consumindo seu próprio corpo físico, obrigando-o a prender sua alma à sua máscara e armadura. Ele vivia unicamente de drenar a energia da Força de outros seres vivos e, quanto mais ele consumia, maior sua fome se tornava. Em algum momento, ele se tornaria tão grande que consumiria toda a galáxia, transformando-o em mais que um simples Lorde Sith, um verdadeiro terror cósmico. Já Sion era um guerreiro experiente que havia servido tanto no Império de Exar Kun quanto no de Revan e Malak.

Em décadas de combate, ele tornou-se um guerreiro implacável pelo fato de que simplesmente se recusava a morrer. Não importa o quão graves fossem os seus ferimentos, ele sempre seria capaz de reconstruir seu corpo em frangalhos por meio de seu ódio e de sua dor. Com um guerreiro imortal e um devorador de mundos, a filosofia de Traya tinha tudo para destruir os Jedi moral e fisicamente.

Após traírem e exilarem sua mentora, Nihilus e Sion tornaram-se ainda mais incontroláveis e iniciaram um genocídio irrefreável de Jedi, caçando-os até que sobrasse uma quantidade possível de contar com os dedos das mãos, especialmente porque os sensitivos, banhados com o poder da Força, eram saborosos demais para o "Galactus" de Star Wars. Para se ter uma ideia, no planeta de Katarr, toda a vida e a própria biosfera do mundo foram completamente drenadas para saciar a gula de Nihilus. Estima-se que, apenas nesse banquete cósmico, ele tenha ceifado a vida de mais de 6 bilhões de seres sencientes em um único suspiro. Se Traya desejava extinguir a Força para devolver o livre-arbítrio à galáxia, Nihilus iria devorá-la até o momento em que nada mais restasse.

No entanto, Meetra Surik, como uma das únicas Jedi remanescentes, foi capaz de derrotar os dois lordes. Contra Sion, Surik aproveitou-se dos sentimentos e da obsessão que o Sith nutria por ela, usando o diálogo para convencê-lo a abrir mão de sua agonia, abandonando o ódio que prolongava sua dolorosa existência.

Contra Nihilus, Meetra precisou de paciência. Ela o confrontou sabendo que sua maior arma de destruição em massa seria inútil: por ser também um vazio na Força devido ao trauma de Malachor V, ela era completamente imune à drenagem dele. Ao tentar sugar a energia de Meetra, Nihilus encontrou apenas o vácuo, o que causou um rebote metafísico que o enfraqueceu drasticamente. Sem seus poderes quase divinos, Nihilus foi reduzido a um guerreiro comum, um tanto débil com o sabre de luz, sendo finalmente destruído pela mesma mulher que, indiretamente, o havia criado.

O Triunvirato Sith tinha um objetivo muito maior do que simplesmente governar a galáxia; eles queriam destruir a própria fundação do universo. No quesito eliminar Jedi de forma cirúrgica, eles foram infinitamente mais efetivos que o próprio Império Galáctico e sua Ordem 66, reduzindo os protetores da paz a menos de uma dezena e expondo a hipocrisia por trás de sua ideologia. Sua queda veio das fraquezas muito humanas de suas divindades sombrias: a fome cega de Nihilus, a paixão autodestrutiva de Sion e a arrogância filosófica de Traya. Se não fosse por essas brechas, a galáxia como conhecemos simplesmente teria deixado de existir.

Palpatine e Vader

Para muitos, essa dupla dinâmica foi a que realmente conseguiu derrotar os Jedi e a República. Sheev Palpatine, nomeado Darth Sidious ao ser tomado como aprendiz de Darth Plagueis, foi forjado como o produto de mais de mil anos da Regra de Dois de Darth Bane. Seu poder ia muito além do que um sabre de luz poderia destruir; seus tentáculos se estendiam da alquimia Sith ao Senado da República, onde, sem perceber, a galáxia e os Jedi serviam ao seu maior inimigo.

Juntos, Plagueis e Sidious elaboraram o plano que destruiria a já fragilizada e corrupta República Galáctica, permitindo-lhes pôr um fim aos Jedi. As Guerras Clônicas, a Ordem 66, até mesmo a queda de Anakin Skywalker, tudo isso já havia sido premeditado por Sidious antes mesmo do fim de A Ameaça Fantasma. Quando ele finalmente traiu e matou Plagueis, cabia somente a ele tornar o sonho de Darth Bane realidade.

O objetivo dele era muito claro: afastar ao máximo os Jedi da Força, sugando-os ao centro do conflito e fazendo-os confiar cegamente nos clones que, em muitos casos, viam como amigos. Enquanto isso, aproveitando-se do desespero de uma galáxia que implorava pela paz, ele acumulava cada vez mais poder por meio da corrupção do Senado. Simultaneamente, seduzia Anakin Skywalker com promessas e ilusões, afastando-o de Obi-Wan e da Ordem. Em pouco tempo, ele teria não só um império, como também o próprio Escolhido como seu aprendiz perfeito, garantindo que seu poder se tornasse eterno.

Inegavelmente, seu plano beirou a perfeição. Dos 10 mil cavaleiros Jedi que defendiam a galáxia, poucas centenas sobreviveram ao expurgo em massa coordenado pelos clones, enquanto Darth Vader e a Legião 501 reduziam o Templo Jedi a ruínas. Os séculos de planejamento dos Sith haviam derrubado a Ordem Jedi em uma única noite.

Utilizando a narrativa de que os Jedi queriam tomar o poder do Chanceler, algo que o próprio Mace Windu de fato tentou fazer ao perceber a ameaça, Palpatine deu início ao Império Galáctico sob a prerrogativa de não só pôr fim às Guerras Clônicas, mas, principalmente, punir os "traidores" que atentaram contra sua vida. Com um estrondoso aplauso em uníssono no Senado, os guerreiros que por milênios foram vistos como guardiões da paz, e que aos milhares deram a vida por ela, tornaram-se inimigos públicos.

Por mais que seu golpe tenha sido político, voltando à opinião pública contra os Jedi, a mentira de Sidious foi muitíssimo mais cruel. Muitos sobreviventes viram seus amigos e mentores morrerem, viram tudo o que conheciam queimar e não tinham a quem recorrer, pois muitos agora os temiam ou odiavam. Diante do trauma, alguns preferiram fechar-se para a Força, escolhendo não mais se torturar com qualquer tipo de esperança, como Cal Kestis e Cere Junda acabaram fazendo.

Para aqueles que insistiam em se opor ao Império, como Cho'na Bene, a morte era apenas uma parte da dor que o Império lhes reservava. Bene decidiu esconder-se no planeta Vaklin, onde a população local resistia ao Império e adorava os Jedi como divindades. Sabendo disso, Darth Vader, enviado pelo próprio Imperador para caçá-lo, decidiu ir além de uma execução rápida: ele precisava que as pessoas vissem o mito se desfazer diante delas.

Vader encontrou Cho'na Bene em seu esconderijo subterrâneo e o espancou impiedosamente, quebrando seus braços e deixando-o se arrastar para fora das cavernas em direção à praça pública. O Jedi correu entre as pessoas, implorando por ajuda, apenas para ver uma a uma virar as costas por medo da retaliação imperial. Os Jedi não tinham mais poder, não tinham mais o apreço do povo, não tinham mais nada. Humilhado e desmistificado, Bene foi alvejado friamente por um soldado imperial comum, morrendo como um bandido qualquer, enquanto o legado dos Jedi era esmagado pelo poder do Império.

Darth Vader e seus Inquisidores foram altamente efetivos em seu extermínio. No período de Uma Nova Esperança, os Jedi praticamente não existiam mais, com exceções como Yoda e Obi-Wan. Em Retorno de Jedi, Yoda confirma que Luke Skywalker era nada mais, nada menos que o último da sua classe. Os Jedi estavam por um fio de serem completamente varridos da galáxia.

Sidious e Vader foram muito além de simplesmente destruir os Jedi fisicamente; eles mataram o mito que os cercava. Fizeram-nos ser odiados e, depois, simplesmente esquecidos, como se nunca tivessem existido.

No quesito domínio absoluto, Palpatine foi o único Sith que de fato conquistou e governou a galáxia quase por completo, sem a República ou impérios rivais para competir. Sua queda veio de sua própria soberba ao subestimar a Aliança Rebelde e, principalmente, a fagulha de bondade que persistia no coração de Vader, a qual foi explorada no momento certo por Luke Skywalker para despertar o Escolhido e, finalmente, fazê-lo cumprir seu destino.

Darth Krayt

Antes conhecido como A'Sharad Hett, Darth Krayt foi um heróico Mestre Jedi de raça Tusken que lutou lado a lado com Anakin Skywalker e Obi-Wan Kenobi nas Guerras Clônicas. Após a Ordem 66, ele se exilou em Tatooine por décadas, até ser capturado pelos Yuuzhan Vong, uma espécie invasora que o torturou de inúmeras formas, prolongando artificialmente sua vida por mais de um século.

Perturbado após décadas de sofrimento, Krayt sucumbiu às trevas, mas rejeitou totalmente a Regra de Dois, resumindo-a à Regra de Um: apenas um será o mestre, por toda a eternidade, e os outros o servirão.

Sabendo que não poderia simplesmente entrar em guerra com a Nova Ordem Jedi, agora sob o comando de Kol Skywalker, descendente direto de Luke, ele preferiu seguir a linha de Palpatine: voltar a galáxia contra os Jedi. Para isso, ele sabotou um experimento feito por bioengenheiros para restaurar planetas devastados pela guerra, gerando mutações grotescas em dezenas de mundos, que originaram monstros bizarros. Os Jedi, desconfiados, saíram em defesa dos cientistas, o que não pegou nada bem para boa parte da galáxia, que agora os via como traidores.

A crise fez com que o Império Fel, composto por remanescentes do Império Galáctico, declarasse guerra à Aliança Galáctica, desfazendo o acordo firmado para derrotar os Yuuzhan Vong. Enquanto os Jedi enfrentavam inimigos de todos os lados, Krayt e seus seguidores promoveram um ataque massivo ao seu templo central em Ossus, matando quase todos os presentes, incluindo Kol Skywalker.

Com os Jedi fora da jogada, o Lorde Sith assumiu o trono do Império Fel, matando seu Imperador e colocando o controle de boa parte da galáxia em suas próprias mãos. Os poucos sobreviventes fugiram para os cantos mais remotos da galáxia, vivendo como nômades ou caçadores de recompensa. Ser Jedi realmente não é fácil, em nenhum momento da história de Star Wars.

Todavia, o Império de Krayt também passou longe de ser eterno, conhecendo seu fim pelas mãos de Cade Skywalker, que, mesmo tornando-se um viciado após perder seu pai e sua Ordem, voltou para vingá-la, atravessando o peito do Sith com seu sabre de luz e finalizando ao lançá-lo no sol de Coruscant, de maneira que não pudesse enganar a morte mais uma vez. Um fatality ao melhor estilo Mortal Kombat.

Krayt governou a galáxia quase por inteiro e levou os Jedi quase à ruína, mas seu reinado foi curto e bastante instável, não podendo ser comparado ao de Palpatine, que, no que se refere à extensão e à autoridade sobre a galáxia, é certamente o Sith com melhor desempenho.

Se nos limitarmos somente ao qual Sith chegou mais perto de destruir os Jedi, aí o jogo virá para o lado de Traya, Nihilus e Sion, que, caso conseguissem desconectá-los da Força (ou comer a galáxia inteira, como Nihilus desejava), certamente teriam dado fim à Ordem, como quase conseguiram de fato.

E o Império Eterno de Darth Vitiate? Esse é um caso à parte, pois, por mais que ele tenha reinado por mais de um milênio e incitado desde as Guerras Mandalorianas até o conflito de Revan contra a República, ele jamais teve a coragem de realmente enfrentar os Jedi e a República de peito aberto, preferindo ter a certeza de seu poder absoluto em Dromund Kaas e nas Regiões Desconhecidas do que arriscar tudo isso em uma cruzada que nenhum de seus antepassados jamais foi capaz de embarcar e sair vitorioso. Ou seja, por mais que possivelmente tenha sido o Sith mais poderoso da história, e também um dos mais longevos, ele não passou nem perto de destruir seus arqui-inimigos, e muito menos de dominar a galáxia como um todo.


E para você, qual Sith teve a melhor performance? Não deixe de comentar!

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