QUAL O MELHOR FILME DO BATMAN?

O Cavaleiro das Trevas, possui 10 adaptações em Live-Action (contando Batman vs Superman), sendo o herói mais adaptado para as telonas. Porém, qual será o melhor filme do herói? E ainda mais importante, qual o pior? É isso que iremos discutir hoje! A cada longa, iremos dar uma nota após uma breve crítica, e ao final, iremos descobrir o grande campeão.

MARVEL E DC

Rafael Silva

4/4/202616 min read

Batman (1966)

Esse é desconhecido por muitos! Pouco após o início da série de William Dozier em 1966, o produtor concebeu o primeiro filme do herói, com Adam West no papel principal. Aqui, Batman e Robin enfrentam seus maiores inimigos: Coringa, Charada, Pinguim e Mulher Gato. Que planejam utilizar o Desidratador, para transformar pessoas em pó (Plano ala quadrinhos da época).

A trama segue a risca a fórmula do seriado, uma sequência de esquetes cômicas com a Dupla Dinâmica, enquanto enfrentam os planos engenhosos de seus arqui-inimigos. Temos momentos icônicos, como Batman buscando um local para jogar uma bomba, e a batalha ´´épica´´, entre heróis e vilões no barco do Pinguim.

O Romance entre Batman e Mulher Gato é fortalecido, com Wayne ficando balançado entre fazer justiça, e render-se aos sentimentos por ela.

West e Burt Ward estão bem no papel, apesar das caricaturas que interpretam. Essa roupagem dos heróis, nada mais é, que fruto dos quadrinhos da época, que eram também, extremamente caricatos.

Com um orçamento de pouco mais de 1 milhão de dólares, o filme faturou 3,9 milhões, conseguindo se pagar e render algum lucro. Sua exibição nos cinemas foi limitada, o que explica a baixa arrecadação. No Rotten Tomatoes, o filme ostenta uma aprovação de 80%.

No entanto, foi esse longa, junto ao sucesso da série, que deram início a primeira ´´Batmania´´, com o Homem Morcego tornando-se o maior ícone da DC Comics.

Nota: 7

Batman (1989)

Batman (1989), dirigido por Tim Burton, fechou com chave de ouro a “Década do Morcego”, marcada por obras-primas como A Piada Mortal e O Cavaleiro das Trevas. Sua estética gótica, sombria e teatral tem a cara dos anos 1980.

O filme acompanha os primeiros meses do Batman (Michael Keaton) em Gotham, onde sua figura começa a aterrorizar o submundo do crime. A icônica frase “Eu sou o Batman” marca logo a introdução. O antagonista é Jack Napier (Jack Nicholson), que, após cair em um tanque químico, se torna o Coringa, um palhaço maníaco que espalha o caos pela cidade.

Narrativamente, o filme tem limitações: a trama é mais uma sequência de grandes momentos do que uma história verdadeiramente coesa. O Coringa, apesar de carismático e ameaçador, acaba sendo o único personagem realmente desenvolvido.

A direção de Burton é pura identidade: uma Gotham gótica, suja e estilizada, quase uma personagem própria. A trilha de Danny Elfman é magistral, até hoje considerada o tema definitivo do Batman.

No fim, é um filme onde o estilo supera o roteiro, e que virou um fenômeno. A bilheteria ultrapassou 410 milhões de dólares na época (o que hoje passaria dos 1,1 bilhão), e o longa ainda levou o Oscar de Direção de Arte. No Rotten, o filme alcançou 77% de aprovação dos críticos, e 84% do público.

O filme não é perfeito. Começando pelo roteiro que mal desenvolve o Batman, que parece um personagem secundário, em um filme onde o Coringa é protagonista, e seu objetivo, não é claro. O uniforme do Batman, apesar de belíssimo, prejudica as cenas de ação, que são muitíssimo toscas em diversos momentos. No entanto, é inegável que o filme é fantástico, e revolucionou completamente o gênero de super-heróis.

Nota: 9

Batman: O Retorno

Três anos após o sucesso estrondoso do clássico de 1989, Burton recebeu carta branca para fazer o que bem entendesse em uma continuação. E assim nasceu Batman: O Retorno.

A equipe de produção foi quase completamente alterada, e Burton fez algo totalmente diferente de um filme de herói tradicional.

Mais uma vez, Batman é um mero espectador em um verdadeiro show de Mulher-Gato (Michelle Pfeiffer) e Pinguim (Danny DeVito), que tomam conta da tela.

Ambos são típicas criaturas de Tim Burton, extremamente carregados visualmente e psicologicamente. Ao mesmo tempo, funcionam como críticas sociais veladas. O Pinguim é excluído de sua família por sua deficiência, sendo obrigado a viver entre homens igualmente problemáticos e animais. Selina, por sua vez, é um estereótipo da sexualização feminina, que é muitíssimo explorado. O grotesco e o sexual sempre foram uma das marcas registradas do diretor, mas esse apelo acabou marcando negativamente o filme para certos públicos.

O Pinguim surge dos esgotos de Gotham e molda uma imagem pública forte, sonhando em tornar-se prefeito. Por outro lado, Selina Kyle é uma jovem tímida que, após uma tentativa de assassinato, se torna a sensual Mulher-Gato, iniciando uma onda de crimes por Gotham, enquanto se relaciona com ambas as faces do Cavaleiro das Trevas: Batman e Bruce Wayne.

A estética de Gotham segue belíssima e, agora, com o adendo da neve, ganha um toque ainda mais único. O ar gótico foi fortalecido, lembrando muito outros clássicos do diretor, como Edward Mãos de Tesoura e Estranho Mundo de Jack.

As cenas de ação melhoraram bastante, e a Bat-parafernalha se ampliou ainda mais, com a adição do Batbarco e da asa-delta.

Um problema recorrente é a falta de importância do Batman em um filme com seu nome. Como pode ver, praticamente não falamos dele até agora, pelo simples motivo de ele ser quase irrelevante na trama. Sem motivação, desenvolvimento ou dilemas, é simplesmente um empecilho para que os vilões não façam o que querem, pois eles são os verdadeiros protagonistas.

Esse tom mais fantasioso e violento afetou as bilheterias, que ficaram na casa dos 266 milhões de dólares. Parcerias foram rompidas com marcas como o McDonald's, devido às crianças não comprarem brinquedos de um filme tão brutal. Isso acendeu um alerta vermelho na DC.

Se no comercial o barco estava afundando, as críticas simplesmente amaram o filme, com uma aprovação de 82% no Rotten, sendo, até aquele momento, a melhor de todos os live-actions do Batman. Pena que crítica não paga as contas do estúdio.

Com esse “fracasso” de bilheteira, a parceria Burton/Keaton à frente do Batman teve seu fim.

Nota: 9/10

Batman Eternamente

Aqui, Joel Schumacher assumiu o comando do Cavaleiro das Trevas e iniciou seu momento mais sombrio nos cinemas. A DC queria distanciar-se ao máximo da imagem pesada de Burton e voltar ao tom mais quadrinhesco e infantil. Schumacher disse que iria levar à risca o termo “Comic e não Tragic Book”.

Com Val Kilmer como Batman e Chris O'Donnell como Robin, o “idoso prodígio”, Batman Eternamente seria o primeiro filme do Morcegão a trazer a Dupla Dinâmica desde 1966.

Os vilões, Charada (Jim Carrey) e Duas-Caras (Tommy Lee Jones), são quase uma paródia deles mesmos nos quadrinhos. A dupla planeja roubar a inteligência de todas as pessoas de Gotham para, assim, resolver o maior mistério da cidade: quem é o Batman? Temos tosqueira para dar e vender, mas é inegável que, em certos momentos, ela cai bem, não sendo o maior problema dessa polêmica obra.

Começando pelos personagens: Robin é chato ao extremo. Os vilões não impõem ameaça alguma, não se encaixando na fanfarrice dos anos 60 nem na bizarrice gótica de Burton.

Um dos únicos pontos fortes é o próprio Kilmer, que traz um Bruce Wayne excepcional, parecendo um “Batman desmascarado”, totalmente alheio a tudo à sua volta. Uma adaptação que muitos fãs gostaram.

A satisfação foi tamanha que muitos fãs queriam que ele sempre tivesse sido o Batman, desde a Era Burton.

A trilha sonora de Elliot Goldenthal não supera o clássico de Elfman, mas tem muita personalidade, eternizando-se entre as mais icônicas do Homem-Morcego.

A bilheteira subiu, aos trancos e barrancos, alcançando os 336 milhões de dólares, e o símbolo do morcego voltou aos bonecos e fast foods, garantindo muito dinheiro nos cofres da DC.

Porém, os fãs caíram matando na obra por trair completamente a faceta do herói nos quadrinhos e ser tão boba quanto a série de Adam West. A aprovação de 41% no Rotten deu o recado: o Batman havia se tornado uma trasheira, e o pior ainda estava por vir...

Nota: 5/10

Batman e Robin

Uma grande paródia de super-heróis. Batman e Robin é o segundo filme de Joel Schumacher com o Cavaleiro das Trevas, e aqui, ele levou a caricatura ao ápice. Batman Eternamente já havia sido voltado ao público infantil, focando especialmente na venda de brinquedos, muito prejudicada pela atmosfera densa dos filmes de Tim Burton e Michael Keaton. Mas aqui, Joel não estava para brincadeira. Além de adicionar dois uniformes diferentes para a Dupla Dinâmica, ainda adicionou Batgirl na trama, para garantir mais um boneco na linha de vendas.

Na trama, Hera Venenosa (Uma Thurman) e Senhor Frio (Arnold Schwarzenegger) unem forças com Bane (não vou pôr o nome do ator, para poupá-lo de tal humilhação) para dominar Gotham. Fries deseja curar sua esposa, Nora, que está congelada para não perecer a uma doença terminal. Enquanto Bane e Hera... ele não tem muito objetivo não, só fazem aleatoriedades.

A Dupla Dinâmica por sua vez, não faz muitos esforço para prende-los, uma vez que lhes deixam escapar diversas vezes, e nem ao menos tenta interrogar um capanga para descobrir seu esconderijo.... isso pouparia o público de muita coisa.

Robin está insuportável (mais uma vez), Batman é inexistente, uma piada de mal gosto, e Batgirl, vivida pela belíssima Alicia Silvestone, entra na trama como a sobrinha de Alfred (ao invés de filha de Gordon), e embarca na cruzada contra o crime (o maior deles, sem dúvida é a concepção do filme em si), sem motivação alguma.

Fruto desse show de horrores, Batman e Robin tinham tudo para ser o Todo em Pânico dos heróis, mas decidiram levar-se minimamente a sério, cavando sua própria cova.

Nas bilheterias, o filme rendeu 238 milhões de dólares, mal se pagando. Na crítica, o filme fez história, quebrando todos os recordes negativos que via pela frente: 11% no Rotten Tomatoes, 3,8 no IMDB e 29 no Metacritic, tornando-o o filme mais mal avaliado do Batman, em todas essas plataformas.

Porém, o filme é nostálgico. Cenas como o Batcartão, traje com mamilos, piadas de duplo sentido e os comentários ridículos do Senhor Frio tornam o filme cômico o bastante para ser clássico. Sim, é ruim, mas muito mais memorável inclusive que alguns filmes realmente bons da DC, tornando-o um verdadeiro clássico cult dos super-heróis, sem exatamente precisar ser bom.

Nota: 3/10

Batman Begins

Batman e Robin mantiveram o Maior Detetive do Mundo enterrado por oito anos, até que alguns filmes lançados nos primórdios da internet, como Batman: Dead End, geraram um burburinho, que provou que o herói ainda era popular e só precisava de uma pegada mais séria.

Assim, Christopher Nolan assumiu a missão das mãos da DC e trouxe Christian Bale para ser a face da versão que mudaria o conceito de Batman no imaginário popular.

O início da trilogia de Nolan traz uma abordagem realista, com foco na construção do herói. É um filme sobre medo, superação e escolha. A jornada de Bruce Wayne é tratada com respeito, profundidade e uma carga dramática muito bem dosada.

A construção do mito do Batman, desde seu código moral até seu símbolo de medo, é trabalhada de forma impecável.

A trama relê muitíssimo algumas HQS clássicas do Homem Morcego, como Batman: Ano Um, que trata justamente da origem do Homem Morcego, e sua relação com os principais pilares de Gotham, como Jim Gordon e Carmine Falcone.

O único ponto fraco são as péssimas cenas de ação, com a câmera tremida, tornando quase impossível entender o que Batman está fazendo nas cenas de combate, algo inadmissível em filmes de ação. Mas, é inegável que Batman Begins é um dos melhores filmes de origem de super-herói.

As críticas foram, em grande maioria, positivas, e a bilheteira ultrapassou os 373 milhões de dólares, reascendendo o Homem Morcego no imaginário popular, após o fracasso estrondoso de Batman e Robin.

Os 85% de aprovação no Rotten deram mais uma pitada de confiança a Nolan e Bale, para que sua franquia criasse vida. Porém, esse ainda não era o ponto mais alto, a cereja do bolo, ainda estava por vir.

Nota: 8

Batman: Cavaleiro das Trevas

O maior filme de super-herói já feito, e um dos melhores da história do cinema. Com uma trama investigativa brilhante, que leva todos os personagens ao limite, e um final simplesmente arrebatador, O Cavaleiro das Trevas é uma obra-prima.

Um ano após sua chegada a Gotham, Batman tem feito os criminosos da cidade agradecerem quando o sol nasce. Ao lado de Harvey Dent e James Gordon, o herói tem feito de sua cidade um lugar melhor. Encurralados, os reis do submundo se voltaram para o Coringa, um maníaco desconhecido, que promete matar o Batman em troca de metade do ganho dos criminosos.

Em meio a esse caos, Bruce lida com sua relação com Rachael, que se vê dividida entre ele e Harvey, temendo que Wayne nunca abandone o manto de Batman, como se desejasse que esse dia jamais chegasse, que Gotham sempre precisasse dele, por não conseguir se ver em outra vida.

O grande destaque, claro, é a atuação lendária de Heath Ledger como Coringa, que lhe rendeu um Oscar póstumo e mais seis prêmios individuais. Sua atuação única e cheia de improvisos lhe eternizou como o melhor Coringa dos cinemas. Infelizmente, Heath acabou falecendo antes da estreia do filme, devido a uma overdose.

O elenco é de altíssimo nível, com Christian Bale, Gary Oldman, Michael Caine, Morgan Freeman e Aaron Eckhart entregando atuações impecáveis.

O roteiro foge dos clichês, explorando profundamente a relação entre Batman e Coringa, dois opostos em um embate moral e psicológico inesquecível. No fundo, ambos são dois lados da mesma moeda, apenas escolheram lados diferentes para agir. Os dois são frutos do caos, e agora, o embate entre eles deixa todos em perigo. O dom que o Palhaço do Crime possui, de atingir o herói onde dói mais, é muito bem explorado. Sua onda de crimes põe o povo que antes o idolatrava contra ele. Isso demonstra a verdadeira intenção do Coringa. Matar Batman fisicamente não era nada de impressionante, pois ele já não era só um homem, era uma lenda, um ideal. Por isso, ele precisaria fazer essa lenda ruir, e esse ideal sangrar, para então afundar Gotham no desespero. Isso realmente acaba funcionando com Dent, a quem ele consegue corromper. Porém, Batman segue fiel ao seu código até o fim, e sabe que, por mais que deseje matar aquele maníaco, isso lhe daria a vitória.

O plano do Coringa, que testa a alma de Gotham, é tão genial quanto perturbador. E o desfecho, com Batman assumindo a culpa pelos crimes de Harvey Dent para proteger a esperança da cidade, é um dos momentos mais poderosos do cinema. Ali, ele verdadeiramente vence o Coringa, pois não deixou a esperança de Gotham se esvair, mesmo que isso custasse a pureza de seu símbolo. Mas então, ele matou o Batman? Não! Como veremos no filme seguinte. Wayne retorna e, após salvar novamente a cidade, limpa sua imagem diante dela. Batman termina canonizado como uma lenda, e seus feitos mudam para sempre a cidade, e a loucura do Coringa é enterrada no passado.

Com mais de 1 bilhão em bilheteria e 94% no Rotten Tomatoes, O Cavaleiro das Trevas é o auge absoluto do gênero.

Aqui, o Batman conheceu seu auge, com um filme praticamente perfeito.

Nota: 10/10

Batman: Cavaleiro das Trevas Ressurge

Encerrando a trilogia de Christopher Nolan, O Cavaleiro das Trevas Ressurge entrega um épico grandioso, ambicioso e emocional. O filme aborda um Bruce Wayne quebrado física e mentalmente, obrigado a sair da aposentadoria quando Gotham é ameaçada por Bane (Tom Hardy), um vilão brutal e estrategista.

O longa se destaca pela escala quase operística, com cenas de ação intensas, tensão constante e um tom sombrio, que discute temas como redenção, sacrifício e esperança. Bane é uma presença imponente, embora não atinja o mesmo nível de complexidade do Coringa no filme anterior.

Se há falhas, elas estão em algumas conveniências de roteiro e numa conclusão que, apesar de emocionalmente satisfatória, força um pouco a suspensão de descrença. Ainda assim, é um encerramento digno, impactante e corajoso para uma das melhores trilogias do cinema, e que assim como seu antecessor, ultrapassou 1 bilhão nas bilheterias. No Rotten, o filme alcançou 87% de aprovação, não superando seu antecessor (algo quase impossível), mas, encerrando brilhantemente a trilogia de Bale.

Nota: 9/10

Batman vs Superman

Talvez o mais polêmico da lista. Ben Affleck, conhecido anteriormente por viver o Demolidor na Marvel (que, por sinal, foi um desastre completo), foi escolhido para viver o Cavaleiro das Trevas em uma roupagem mais amargurada e experiente, baseada nas HQs de Frank Miller.

Em 2016, Batman vs Superman chegou aos cinemas com um marketing pesado naquele estilo “escolha seu lado”. Diferente de Guerra Civil, onde Capitão América e Homem de Ferro foram previamente desenvolvidos e, de antemão, sabíamos que eles tinham pontos de vista diferentes, mas que, no fundo, se respeitavam, Snyder preferiu desenvolver tudo isso (ou, pelo menos, tentar) em 2 horas e meia.

O Homem-Morcego mata mais que o Coringa do início ao fim do filme, o que enfureceu alguns fãs. Compreendi a tentativa de Snyder de demonstrar a amargura de mais de vinte anos de Gotham na mente do Batman, mas certas facetas dele não agradam. Os momentos em que ele marca criminosos para serem mortos na prisão ou almeja matar Superman após uma pífia manipulação de Lex Luthor são realmente pavorosos. Era possível dar um ar mais sombrio ao justiceiro sem imbecilizá-lo ou transformá-lo em um carrasco.

O embate ideológico entre Superman e Batman é fraco, justamente por ambos estarem fora do tom. O Superman de Henry Cavill é tão cinzento quanto o próprio Batman, parecendo não se importar com a vida das pessoas. Porém, como Batman pode se preocupar tanto com isso, uma vez que ele mesmo não se importa também? Eles são iguais demais para demonstrar uma oposição que te deixe realmente indeciso. Nas HQs, isso é muito mais simples: Superman é o herói de roupas coloridas, superpoderoso, sorridente e esperançoso. Batman é o herói escuro, das ruas e becos sujos, violento, carrancudo e amante do medo. Aqui, essas predefinições são jogadas no lixo, e os dois poderiam mudar de papel tranquilamente.

O duelo físico entre eles é ótimo e cheio de “aura”. Batman vence, com a kriptonita ao seu lado. Porém, não mata o Homem de Aço após descobrir que suas mães tinham o mesmo nome... Essa bagaceira virou a maior piada do gênero de heróis em 2016, com muitos se questionando como tiveram coragem de gravar aquilo.

Ben tinha seus trunfos, como o uniforme, a aura assustadora, as cenas de ação, a interação com outros heróis e tudo mais. Porém, não teve um filme solo para se desenvolver, sendo trabalhado às pressas em um típico filme de versus, que o trata como um idiota em vários momentos.

Os cofres da DC explodiram com mais de 870 milhões de dólares, sendo uma das maiores bilheteiras do DCEU em mais de uma década de produções. No entanto, no Rotten... a coisa foi feia. A crítica deu 28%, apontando as dezenas de furos e inconsistências. O público deu 63%, nem bom nem ruim. Creio que a visão do público seja a mais equilibrada e acertada. Batman vs Superman não é nenhuma sumidade, mas nem de longe é a bomba que alguns pintam.

Nota: 5/10

The Batman

Em meio ao colapso do DCEU, Matt Reeves surgiu com um novo universo, à parte daquele marasmo. Seu Batman: o famoso Edward de Crepúsculo, Robert Pattinson. Os fãs debocharam da escolha do ator que, apesar do passado sombrio (ou luminoso...), fez bons trabalhos desde a saga dos vampiros. Reeves planejava algo realista, mas com um pé nos quadrinhos, em uma linha parecida com Nolan. O clima noir é claro ao longo do filme, visando o lado mais detetivesco do Cavaleiro das Trevas.

Um dos pontos mais altos do longa é o roteiro. A história é bastante fluida, fazendo com que as 2 horas e 56 minutos de filme passem rápido. O enredo gera diversas tramas e mistérios, principalmente envolvendo Batman e Charada, além de trazer reviravoltas bastante impactantes, especialmente uma envolvendo Thomas e Martha Wayne.

A atmosfera do filme também é ótima, trazendo situações pesadas e cenas bastante sombrias e tensas.

Além disso, os personagens são simplesmente espetaculares, com destaque para Batman e Charada. Robert Pattinson traz um Batman iniciante, ainda confuso sobre o que deve simbolizar para Gotham: vingança ou algo a mais? Ele é enganado pelo Charada, seduzido pela Mulher-Gato e erra várias e várias vezes.

O Charada de Paul Dano é um assassino frio e insano, dando uma imagem horripilante e realista ao vilão. Seu plano-mestre é fantástico e muito bem conectado ao roteiro.

Outro destaque foi Jeffrey Wright como Comissário Gordon, que formou uma dupla espetacular com o Cavaleiro das Trevas, com um personagem forte e carismático. Além dele, Zoë Kravitz (Mulher-Gato), John Turturro (Carmine Falcone) e Andy Serkis (Alfred) também entregam personagens espetaculares e com tramas muitíssimo bem construídas.

A estética do longa, principalmente no que se refere a Gotham City, é impecável. Em alguns pontos, o design da cidade se assemelha muito aos filmes do Batman de Tim Burton, com um ar sujo e opressor, mas sem apelar aos maneirismos góticos. Em outros momentos, traz uma estética completamente nova e modernizada, semelhante à vista no jogo Batman: Arkham Knight. As inspirações no game também podem ser percebidas no traje do Batman.

Composta por Michael Giacchino, a trilha sonora se encaixa perfeitamente com a atmosfera do filme, com momentos mais leves e sombrios, e outros de grandeza, acompanhando a movimentação natural do enredo.

O filme de Matt Reeves é praticamente impecável, tendo como única falha algumas escolhas no terceiro ato e uma ou duas pontas soltas (que podem vir a ser explicadas em um próximo filme). Mas, no geral, é um dos melhores filmes do Homem-Morcego, ficando, para mim, abaixo apenas de O Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan.

A bilheteira de 770 milhões de dólares e a recepção de 85% no Rotten consagraram o longa como um dos maiores sucessos da DC Comics em anos.

Nota: 10/10

Bom, esses foram todos os filmes do Batman, desde 1966 até 2022. Para mim, um top ranking final ficaria assim:

  1. Cavaleiro das Trevas

  2. The Batman

  3. Cavaleiro das Trevas Ressurge

  4. Batman (1989)

  5. Batman: O Retorno

  6. Batman Begins

  7. Batman (1966)

  8. Batman vs Superman

  9. Batman Eternamente

  10. Batman e Robin