Qual casa de Hogwarts menos combina com eles?
Draco na Sonserina, Harry na Grifinória, Luna na Corvinal. Esses são alguns exemplos de “matches” perfeitos entre casa e aluno, onde os valores centrais de ambos parecem se encontrar de maneira impecável. Porém, e se algum dia desse a louca no Chapéu-Seletor e ele simplesmente começasse a enviar os alunos para as casas mais inversamente proporcionais às suas características? Para onde Harry Potter, Voldemort, Alvo Dumbledore e tantos outros bruxos e bruxas iriam? Qual casa tem menos a ver com cada um deles? É isso que vamos discutir hoje!
HARRY POTTER
Rafael Silva
10/28/202610 min read
Voldemort/Lufa-Lufa


A casa do Texugo certamente nem passou pela cabeça do Chapéu ao tocar nos cabelos negros de Tom Riddle! O Herdeiro de Salazar Sonserina, como a própria ancestralidade sugere, simplesmente nasceu para a casa da Serpente.
Tom nasceu ambicioso, sabendo desde a infância que era diferente dos demais. No entanto, ser diferente apenas não bastava, ele precisava ser melhor. A Sonserina lhe deu o caminho para obter esse reconhecimento, mostrou-lhe que a busca pelo poder não deve ser condenada, mas sim encorajada, e ele sabia que tinha potencial para ser o bruxo mais poderoso de todos os tempos.
Ele simplesmente queria superar a mácula de todo ser vivo: a morte. Isso certamente é ambicioso demais para qualquer um, mas ele dedicou sua vida a provar que ela não passava de uma limitação daqueles que não possuíam poder.
A liderança obtida por meio do medo, a astúcia para escapar de quaisquer punições enquanto cometia as maiores atrocidades. Riddle era o estandarte de tudo o que os valores defendidos pela Sonserina poderiam ser caso fossem completamente subvertidos.
Invertendo os polos da moralidade, Voldemort assimila certos valores da Grifinória, como a coragem. Para criar sete Horcruxes, ele precisou ir mais longe do que qualquer bruxo da história até então, algo que exige coragem, mesmo que esteja sendo usada para cometer atos inconcebíveis.
Todavia, Voldemort possui um medo patológico da morte e não hesita em usar a dos outros para evitar a sua, sendo as Horcruxes a prova definitiva disso. Um grifinório entrega sua vida pela dos vulneráveis; Voldemort usava-as como escudo para si mesmo.
Por mais brilhante que fosse, ele também jamais seria um corvino. Riddle era um aluno exemplar, monitor-chefe e tido como o mais brilhante do seu tempo. Ele desprezava a ignorância, indo muito além do que os professores poderiam lhe ensinar.
Porém, não havia deslumbramento algum nesse conhecimento. Sua única serventia era como arma.
No entanto, nenhuma casa é tão diametralmente diferente de Voldemort quanto a Lufa-Lufa. A casa de Helga Lufa-Lufa foi fundada sob os preceitos da lealdade, da empatia, da justiça e da igualdade. O Lorde das Trevas não demonstra praticamente nenhum desses valores.
Voldemort não desejava a lealdade de ninguém, somente o temor. Ao que se sabe, nunca de fato amou alguém, vendo todos à sua volta como ferramentas, não como pessoas. Sempre foi injusto, desprezando os mais fracos e matando quem se opusesse à sua ascensão ao poder das maneiras mais horríveis.
E finalmente: ele acreditava piamente que o sangue que corria em suas veias de alguma forma o fazia melhor do que os outros. Uma casa feita para acolher a todos simplesmente não teria lugar para alguém que se julgava melhor do que todos.
Harry Potter/Corvinal


Mas esse não é o cara que disse literalmente: Sonserina, NÃO? Bom, é, mas, se ele precisou implorar para que o Chapéu-Seletor não o pusesse lá, era porque havia, sim, muito da casa de Sonserina em seu coração.
Potter tinha simplesmente o sangue de Voldemort correndo em suas veias. Desde que foi apresentado ao mundo bruxo, que, de uma maneira que ele ainda não conseguia entender, o tratava como herói, ele passou a exigir muito de si mesmo. Ele precisava ser grandioso como todos diziam que era. Esse desejo, sim, o aproximou da Sonserina.
Potter é inegavelmente astuto e “malandro”, tornando-se pro player no que se refere a quebrar todas as regras de Hogwarts, ano após ano, e sair impune. Por mais que ele desprezasse a Sonserina, o fato é que o Chapéu não errou ao dizer:
“Você poderia ser grande, sabia? Está tudo aqui, na sua cabeça. E Sonserina iria ajudá-lo a alcançar essa grandeza. Não há dúvida sobre isso. Não?”
Ele também detém algumas das características mais indispensáveis a um lufano, como a lealdade inabalável aos seus amigos e aliados. Sua lealdade a Dumbledore, por exemplo, foi tão poderosa que Fawkes veio até ele com a Espada de Godric Grifinória. Para empunhá-la, não era preciso apenas coragem, mas também fidelidade à causa pela qual ela foi forjada.
No fim, Harry parece reunir vários dos valores centrais da Grifinória, Lufa-Lufa e Sonserina. Mas e a Corvinal? Potter jamais foi um estudante superaplicado, não muito diferente de Rony. Ele seguia a verdade absoluta de todo estudante: passar é passar, se foi com 6 ou com 10, não interessa.
Por mais pródigo que ele possa ter sido ao aprender feitiços extremamente complexos, como o Expecto Patronum, com apenas 13 anos de idade, deve-se entender a diferença entre interesse e necessidade.
A vida acadêmica de Harry foi uma verdadeira guerra (no sentido literal da palavra): ou ele aprendia, ou morria. A busca pelo conhecimento não surgia de forma espontânea, mas sim pela necessidade de sobreviver e proteger aqueles que amava. Harry não era o tipo de cara que ficaria no Salão Comunal adivinhando charadas para passar o tempo.
Dumbledore/Lufa-Lufa


O mais difícil! Em sua juventude, por mais que tenha sido escolhido pela Grifinória, Alvo chegou a flertar perigosamente com os ideais sonserinos, especialmente sob a influência de Gellert Grindelwald.
Ele chegou a acreditar que teria o direito de liderar a comunidade mágica em uma guerra contra os trouxas, para que os bruxos finalmente tomassem o seu lugar de direito como a espécie dominante no mundo. Se não fosse pela intervenção de Aberforth e a morte de Ariana Dumbledore em um conflito com Grindelwald, Alvo possivelmente jamais sairia do seu lado.
O seu ato de maior coragem, em que ele de fato provou ser grifinório, foi o momento em que superou seu próprio remorso, deixou de lado seus sentimentos por Gellert e o enfrentou. Não era apenas a coragem para enfrentar um adversário poderoso, era a bravura de opor-se a alguém a quem ele um dia amou.
Para a Corvinal, Alvo traz seu intelecto apurado e sua sede insaciável pelo conhecimento. Ele foi o aluno mais brilhante que Hogwarts já viu, liderou a Ordem da Fênix na Primeira e na Segunda Guerras Bruxas e legislou sobre várias leis que redefiniram completamente a comunidade mágica mundial. Ele tinha a inteligência para fazer e a sabedoria para compartilhar o conhecimento; não à toa, tornou-se professor e, posteriormente, diretor da maior escola de bruxaria do mundo.
Mas, afinal, o que o afasta da Lufa-Lufa? Dumbledore era um manipulador nato, uma mente-mestra que jogava com dezenas de pessoas que nem sabiam o que estavam jogando. Harry Potter é o exemplo mais cristalino disso.
Alvo sabia que Potter precisaria ser morto por Voldemort em certo momento, mas via isso como parte de um plano maior. Até mesmo Snape ficou enojado com a postura do diretor:
“Você o criou como um porco para o abate.”
O próprio Snape foi usado por Dumbledore, transformado em bode expiatório quando Alvo pediu que o mesmo o matasse, para que assim tivesse total confiança de Voldemort e seus Comensais. Por mais que suas intenções fossem boas, suas decisões eram tomadas de cima, das sombras, nunca ao lado. Ao tornar-se intocável, ele tornou-se distante demais para sentir alguém.
O bruxo mais poderoso de todos os tempos sempre foi diferente. Aluno pródigo, esperança, herói e, por fim, a face do quão poderoso e sábio um bruxo poderia ser.
Por trás dessa máscara, havia um homem que escondeu a existência do próprio irmão até mesmo de Harry. Alguém que vivia em completo isolamento emocional, não permitindo que ninguém de fato o conhecesse. Ele era grande demais, inalcançável demais de tantas maneiras, que seria impossível levá-lo à Lufa-Lufa.
Severo Snape/Lufa-Lufa


Parece que todos os sonserinos têm aversão à Lufa-Lufa… O Príncipe Mestiço passou a infância sendo desprezado por quem mais amava, em especial seu pai, Tobias Snape. Essa eterna insegurança o fez buscar por uma autoafirmação que só seria obtida por meio do poder e da grandeza, para os quais a Sonserina era a melhor ponte.
Essa busca pelo reconhecimento tornou-se cega em seu quinto ano em Hogwarts, quando seu crescente preconceito para com os mestiços (o que ele também era…) fez ruir sua amizade com Lílian Evans, que foi, talvez, a única amiga que ele um dia teve em sua vida.
Ele então caiu nas graças do mal, buscando a glória ao colocar-se de joelhos diante de um monstro. Ele desejava ser grande, ao mesmo tempo em que era somente um servo.
Suas outras faces se apresentaram no decorrer da saga, especialmente após a morte de Lílian e Tiago, causadas justamente pelo seu desejo irracional de mostrar-se útil ao seu mestre. Tomado pela culpa, ele jurou lealdade a Dumbledore, assumindo quaisquer riscos apenas para ter a chance de reparar os erros que o deixaram sozinho.
Passar anos infiltrado entre os Comensais da Morte, mentindo para Voldemort dia após dia, enquanto secretamente passava informações para Dumbledore, flertando com a morte cada vez que ia ao encontro do Lorde das Trevas. Essa é uma coragem digna de um grifinório, e o próprio Harry Potter, um garoto que odiou Snape durante quase toda a sua adolescência, admitiu isso ao filho ao qual deu seu nome:
“Alvo Severo, nós lhe demos o nome de dois diretores de Hogwarts. Um deles era da Sonserina, e provavelmente foi o homem mais corajoso que já conheci.”
Alguém capaz de blindar sua mente contra o maior legilimente do mundo, criar novos feitiços, corrigir livros de poções com séculos de existência, alguém com tamanho conhecimento certamente teria uma cadeira na Corvinal. Snape não é somente um nerdola, ele busca pensar para além do pressuposto, e foi justamente essa proatividade que fez dele um dos bruxos mais sublimes do seu tempo.
Agora, no que se refere à vida em sociedade… Snape fica devendo demais para ser um lufano. Desde jovem, ele julgava-se superior aos demais, pondo-se sempre acima. Como professor, ele não tinha a mínima paciência com alunos mais lentos, como Neville, não pensando duas vezes antes de humilhá-los diante de tudo e todos.
Todos sabem do sofrimento que ele vivenciou em sua juventude nas mãos dos Marotos, mas isso não justifica sua total ausência de empatia para com aqueles que compartilham daquela mesma dor. A maneira asquerosa com a qual ele tratou Hermione no momento em que Draco aumentou bizarramente seus já avantajados dentes em Cálice de Fogo é só mais um exemplo do quão desprezível Severo poderia ser.
“Não estou vendo nada diferente…”
É claro, a lealdade, um fortíssimo traço lufano, se faz presente na persona de Snape. No entanto, é possível dizer que ele não é leal a alguém, como Dumbledore e Harry, mas sim ao seu próprio arrependimento. Ele fez o que fez por remorso pela traição contra Lílian, em nome do amor que nunca deixou de ter por ela. É justamente isso que torna tão difícil tratá-lo como um “herói redimido” e mais difícil ainda imaginá-lo com as vestes da Lufa-Lufa.
Hermione/Sonserina


Hermione fez o Chapéu-Seletor dividir-se entre duas casas: Grifinória e Corvinal. Não é para menos, estamos falando daquela que, segundo as palavras de Remo Lupin, era a bruxa mais inteligente da sua idade.
No entanto, por mais CDF que fosse, ela ainda punha em primeiro lugar os seus amigos e a coragem que era necessária para defendê-los.
"Livros... e inteligência! Há coisas mais importantes, como amizade e bravura."
Seu discurso mostra que, por mais que o conhecimento tivesse valor, ele era um meio, não um fim para ela. Seu amadurecimento mostrou com clareza que o Chapéu-Seletor estava certo.
Ela também demonstra lealdade extrema para com seus amigos, chegando a apagar a memória dos próprios pais para que pudesse embarcar em uma jornada ao lado de Harry e Rony em busca da Horcrux.
Ela também é dotada de uma enorme empatia pelos necessitados, tendo criado movimentos como a F.A.L.E. para obter melhores condições de trabalho aos elfos domésticos de Hogwarts, algo que continuou fazendo em maior escala ao ser eleita Ministra da Magia.
Contudo, seria errado dizer que ela não tem traços sonserinos. Ela sempre buscou se autoafirmar, estudando demais, tomando a liderança, mostrando para si e para todos que era boa o bastante. Porém, essa imensa necessidade de aprovação encontra raízes justamente no que mais afasta Granger da Sonserina: o preconceito de sangue.
Por mais que não seja compartilhado por todos os estudantes da casa (apenas pela maioria…), a “pureza” de sangue sempre foi algo de extrema importância para os sonserinos. Hermione, filha de pais trouxas, sofreu intensa perseguição por parte de alunos como Draco, Crabbe e Goyle desde o primeiro ano em Hogwarts.
Esse desprezo histórico pelo que ela realmente é certamente a distancia da Sonserina.
Todavia, a divergência não para por aí. Ao voltar seu olhar aos mais fracos, Granger contraria diretamente o princípio de busca pela glória. Ao lutar pelos elfos domésticos, lobisomens, centauros e gigantes, ela estava aliando-se aos seres mais desprezados pela comunidade mágica. Seus olhos voltavam para a sarjeta, não para o trono. O conhecimento que acumulou, o poder que conquistou, não era para si, era a forma encontrada por ela para dar voz aos que não tinham.
Praticamente Toda a Família Malfoy/Lufa-Lufa


Desde 1066, nenhum Malfoy jamais deixou de ser escolhido para a Sonserina. Draco, por exemplo, é simplesmente o produto de séculos de preconceito. Para ele, a Sonserina é a única casa viável, pois é a única que se dispõe a ensinar somente quem “merece” aprender.
Existe uma rivalidade histórica entre sonserinos e grifinórios, muito anterior ao high school vivido por Draco e Harry. Salazar queria fechar Hogwarts somente para os “puro-sangue”, enquanto Godric Grifinória, seu maior opositor, desejava abri-la a todos. Desde o princípio, ambas as casas não se entendiam.
Porém, seguindo o exemplo de Voldemort, a maioria dos sonserinos encontra sua maior divergência em relação à Lufa-Lufa. Para muitos deles, os lufanos são a exaltação à fraqueza, são o retrato daquilo que Salazar tentou manter longe daquele castelo. Um lado defende a ambição, a individualidade e a liderança; o outro, a empatia, a coletividade e a lealdade.
Pense por um instante: você consegue ver alguém como Snape na Corvinal e na Grifinória? Provavelmente, com algum esforço, sim. Agora, tente imaginá-lo na Lufa-Lufa…
Se invertermos, pense em alguém como Newt Scamander na Grifinória ou na Corvinal. Agora, imagine-o na Sonserina. Difícil, não é mesmo?
Bom, esses foram alguns exemplos de personagens que simplesmente seriam repelidos por determinadas casas. Concorda com os resultados? Quer uma parte dois com outros personagens? Com certeza temos muito a explorar! Não deixe de comentar.
