QUAL A MELHOR ANIMAÇÃO DE TIM BURTON?

Quando falamos de Tim Burton, rapidamente veem a mente as obras góticas, estilizadas, cheias de personagens e tramas bizarras, mas ao mesmo tempo, repletas de significado. O diretor tornou-se mundialmente conhecido por diversos sucessos nos anos 1980, que consolidaram seu jeito de fazer cinema. Seja com clássicos da bizarrice como Edward Mãos de Tesouro e os Fantasmas se Divertem, seja com blockbuster multimilionários como Batman. Mas, e se um diretor com uma das mentes mais criativas da sétima arte, tivesse em suas mãos o mundo das animações? Onde é possível dar vida a quase tudo que se imaginar? Hoje, iremos eleger a melhor animação dirigida por Burton, focando nas três mais notórias: O Estranho Mundo de Jack, A Noiva Cadáver e Frankeweenie. Sem mais delongas (porque já foram muitas), bora analisar!

TERROR

Rafael Silva

3/1/20267 min read

O Estranho Mundo de Jack

Aqui, Burton não dirige, mas sim produz o filme. Ele também foi responsável por conceber o personagem de Jack, em 1982.

A primeira animação de sucesso do mestre da bizarrice. O Estranho Mundo de Jack, narra a história de Jack Esqueleto, que é o monstro mais popular de Halloween City, por ser o mais horripilante entre eles.

Porém, ele sente que o medo não satisfaz mais seu coração, e com isso, ele visita a Cidade do Natal. Lá, ele se fascina com as cores, com a alegria, com os bons e poderosos sentimentos que exalam da felicidade. Assim, ele convoca todos os monstros de Halloween City, convidando-os a abandonar o terror, e abraçar o amor natalino. A cidade se reúne para construir brinquedos para Jack, e prepara-lo para se tornar o novo Papai Noel. Obviamente, isso se prova bem mais difícil do que parece.

A estética do filme é encantadora. Mesmo sendo um dos seus primeiros grandes trabalhos, sendo lançada em 1993, Burton trás aqui a estética mais inventiva entre todas as suas obras. Os diversos monstros, a bizarrice gótica de Halloween em comparação com a vibração colorida da Cidade Natal, mostram o brilhantismo da produção de arte.

Um ponto negativo, é o excesso de trechos musicais, que em alguns casos, se tornam extremamente irritantes. Alguns são impecáveis, como a música de abertura, que já dá as cartas quanto ao uso perfeito do Stop Motion, um estilo de animação extremamente trabalhoso, mas quando feito com capricho, belíssimo. E sem dúvida, esse filme é um exemplo de um Stop Motion perfeito.

Na trilha, temos o primeiro dueto de Burton/Danny Elfman, mesma dupla que compôs a trilha definitiva do Batman, em 1989. Que aqui, tem um início arrebatador.

Com um orçamento de 18 milhões, o filme bateu impressionantes 91 milhões, ganhando inclusive algumas reexibições. No IMDB, a obra tem um vistoso 8,0, sendo a mais bem avaliada entre as animações de dirigidas ou produzidas por Burton.

Apesar disso, creio que Tim Burton evoluiu ao longo de seus trabalhos, e apesar dos bons números de seu primeiro projeto, creio que ainda tenha debate quanto a qual será o melhor.

A Noiva Cadáver

Um romance gótico, com a cara de Tim Burton. Lançada em 2005, A Noiva Cadáver foi a animação mais cara de Burton, custando 40 milhões de dólares, mas em compensação, sendo a mais rentável, faturando 120 milhões de dólares. No IMDB, a obra possui nota 7,3, sendo uma das mais bem avaliadas do diretor.

Esse é com folga, o projeto mais icônico de Burton no que se refere a animações.

Na trama, Victor Van Dort é um jovem rico e tímido, que se vê obrigado a casar-se com Victoria, uma jovem de uma família tradicional á beira da falência. Um verdadeiro casamento arranjado. Victor se vê encurralado e confuso, e enquanto ensaiava seu pedido de casamento, ele acaba casando-se com uma noiva morta (trama ala Burton).

Ela acaba puxando-o para o Reino dos Mortos, recusando-se a deixá-lo partir, mesmo que ele tenha se casado por acidente. O vilão principal é Lorde Barkis, o assassino da Noiva, que se casa com moças ricas, para então assassiná-las e levar seu dinheiro. Na ausência de Victor, ele se oferece para se casar com Victoria, o que leva ao conflito final da trama.

Aqui Burton definitivamente assume a direção. A estética é linda e extremamente inventiva. As referências ao Expressionismo Alemão são claras, tanto no mundo dos vivos, quanto dos mortos. Enquanto o mundo dos vivos é cinza, frio e cheio de pessoas infelizes e cruéis, o reino dos mortos é cheio de ´´vida´´, colorido e cheio de alegria. Um contraponto brilhante, que junto a temática de amor impossível entre Victor e a Noiva, tornam essa trama tão incrível.

A frase ´´até que a morte os separe´´, é ressignificado para um talvez... ´´Até que a morte os reúna para sempre´´, em uma desconstrução digna do diretor.

O humor está presente na medida certa, especialmente envolvendo os mortos, arrancando boas risadas sempre que aparecem. Danny Elfman está em seu melhor momento, com números musicais mais pontuais em relação a Estranho Mundo de Jack, e com melodias realmente impactantes, misturando alegria e tristeza de forma genial.

Além do trunfo narrativo e estético, o filme traz também inovações técnicas, sendo o primeiro filme Stop-Motion a ser completamente gravado com câmeras digitais, trazendo um novo nível de qualidade para a produção.

Para mim, esse é o auge de Burton no mundo das animações, misturando bem uma trama dramática e cheia de reflexões, com um visual gótico e maravilhoso. Porém, minha obra favorita de Burton guarda um toque ainda mais especial.

Frankenweenie

Na minha humilde opinião, a maior carta de amor de Tim Burton a todos os fãs de terror, e um ponto de conexão entre todas as suas principais animações.

Lançada em 2012, é o sucesso mais recente de Tim Burton nas animações, onde ele atuou na direção e produção. Custando 39 milhões de dólares e faturando 'apenas' 81 milhões, foi sendo considerado um fracasso de bilheteria. Apesar disso, a obra tem uma avaliação consistente da crítica, com 6,9 e 88% no Rotten Tomatoes.

Frankenweenie é o remake de um curta-metragem criado por Burton em 1984, que traz Victor Frankenstein, um jovem brilhante e um tanto 'esquisito' (sinto que Burton deve ter posto muito sobre quem ele mesmo era quando jovem, nesse personagem), que é extremamente apegado a seu cão, Sparky.

O garoto é apaixonado por filmes de terror clássicos, desde monstros até ficção científica, tendo ele mesmo feito diversos curtas de horror com a ajuda de Sparky.

Porém, durante um jogo de beisebol, o cachorro acaba sendo atropelado por um carro, morrendo na hora. Desolado, o garoto não aceita perder seu melhor amigo e, motivado pelo estranho professor Rzykruski (nome fácil de escrever), ele decide reviver seu cão ao melhor estilo Frankenstein. Ele desenterra Sparky, remonta seu corpo destruído, e com a ajuda da eletricidade dos raios, ele revive o bichinho, que agora se alimenta de energia elétrica para manter-se "funcionando".

Porém, seu bizarro amigo chamado Edgar (referência a Igor, lacaio de Frankenstein na obra de Mary Shelley), descobre o segredo e acaba espalhando por toda a cidade, com os garotos da escola de Victor tentando a todo custo replicar seu feito, com consequências obviamente caóticas.

A obra é uma referência aos clássicos da Universal e do terror clássico do início ao fim. Temos referências a:

Frankenstein 1931: Na forma que Victor revive seu cão, em seu nome, e no visual de um de seus amigos, que lembra em muito o da criatura.

Godzilla: Referenciado em um dos monstros criados pelos garotos e no curta-metragem de Victor.

Drácula (1958): Assistido na TV pelos pais de Victor.

Mary Shelley: autora da obra original, tendo seu nome indicado em uma das lápides do cemitério.

A Noiva de Frankenstein: Referenciado em uma cachorrinha amiga de Sparky, que possui uma mecha de pelos brancos em meio ao preto, assim como o cabelo da Noiva.

A Múmia: Quando Edgar é preso em um sarcófago no fim do filme, envolto em ataduras.

A Noiva Cadáver: Victor tem o mesmo nome do protagonista do filme anterior de Burton, além de ser fisicamente igual. Além disso, Van Dort possuía um cachorro idêntico a Sparky. Fãs indicam que Estranho Mundo de Jack, Noiva Cadáver e Frankenweenie são uma trilogia, e Victor é o protagonista de todos os três, porém, em diferentes realidades.

Porém, a trama vai muito além de referências. A estética é inventiva, especialmente no visual morto-vivo do cão e das outras criaturas revividas. O filtro preto e branco não só referencia os clássicos, como também filmes amadores de terror, dando um visual único ao longa.

Os personagens são muito criativos visualmente, com designs únicos, que os tornam únicos e inesquecíveis. Quem não se lembra da garota bizarra com os olhos esbugalhados do filme?

Assim como no clássico de Shelley, o filme aborda dilemas sobre intervir no ciclo natural, quando Victor põe o amor por seu cão acima da lógica, e o revive, sem medir as consequências disso. Além disso, temos o medo da população, que, liderada pelo prefeito Burgemeister (uma dupla referência ao sogro de Victor em Noiva Cadáver e ao prefeito da cidade de Henry Frankenstein no clássico de 1931), passa a caçar Victor e Sparky.

O filme fala sobre os limites da ciência, sobre ganância e sobre medo irracional, mas acima de tudo, fala do amor de uma criança, que por mais inteligente e anormal que seja, se recusa a aceitar algo tão comum quanto perder algo ou alguém que amamos.

Com suas inúmeras referências e uma mensagem simples, porém poderosa, Frankenweenie merece seu lugar entre os clássicos mais subestimados de Tim Burton.

Por fim, vamos fazer um ranking final entre os clássicos:

O melhor e mais icônico: Noiva Cadáver, por seu sucesso comercial e sua trama ótima, casando-se (piadas à parte), com a estética do filme.

Nota: 10.

Mais Elogiado e 'cult': Estranho Mundo de Jack, por sua boa recepção crítica e seu grande sucesso comercial, além do pioneirismo no ramo das animações Stop-Motion.

Nota: 7.

Mais divertido e referencial: Frankenweenie, por sua trama mais simples e cheia de referências, que os fãs de terror clássico irão se deliciar.

Nota: 8.

E você? Qual é sua animação favorita de Tim Burton? Comente e nos siga para as