PERSONAGENS QUE SE PARECEM: E VOCÊ NÃO PERCEBEU
Você já reparou em dois personagens, às vezes de universos completamente diferentes, que têm personalidades extremamente parecidas? (Por favor, diga que não sou só eu). Bom, hoje vamos comparar alguns personagens que, mesmo sendo de filmes, ideologias e aparências totalmente diferentes, compartilham de traços inegavelmente semelhantes, que os tornam consideravelmente parecidos. O resultado irá lhe surpreender!
MARVEL E DCTERROR
Rafael Silva
1/2/202612 min read
Freddy Krueger/Espantalho


Garras nas mãos, magro, deformado, usa chapéu e utiliza-se do medo como seu maior trunfo. Com essas dicas, seria possível saber de qual personagem se trata? Você provavelmente ficaria em dúvida entre dois: Freddy Krueger, o Mestre dos Pesadelos, e Espantalho (Jonathan Crane), o arqui-inimigo do Batman. Isso definitivamente não é por acaso.
Em Batman Arkham Asylum, Espantalho apresentou o visual mais macabro que já havia tido até então, com longas seringas como garras na ponta de seus dedos, em clara alusão ao vilão slasher. Essa é a mais conhecida, mas definitivamente não é a única semelhança entre os dois maníacos.
Jonathan Crane (surgido em World's Finest Comics #3, 1941) teve uma infância traumática. Sua mãe o renegou assim que nasceu, como seu pai também o fez, e, com isso, ele ficou aos "cuidados" de sua avó. A idosa o tratava como um animal: espancava-o, deixava-o sem comida e o obrigava a usar roupas sempre velhas e rasgadas. Entre seus colegas, sua realidade era ainda pior, sofrendo diversos outros abusos. Durante esses anos, o medo foi o sentimento que definiu sua vida. Ele sentia-se impotente diante dessas sensações, logo cedo, entendendo que não existe sentimento mais capaz de controlar um homem do que o medo. Por isso, ele focou seus estudos na psique humana, especificamente no medo, sendo capaz de desenvolver uma toxina que traz à tona os maiores temores de qualquer ser humano. Com isso, ele foi capaz de usar aquilo que o aterrorizava como ferramenta de poder.
Freddy (surgido em Hora do Pesadelo, 1984), por sua vez, também teve uma infância terrível ao lado de seu pai adotivo. Sua vida parece ter sido amaldiçoada desde a concepção, com sua mãe, a Irmã Amanda Krueger, tendo sido vítima de mais de 100 detentos quando foi acidentalmente presa junto a eles. Assim que seu filho nasceu, ela o descreveu como ‘o filho bastardo de uma centena de marginais’. Logo depois, morreu.
Logo cedo, já demonstrava traços de psicopatia, matando animais e, na adolescência, o próprio pai adotivo. Após sua transformação no Mestre dos Pesadelos, Krueger utilizou o medo de suas vítimas para se fortalecer, alimentando-se de seu pavor para manter-se forte, brincando com suas mentes antes de, por fim, matá-las. O sadismo e o fascínio pelo terror de ambos os assassinos são algo que os conecta, mesmo que a forma pela qual o consolidam (um pela ciência, outro pelo sobrenatural) seja diferente.
Muito além de figuras visualmente aterrorizantes, Krueger e Crane são o reflexo do poder do medo sobre a humanidade, pois, independentemente de que seja o Batman ou um adolescente qualquer de Springwood, todos têm algo a temer, e isso sempre dará força a esses vilões. Mas o medo também pode ser sua fraqueza.
Batman, por mais que tenha diversos traumas que o fizeram ser o que é, foi capaz de controlar seus medos e, vez após vez, derrotar o vilão, mostrando que nem todos permanecem reféns do medo, como ele. Freddy já foi superado por Nancy, que, com coragem, foi capaz de destituí-lo de sua força, derrotando-o mais de uma vez. Tais personagens mostram que, quando confrontamos nossos medos com coragem, tiramos o poder que eles exercem sobre nós. E contra isso, nem mesmo os mestres do terror, como Espantalho e Freddy Krueger, podem fazer algo.
Coringa/Alex


O Coringa é o símbolo absoluto da anarquia, um agente do caos, focado em quebrar não só o Batman, mas toda a sociedade de Gotham, provando que, no fundo, todos são loucos como ele. O Palhaço do Crime está nas HQs desde Batman #1, em 1940, e, desde então, antagonizou o Cavaleiro das Trevas em vários de seus filmes, jogos e séries, sendo vivido por atores lendários, de Heath Ledger até Mark Hamill. Em todas elas, existe algo em comum: o desejo sádico de transformar algo cômico em motivo de terror e um desprezo absoluto pela lei e pela vida humana. Esse desprezo, apesar de variar de versão para versão, quase sempre surge de seus múltiplos traumas, todos expressões de problemas cíclicos da sociedade. O desejo do Coringa é normalizar a insanidade. Para ele, essa é a única forma de alcançar a verdadeira sanidade, livre das correntes da falsa civilidade que a sociedade insiste em sustentar.
Outro personagem que compartilha dessa visão é Alex DeLarge, o criminoso britânico vivido por Malcolm McDowell. Baseando-se na obra Anthony Burgess (1962), o clássico Laranja Mecânica (1971) retrata Alex e sua gangue como um grupo de anarquistas que tornam a violência extrema e a profanidade uma verdadeira arte. DeLarge é um admirador de Beethoven e sempre escuta suas melodias enquanto comete seus crimes, reforçando esse conceito. O vilão e seus asseclas desprezam as normas sociais, e todos os crimes que cometem não têm como objetivo o dinheiro, e sim a destruição dessas normas.
A glamourização da violência e a necessidade de dobrar a normalidade social de acordo com a sua vontade são pontos em comum entre o jovem marginal e o maníaco de Gotham. Outro ponto de encontro está na impossibilidade de curá-los. O Coringa já foi internado em Arkham dezenas de vezes e mostrou-se além de qualquer tipo de tratamento. Alex, por sua vez, teve sua loucura "invertida" devido ao tratamento de choque imposto pelo governo britânico, criando uma aversão absoluta à violência. Porém, isso também lhe causa problemas, e mais tarde, ele retoma seus antigos atos, e dessa vez, tem o público ao seu lado, replicando um dom que o Coringa também tem: a capacidade de angariar seguidores, mesmo sendo um criminoso, pois para eles, ambos simbolizam uma possibilidade de libertação de suas próprias correntes.
E você, acha que eles se parecem?
Jason/Norman Bates


Ok, claro que existem muitas diferenças entre um jovem com dupla personalidade e um assassino morto-vivo imortal, mas vamos nos ater ao que os conecta: sua relação com suas respectivas mães (e a trilha sonora de Sexta-Feira 13, que é baseada em Psicose…).
Jason nasceu com grandes deformidades, sendo motivo de medo e nojo por todos à sua volta, menos para sua mãe, Pamela Voorhees, que sempre o amou como seu bem mais precioso. Por isso, quando ele se afogou devido à negligência dos campistas, que preferiram praticar o coito em vez de cumprir suas funções, ela entrou em uma espiral de vingança que traria ao Acampamento Crystal Lake seu apelido mais conhecido: Acampamento Sangrento.
No entanto, ela acabou morta pela única sobrevivente daquela noite, Alice Hardy, e foi sua morte que despertou a ira do maior assassino do terror. Ouvindo a voz de Pamela em sua mente, Jason tornou-se um espírito de vingança, eliminando todo aquele que ousasse pisar em seus domínios.
Sua vida (ou pós-vida) se transformou em um tributo sangrento àquela que devotou sua vida a ele.
Já Norman Bates teve uma relação extremamente abusiva com sua mãe. Ao invés de um amor obsessivo, Bates foi vítima de um fanatismo religioso que despedaçou sua mente por completo ainda na infância. Norma Bates (que, por sinal, não foi muito criativa para dar um nome a seu filho) isolou Norman do mundo, resumindo sua realidade ao convívio com ela, sendo esse isolamento um dos principais motivos para seu futuro transtorno dissociativo. Essa dependência emocional fez com que Bates matasse o próprio pai, Sam Bates, no intuito de proteger sua mãe. Além disso, existe um viés quase sexual em certos aspectos dessa relação, algo deixado subentendido no bizarro Psicose 4 (1990).
Outra faceta desse abuso é a forma com a qual Norma descrevia as mulheres para seu filho, como seres depravados e promíscuos, que apenas o levariam ao pecado.
Por motivos diferentes, tanto Norma quanto Pamela causaram o mesmo efeito em seus filhos: a aversão total ao sexo.
Jason foi morto em decorrência da irresponsabilidade de adolescentes com hormônios à flor da pele. Norman, por sua vez, foi ensinado a suprimir seus desejos desde a infância, algo que fica claro em sua breve e desastrosa relação com Marion Crane, em que fica óbvio o interesse sexual dele pela garota, mas, ao mesmo tempo, a incapacidade de satisfazer este desejo. Sempre que sentia atração por uma mulher, Bates ouvia sua mãe lhe repreendendo em sua mente, levando-o a cometer as atrocidades que conhecemos.
Esse subtexto conversa também com a possível homossexualidade de Norman (curiosamente, Anthony Perkins era realmente gay e, por isso, teve tanto interesse pelo personagem, no qual via um espelho de si mesmo em sua infância), mas é indissociável dessa relação tóxica entre mãe e filho.
Por fim, conclui-se que a insanidade de ambos os vilões está diretamente ligada ao pensamento incutido em suas mentes por meio dos devaneios de suas mães, que os transformaram em dois dos maiores vilões da cultura pop.
Drácula/Hannibal


Drácula é um dos vilões mais icônicos e clássicos da cultura pop, nascido das páginas do romance escrito por Bram Stoker em 1897. O Príncipe das Trevas é conhecido por seu ar elegante e galanteador, muitas vezes, seduzindo suas vítimas antes de enfim atacá-las. Alguém capaz de manipular, seja por meio das palavras, seja por meio de seus poderes mágicos.
Não à toa, manteve-se vivo por milênios, mesmo sendo caçado por muitos. Seu sadismo lhe define, tendo um prazer imenso em brincar com a mente de suas vítimas antes de finalizá-las, muitas vezes, transformando-as em vampiros para servi-lo pela eternidade.
O grande trunfo do desenvolvimento do vilão reside no fato de que, por trás daquela máscara de cavalheiro, Drácula é um animal sanguinário, movido pelo desejo, que só se vê saciado no sangue e nas vidas humanas. Apesar das mais de 500 adaptações para cinema, desenhos e séries, esse traço jamais deixou o Rei dos Vampiros.
E qual outro personagem você poderia reconhecer por essa descrição: um homem inteligente e elegante, mas que, na verdade, é um assassino frio e bestial e que, de quebra, alimenta-se de seres humanos? Exatamente Hannibal Lecter. O vilão criado por Richard Harris para o livro Dragão Vermelho é conhecido por sua personalidade irreverente, sempre contido, de fala mansa e extremamente inteligente, tomando controle de uma situação, mesmo preso em uma cela.
Em Silêncio dos Inocentes, Anthony Hopkins deu vida ao personagem nos cinemas, trazendo ao grande público o poder de manipulação do assassino canibal, que pode ir de um homem gracioso a um verdadeiro dragão. Na série Hannibal, conhecemos a vida profissional de Lecter como psiquiatra, mostrando ainda mais seu poder de persuasão, sendo capaz de transformar até mesmo Will Graham, o detetive mais brilhante dos Estados Unidos, em uma mera peça de seu tabuleiro. Aqui, Hannibal demonstra o mesmo apreço que o vampiro pelo controle e a dor de suas vítimas.
Tanto Drácula quanto Hannibal possuem um charme irresistível. Com beleza, inteligência e hábil retórica, eles são capazes de dominar a mente de quase qualquer um, e assim que a vítima se entrega, eles atacam, como um leão atacando a jugular de sua presa. Quando estão no controle, ambos revelam seus desejos profanos pelo sangue, que são uma mostra das trevas que habitam o âmago de ambos.
Drácula ainda possui o artifício de seus poderes para ajudá-lo em seus ataques, mas o brilhantismo de Lecter não o deixa muito para trás. E você notou as semelhanças?
Wanda/Carrie


Todo o Marvete que se preze tem a Feiticeira Escarlate como uma das personagens mais poderosas das HQs. Como filha de Magneto, Wanda já nasceu com um potencial imenso, que apenas foi amplificado graças a seu grande conhecimento em magia, colocando-a em pé de igualdade até mesmo com o Mago Supremo, Stephen Strange. Porém, o medo de perder o controle sempre a assombrou, e quando se provou fundamentado, os resultados foram devastadores, como os vistos em Dinastia M e Multiverso da Loucura.
Por medo de si mesma, Wanda busca controlar ao máximo, semelhante em certa medida a Carrie White, do clássico "Carrie, a Estranha", do mestre Stephen King. Filha de uma puritana fanática, Carrie foi escondida do mundo, tendo de enterrar dentro de si todos os seus receios, inclusive aqueles sobre suas habilidades… peculiares. Por medo e falta de autoconhecimento, White escondeu suas habilidades, temendo o julgamento de sua mãe.
Porém, o bullying constante na escola e os abusos de sua mãe foram lentamente corroendo sua mente, até que, no fatídico dia do baile do colegial, a garota liberta seus poderes, matando todos os presentes. Tanto Wanda quanto Carrie portavam um grande poder e temiam perder o controle sobre eles, por motivos diferentes, mas temendo o mesmo resultado: a destruição de tudo que conhecem, devido ao seu descontrole.
Superman/Capitão América


Superman é o maior símbolo não só da DC, mas do gênero de heróis como um todo. Desde sua concepção em Action Comics #1, Kal-El nasceu para ser um guia para a humanidade, não só por seus poderes, mas principalmente por sua moral, que o leva a usá-los em prol da humanidade, e não por benefício próprio. Mesmo tendo nascido com poderes, ciente de suas capacidades sobre-humanas, Clark foi ensinado sobre o valor da vida por seus pais humanos, Jonathan e Martha, tomando para si a missão de proteger esse bem tão precioso.
O Homem de Aço é aquele em quem todos confiam quando tudo parece perdido, a personificação da esperança, mesmo nas horas mais sombrias. O equivalente mais próximo a ele nos quadrinhos está justamente na concorrente Marvel, o Capitão América.
Diferente de Superman, Steve Rogers nem sempre teve poderes, tendo recebendo-os por meio do soro do supersoldado, tornando-se o símbolo absoluto da liberdade e moral na guerra contra o Eixo. Porém, Rogers é muito mais que o rosto de um exército, e até mesmo de um país. O Sentinela da Liberdade simboliza a perseverança da bondade, verdade e empatia, mostrando que aquilo que tem de mais especial não foram os dons que recebeu de um frasco, e sim aqueles que sempre habitaram seu coração.
Superman e Capitão América simbolizam o tipo de herói que todos nós podemos ser: uma boa pessoa. Alguém que respeita e ajuda ao próximo, mesmo que por meio de coisas simples, pois, muitas vezes, isso já basta para fazer o dia de alguém muito melhor.
Eles são bússolas morais atemporais, pois seus valores são imutáveis e imortais. Não à toa, esses dois heróis, com décadas de existência, mantêm-se até hoje entre os maiores nomes do gênero.
E você, qual desses grandes heróis você prefere?
Hulk/Dr. Jekyll


A lenda da Marvel surgiu com base no clássico O Médico e o Monstro, em que um cientista brilhante cria uma poção capaz de dividir as duas partes de um homem, a boa e a ruim, deixando uma delas tomar conta de si por completo, por um determinado período de tempo. Por meio da máscara de Mr. Hyde, o Dr. Jekyll expunha seus próprios podres, o lado de si que tentava esconder: raiva, desejo, sede de sangue, tudo que o homem tem em seu coração, mas luta ao máximo para manter guardado, enfim, sendo expurgado de dentro, sem consequências, sem lembranças.
Com Bruce Banner, as coisas eram semelhantes, ao mesmo tempo que muito diferentes. Desde que foi exposto aos raios gama para salvar a vida de Rick Jones, ele foi condenado a virar o terrível Hulk sempre que sentia raiva ou medo. Ele transformou-se diversas vezes, tornando-se um dos seres mais poderosos da Terra, praticamente invencível, deixando um rastro de destruição por onde passava. Porém, quando voltava a ser Banner, as consequências lhe atingiam. Rick, que havia se tornado seu amigo, lhe temia; sua amada Betty não conseguia se aproximar, pois ele sabia que ela corria perigo ao lado dele. Ao se entregar ao seu lado devastador, Bruce abria mão de tudo que lhe tornava humano.
Ambos os gênios foram vítimas de sua própria natureza, rendendo-se a um ódio irracional, pela incapacidade de conter seus sentimentos. Claro que existem diferenças, já que, muitas vezes, Banner é capaz de controlar sua transformação, usando-a para o bem, enquanto Hyde, devido à própria natureza da transformação, que é de torná-lo um bastião de tudo que havia de mal em Jekyll, é impedido de praticar qualquer tipo de ação altruísta. Um aprende a conviver com o monstro, o outro é engolido por ele.
E você, acha suas histórias parecidas?
