O QUE EU FARIA DIFERENTE EM STAR WARS?
Após promover algumas mudanças no mundo mágico de Harry Potter, nada melhor do que viajar para uma galáxia distante, buscando mudanças para trazer um maior equilíbrio à Força. Afinal, que fã nunca sonhou em ver seu próprio “cânon mental” se tornar realidade? Hoje, vou elencar algumas coisas que eu pessoalmente mudaria no universo de Star Wars, utilizando o Legends como base (já que se fosse o cânon, seria uma edição só para consertar a trilogia sequel). Sem mais delongas, vamos lá!
STAR WARS
Rafael Silva
9/28/20269 min read
O treinamento de Luke


Quem não se lembra da icônica frase de Luke para Yoda e Obi-Wan logo antes de ir para Bespin enfrentar Darth Vader, em Império Contra-Ataca:
“Vou voltar para terminar o que comecei, eu prometo.”
Bom… ele não voltou, pelo menos não dentro de um ano. Skywalker só retorna para Dagobah quando Yoda já está prestes a morrer e só tem tempo de perguntar-lhe se Vader realmente é seu pai, ao que o mestre Jedi confirma.
É lógico que, imediatamente depois de Bespin, Luke, Leia, Lando e Chewbacca empenharam-se para impedir que Boba Fett levasse Han Solo até Jabba, mas falharam, e o contrabandista parece ter passado muito tempo como papel de parede de Lorde do Crime.
Uma invasão massiva das forças rebeldes foi especulada, mas dispensada, pois sabia-se o custo imenso que iria causar. Assim, Luke bolou o plano mais falho da história do cinema, no qual ele mesmo foi capturado três vezes, e por sorte conseguiu escapar.
Se ele não tentou ir até Tatooine de imediato, e nem passou aquele tempo todo bolando um plano, por que não voltou a Dagobah e completou seu treinamento? Os quadrinhos mostram Luke como um autodidata, mas voltar para os ensinamentos de Yoda não seria muito mais simples? Além, é claro, do certo a se fazer após dar sua palavra ao velho mestre?
Obviamente, a vergonha foi a grande barreira entre Luke e a sua promessa. Skywalker havia sido avisado por seus mentores que enfrentar Vader seria um erro. A Nova Esperança perdeu sua mão e se viu humilhada pelo Lorde Sith, confirmando os avisos de seus mestres. Além disso, a dúvida se Vader era ou não seu pai certamente martelava sua cabeça. Para ele, era mais fácil mentir para si mesmo, do que aceitar aquela verdade.
Talvez, confrontar a realidade fosse o grande medo de Luke.
Na minha opinião, deveria ter sido produzida uma série de HQs que mostrasse esse período entre Império Contra-Ataca e Retorno de Jedi, com Luke sendo instruído por Yoda, algo que serviria até mesmo para demonstrar como ele evoluiu o suficiente, para de um filme para o outro, ser capaz de derrotar Darth Vader.
Até mesmo algumas cenas a mais em Retorno de Jedi, poderiam cumprir esse papel (bastava cortar algumas cenas dos ewoks no filme….).
E você, acha que faz sentido?
A morte de Padmé


Sim, a morte da Rainha de Naboo é vital para a queda definitiva de Anakin Skywalker. O peso da culpa de ter matado a pessoa que mais amou em sua vida, enquanto tentava salvá-la, foi justamente o que lhe fez cair de vez no lado sombrio, pois, como Darth Vader, o ódio lhe manteria anestesiado contra esse arrependimento.
Mas, perder a vontade de viver, quando se tem dois filhos recém-nascidos diante de você? Isso não faz sentido com a personagem e soa como uma preguiça de roteiro. A teoria que muitos fãs usam para explicar esse momento, curiosamente, é a solução mais plausível e impactante para ele: Palpatine, indiretamente, a matou.
Sidious sabia que o amor de Skywalker por Padmé e por seus filhos poderia ser um obstáculo para ele em sua imersão nas trevas. Vader iria servir a dois mestres: o amor por sua família e ao seu Imperador, e isso, para Palpatine, não bastava. Aproveitando-se de sua fragilidade momentânea, o Lorde Sith usou o lado sombrio para enfraquecer ainda mais Padmé, matando-a definitivamente.
Sem ela, o ódio toma conta de Vader por completo, e agora, o homem diante dele, por pior que fosse, era a única pessoa que sabia quem ele realmente era, e que em certo grau se importava com ele.
Assim, a morte de Padmé torna-se nada mais que uma ferramenta de Palpatine para controlar a mente de Darth Vader. Pessoalmente, creio que isso fortaleça o peso narrativo dessa morte, tornando-a parte do plano-mestre de Darth Sidious, e dando a ela um pano de fundo muito mais amplo do que simplesmente: cansou de viver. E você, acha que funcionaria?
Não existe equilíbrio na Força


Quando Anakin Skywalker, redimido pelo amor de seu filho, lançou Palpatine no núcleo da Estrela da Morte, matando o último Imperador Sith, ele cumpriu seu destino, trazendo o equilíbrio à Força. Pelo menos, é isso que o roteiro nos faz pensar, porque na prática, todos sabemos que isso nunca aconteceu, nem no cânone, e muito menos, nos Legends.
O Império não caiu com Thrawn, e nem mesmo com a morte da reencarnação de Palpatine em Império Sombrio. Quando enfim foi assinado um acordo de paz entre seus remanescentes e a Nova República, não tardou para que novos conflitos surgissem. As Guerras Yuuzhan Vong, a ascensão de Darth Caedus e o terror de Abeloth mantiveram a galáxia em um estado ininterrupto de conflito, fazendo-nos pensar: o que adiantou o sacrifício de Anakin?
O próprio conceito de equilíbrio na Força é muitíssimo discutível, mas fato é que nem por um segundo a galáxia teve paz, e o lado sombrio sempre esteve presente. Uma boa decisão criativa seria mostrar o mínimo de harmonia na galáxia, pelo menos, por alguns anos. Talvez, após o armistício entre imperiais e republicanos, seria coerente ver a galáxia passar por pelo menos cinquenta anos em paz, com a Nova República, enfim, estabelecendo-se como a força dominante na galáxia.
Isso serviria para valorizar o arco do Escolhido e mostrar que, com sacrifício, mesmo em Guerra nas Estrelas, é possível haver paz.
O Desperdício de Qui Gon Jinn


A morte de Qui Gon pela lâmina rubra de Darth Maul no Palácio de Theed certamente definiu o destino de Anakin Skywalker. Sem um mentor liberal e guiado pela Força ao invés dos dogmas, o Escolhido ficou aos cuidados de Obi Wan, um jovem e talentoso jedi, mas, pragmático demais para treinar alguém que tinha o destino da galáxia em suas mãos.
O personagem vivido por Liam Neeson é talvez o melhor de Ameaça Fantasma (1999), misturando rebeldia em relação ao Conselho Jedi com um conhecimento ímpar em relação à Força.
Matá-lo tão precocemente nos impediu de compreender mais sobre sua visão da Força e desenvolver sua relação com Anakin e Obi-Wan.
É compreensível que, para a Queda de Anakin ser consumada, Qui Gon precisava morrer, e isso não é só uma necessidade narrativa, já que o próprio Darth Sidious, na obra Darth Plagueis, de James Luceno, afirmou que, para chegar a Skywalker, ele precisaria se livrar de Qui Gon.
Todavia, eu o manteria vivo até Ataque dos Clones, levando-o à morte justamente no momento em que Anakin se vê perdido entre seus sentimentos por Padmé e sua mãe, e seus compromissos com a Ordem Jedi. Justamente no momento em que ele mais precisaria de um mentor, ele lhe seria tirado.
Talvez Jinn pudesse ser morto por seu próprio mestre, Conde Dookan, que oficialmente entregou-se ao lado sombrio após a morte de Qui Gon, mas que já se inclinava à ideologia Sith mesmo antes disso. Talvez, ao fracassar em convencer seu antigo aprendiz a segui-lo em sua cruzada, sua ira pudesse levá-lo a atacá-lo, e assim, lançá-lo definitivamente nas trevas.
O treinamento de Anakin passaria para a responsabilidade de Obi-Wan, que agora teria uma missão ainda mais difícil: guiar o Escolhido, sem conhecê-lo muito bem, e enfrentando um verdadeiro turbilhão de emoções. Sem contar que a morte de seu mestre pelas mãos de Dookan tornaria ainda mais plausível sua decisão em matar o Conde de Sereno em Vingança dos Sith.
Qui Gon é, para muitos fãs, o exemplo mais próximo do que seria um Jedi perfeito, e qualquer oportunidade de vê-lo em tela, sem dúvida, teria grande valor, ainda mais, se não comprometesse decisivamente o fluxo narrativo.
A ridicularização do Boba Fett


A primeira aparição do icônico Caçador de Recompensas se deu no saudoso Especial de Natal de Star Wars (1978), onde o vilão é retratado com uma armadura incrível e uma postura realmente badass. Quando ele deu as caras em Império Contra-Ataca, mesmo aparecendo por menos de cinco minutos, suas frases de efeito e aura ameaçadora o tornaram um dos maiores ícones da trilogia clássica.
Em Retorno de Jedi, todos esperavam que ele teria mais destaque, especialmente no confronto contra Luke no Palácio de Jabba. Infelizmente, todos sabemos como isso acaba… Han Solo derrotando-o acidentalmente, atingindo seu jetpack e lançando-o no poço de Sarlacc.
Os fãs médios de Star Wars sabem que esse não foi o fim de Fett, nem nos Legends, nem no Cânone, mas, para quem se limitou apenas aos filmes, imagine o quão anticlimático foi esse final para um vilão que vinha gerando tanta expectativa em torno do seu mistério?
Pessoalmente, creio que Fett deveria não só escapar dos tentáculos do Sarlacc no Mar de Dunas de Tatooine, como também deveria ter presença no confronto final em Endor, talvez trabalhando novamente ao lado do Império, buscando uma vingança pessoal contra Han Solo, enfim, lhe dando a oportunidade de brilhar.
No confronto decisivo, ele seria definitivamente derrotado por Solo, não como uma piada de mau gosto, e sim, como um clássico duelo de velho-oeste entre dois pistoleiros. É claro, a derrota vergonhosa de Fett tem seu valor, uma vez que se tornou um dos maiores memes de toda a lore de Star Wars, mas que inegavelmente ceifou muito do potencial do herdeiro de Jango Fett.
A Segunda Estrela da Morte


Estrela da Morte II, Base Starkiller, Devastadores de Mundos, o Olho de Palpatine, qual a tara do Império e seus derivados em destruir planetas? As várias estações bélicas de porte planetário, que sempre são destruídas pelos mocinhos, são também um dos grandes memes de Star Wars.
O conceito em si é fantástico, com a destruição da superarma imperial em Uma Nova Esperança, tornando-se o equivalente ao antes/depois de Cristo em Star Wars, com a contagem do tempo sendo feita antes e depois da Batalha de Yavin.
No entanto, não tem nada tão bom que não possa saturar, e logo em Retorno de Jedi, a construção de uma réplica ainda maior da primeira estação bélica já parecia não fazer sentido.
Além de repetir a mesma ameaça, existe sempre aquele questionamento: como Palpatine pode ser tão burro a ponto de cometer o mesmo erro duas vezes? Se na primeira vez a única forma de destruir a estação era acertando um tiro quase impossível, agora, seria possível que uma nave do tamanho da Millennium Falcon simplesmente passasse por entre suas paredes e a destruísse… simplesmente brilhante!
Ao meu ver, haveria um cenário muito mais interessante para servir de palco para o confronto derradeiro entre Aliança Rebelde e Império Galáctico: o centro de Coruscant, diante do Palácio Imperial.
Palpatine poderia armar uma emboscada, deixando vazar propositalmente uma suposta fragilidade em suas defesas, talvez em meio a um grande desfile imperial, fazendo com que os rebeldes vissem aquele momento como a chance de ouro de destruir o Imperador, acabando com seu mito diante do coração da galáxia.
Para Luke e Vader, essa mudança de ares seria ainda mais simbólica. Foi em Coruscant, onde Anakin Skywalker decepou a mão de Mace Windu, salvando Palpatine da morte certa, e logo em seguida, ajoelhou-se perante aquilo que jurou destruir e recebeu dele o nome que o amaldiçoaria pelo resto da vida: Darth Vader.
Duelar com seu filho, justamente no local onde ele mesmo caiu, seria um ganho narrativo imenso. Para Luke, seria a oportunidade de buscar as raízes de seu pai e reviver a Ordem Jedi, no mesmo local em que ela morreu.
O duelo que decidiria o destino da galáxia seria travado diante do povo de seu planeta mais populoso, não em torno de uma lua de metal perdida no espaço.
Vader lançaria Palpatine pela mesma janela por onde Mace Windu caiu em Vingança dos Sith, e morreria, no mesmo local onde havia matado Anakin Skywalker 24 anos antes.
A rebelião arrancaria o coração do Império, em uma vitória muito mais grandiosa e épica. Claro, isso exigiria que George Lucas e sua equipe pensassem em conceitos vistos décadas depois, mas, que com o passar dos filmes, se conectam de maneira sublime. Além de, obviamente, diversificarem a aventura, desprendendo-a do velho conceito de Estrela da Morte I, II, III e tantas outras réplicas.
E você, mudaria alguma coisa em Star Wars, ou para você, tudo funciona perfeitamente? Não deixe de comentar!
