Momentos em que Hogwarts deveria ter sido fechada.
"Gringotes é o lugar mais seguro do mundo para qualquer coisa que você queira manter em segurança — exceto talvez Hogwarts", no momento em que Hagrid disse isso a Harry, no momento em que chegavam a Gringotes (conhecido por ser o banco mais seguro do mundo mágico), com certeza muita gente pensou: a segurança dessa escola deve ser impecável, os alunos devem ser praticamente intocáveis lá dentro. E essa expectativa não é injustificada. Além da confiança do Guarda-Caça na inviolabilidade da escola, ele ainda fez questão de reforçar o quão poderoso e sábio era o seu diretor: Alvo Dumbledore. Se o maior bruxo de todos os tempos comanda Hogwarts, é mais um motivo para ela estar totalmente segura, não é mesmo? Não é bem por aí. Talvez, durante os sete anos em que Harry, Rony e Hermione andaram por seus corredores, ela fosse o lugar mais perigoso do mundo bruxo para se viver, com ameaças que iam desde Basiliscos monstruosos rastejando pela tubulação até a presença do próprio Lorde das Trevas, Voldemort. Mas será que somente na época de Harry a escola se tornou tão perigosa? Será que ele é realmente tão azarado assim? Que Potter e seus amigos são um para-raios de problemas, disso ninguém tem dúvida, mas Hogwarts poderia ter sido fechada muitas, mas muitas vezes, séculos antes de qualquer um dos três sequer existir. Sem mais delongas, vamos conhecer os principais momentos em que essa escola, que teria nota 1 no MEC, deveria ter fechado suas portas.
HARRY POTTER
Rafael Silva
8/17/20266 min read


Os Castigos na Floresta Proibida
Em Pedra Filosofal, Harry, Rony e Draco são obrigados a adentrar na Floresta Proibida após serem pegos fora da cama, e, guiados por Hagrid e seu nada valente cão, Canino, eles desbravam um dos lugares mais horripilantes da Grã-Bretanha mágica.
Por mais que o meio-gigante tivesse ótimas relações com praticamente todas as criaturas mágicas ali viventes, levar um trio de garotos de 11 anos para patrulhá-la era uma imensa irresponsabilidade.
Só para se ter noção, vamos a um breve resumo dos tipos de seres que compõem a fauna da floresta:
Acromântulas: aranhas enormes com desejo por carne humana.
Centauros: não são naturally agressivos, mas reagem mal a qualquer intervenção humana em seus territórios.
Tragos e trolls: criaturas monstruosas e extremamente agressivas, habitando geralmente as regiões mais pantanosas.
Claro, nem só de monstros se faz a Floresta Proibida, com seres como os puríssimos Unicórnios vagando por entre suas matas. Mas, adivinhe o corpo de qual animal Harry viu em pedaços em uma clareira, tendo seu sangue drenado por um misterioso ser encapuzado? Exatamente.
Posteriormente, descobriram que essa figura era nada mais, nada menos, que o próprio Voldemort, sob posse do corpo de Quirrell, usando-se dele para beber o sangue revigorante da pobre criatura que ceifou. Se não fosse por Firenze, que, agindo contra a vontade de seu povo, se pôs entre Voldemort e Harry no último segundo, Harry Potter terminaria logo no primeiro livro, e de forma bem anticlimática.
Então, além de pôr crianças em meio a criaturas extremamente perigosas, o regulamento de Hogwarts simplesmente entregou Potter nas mãos de Voldemort, só não tendo morrido por uma sorte do destino (destino = roteiro).
Surpreendentemente, tamanho descaso definitivamente não é algo novo em Hogwarts, como o amargo zelador Argus Filch lamentou dizer naquela mesma noite.
No passado, Hogwarts utilizava-se de métodos um tanto quanto exóticos para fazer com que seus estudantes andassem na linha: chibatadas e açoitadas, dias amarrados às paredes das masmorras úmidas de seu subsolo, e até mesmo horas suspensos de ponta-cabeça por correntes. Pensando bem, uma caminhada noturna na floresta talvez nem seja tão ruim.
Obviamente, tais métodos medievais de tortura foram abandonados como ferramenta disciplinar com o passar dos séculos, mas alguns absurdos, como detenções ao ar livre no meio de monstros, ainda persistem. Torturar alunos e expô-los a risco de morte como código de conduta certamente já é um ótimo motivo para se fechar.
O Basilisco
Aqui Dumbledore chutou o balde de vez. No ano anterior, ele transformou sua escola em um cofre para a Pedra Filosofal, que pertencia a um amigo pessoal, atraindo Voldemort para roubá-la e colocando em risco a vida de todos no castelo. Em Câmara Secreta, ele decidiu manter a escola funcionando, mesmo com uma cobra mortal e colossal vagando por suas paredes e ameaçando matar todos os nascidos trouxas presentes.
Isso sim que é estudar sob pressão.
Desde que o Basilisco foi deixado na Câmara por Salazar Sonserina, nenhum dos diretores de Hogwarts em mil anos foi capaz de encontrá-lo, considerando-o como nada mais que uma lenda. Só por aí já notamos que Hogwarts teve direções muito competentes ao longo de um milênio.
Quando Tom Riddle usou o Basilisco para matar a Murta Que Geme durante a primeira abertura da Câmara, ficou claro que a fera lendária era muitíssimo real, mas, como em tantas vezes, o diretor Armando Dippet preferiu negar a verdade, novamente sem encontrar qualquer entrada para a dita Câmara.
Isso mesmo: uma adolescente morreu, ninguém foi preso ou culpabilizado, e, graças a uma artimanha de Riddle, o inocente Hagrid quase foi preso pelo crime, mesmo sem culpa alguma.
Em sua segunda tentativa, Riddle apossou-se da mente da jovem Gina Weasley e quase fez três vítimas fatais: a gata de Filch, Madame Norra, o jovem Colin Creevey e Hermione Granger. Todos petrificados, só não mortos por terem fitado o olhar fatal da criatura por meio de um reflexo, seja de uma poça de água, de um espelho ou até mesmo pela lente de uma câmera. Dois alunos em risco iminente de morte, suspeitas rondando outros como Harry e até mesmo Draco. Como uma escola pode funcionar sob tamanho caos?
Dumbledore chegou a ser afastado por ordem dos Conselheiros de Hogwarts, que, na realidade, não eram nada mais que puxa-sacos de Lúcio Malfoy, que há anos salivava para tirar o velho que tanto odiava do comando da escola.
No entanto, por mais que todos saibamos das verdadeiras intenções de Malfoy, é inegável que a gestão de Dumbledore foi simplesmente péssima nessa crise. Permitiu que centenas de crianças permanecessem em perigo, pouco fez para localizar o dito monstro e fez com que Hogwarts ficasse perigosamente perto de conhecer seu fim.
Mais uma vez, seu cargo foi salvo por Harry, que resgatou Gina das garras de Riddle e matou seu bichinho de estimação. Com doze anos, Potter já parecia ter feito mais por Hogwarts do que seu diretor.
Sirius Black e os Dementadores
Um, dois, três, pela terceira vez seguida em Harry Potter, a segurança de Hogwarts foi testada e, mais uma vez, ela mostrou-se tão útil quanto um portão guardando uma casa sem muro.
Com a fuga do suposto assassino Sirius Black, a comunidade mágica ficou em alerta máximo, e todos sabiam que Harry Potter seria um alvo provável para o assassino. Mais uma vez, Potter sendo um verdadeiro ímã de positividade.
Os Dementadores, criaturas naturalmente malignas e desalmadas que podem muito bem atacar qualquer um (bandido ou inocente) no momento em que tiverem fome, foram colocados aos montes em torno da escola e do vilarejo de Hogsmeade, representando por vezes um risco maior que o próprio Sirius.
Black entrou e saiu de Hogwarts várias vezes, utilizando-se das passagens não mapeadas usadas pelos Marotos, mostrando que, se ele de fato quisesse matar Harry, ele teria conseguido fazê-lo sem qualquer dificuldade.
A partir de Cálice de Fogo, entende-se que Dumbledore permitiu que Harry corresse perigos, como disputar o Torneio Tribruxo, por saber que isso seria fundamental para seu grande plano contra Voldemort. Não era mais descaso, era planejamento, frio e imoral, que possivelmente terminaria com a morte do garoto, mas que daria fim ao Lorde das Trevas. No entanto, as imbecilidades que ele cometeu nos três capítulos anteriores ainda continuam inexplicáveis.
Outro aspecto que serve como munição aos haters de Dumbledore são as suas escolhas para o cargo de Professor de Defesa Contra as Artes das Trevas. Vejamos:
Gilderoy Lockhart: um idiota farsante, incapaz de ensinar qualquer aluno. Muitos teorizam que Dumbledore o contratou para expô-lo, mas era mesmo necessário fazer seus alunos perderem um ano inteiro tendo aula com um imbecil para desmascará-lo? Não era mais fácil denunciar o LinkedIn dele?
Quirinus Quirrell: Mesmo sendo um covarde, Quirrell inicialmente não estava possuído por Voldemort e conseguiu esconder bem a sua condição. Ele era um perigo, mas Alvo não poderia prevê-lo tão facilmente.
Remo Lupin: um ótimo professor, mas que sabidamente causaria problemas pela sua licantropia. Por mais que tenha sido um grande mentor para Harry, Dumbledore não foi lá muito ético ao contratá-lo para um cargo sabidamente amaldiçoado, e que historicamente destruiu a vida de todo mundo que ousou assumi-lo. Vale lembrar que ele morreu, Lockhart ficou louco…
Bartô Crouch Jr. / Alastor Moody: Não tem nem muito o que dizer, ele simplesmente contratou um Comensal da Morte disfarçado para dar aula.
Falhas recorrentes na segurança e um corpo docente moralmente e tecnicamente questionável… A lista é longa.
Todavia, por mais que Dumbledore seja o rei das escolhas questionáveis, ele certamente não é o único.
Os próprios fundadores de Hogwarts foram extremamente problemáticos. Salazar Sonserina, ao brigar com os outros três fundadores, simplesmente deixou um monstro no subsolo do castelo e foi embora, tornando-se o símbolo de movimentos puro-sangue e preconceituosos em toda a comunidade mágica.
Outros, como Nigellus Black, proibiram o Quadribol por um ano inteiro devido a um acidente bobo, mas mantiveram-se de braços cruzados enquanto uma rebelião de duendes devastava Hogsmeade bem debaixo do seu nariz, e alunos aprendiam e utilizavam maldições imperdoáveis dentro do castelo.
Ontem, hoje e sempre, Hogwarts mostrou-se um local completamente inseguro, seja por suas falhas ou até mesmo pelo cumprimento de regras que simplesmente não fazem sentido. Mesmo se tratando de um mundo mágico, é óbvio que a “fortaleza impenetrável” que Hagrid nos descreveu nos primeiros minutos de Pedra Filosofal nunca foi real. Hogwarts, desde sempre, foi palco das maiores mudanças do mundo mágico, e diretores, professores, alunos, qualquer um dentro de seus domínios, querendo ou não, seria parte dessas mudanças. Uma escola que serve como coração de toda uma sociedade pode ser tudo, menos segura e equilibrada.
E você, acha que se sentiria seguro em Hogwarts? O que os diretores poderiam ter feito para torná-la melhor? Não deixe de comentar!
