Crítica: Maul: Lorde das Sombras
Antes tarde do que nunca, vamos trazer nossa opinião sobre a mais nova série do Disney Plus no universo de Star Wars, trazendo de volta, e dessa vez como protagonista, um dos vilões mais amados e injustiçados da saga, que finalmente alcançou seu tão merecido protagonismo. Mas, será que a série é tão boa quanto o hype das redes sociais faz parecer? Ou será que é só mais uma das produções extremamente duvidosas da era Disney? É isso que vamos descobrir!
STAR WARS
Rafael Silva
5/17/20265 min read
Ambientada aproximadamente um ano após Vingança dos Sith (2005), a série mostra o início do domínio imperial na galáxia, e como Darth Maul e a sombra coletiva lutam para sobreviver nessa nova galáxia. Enquanto inicia sua vingança pessoal contra os lordes do submundo que o traíram durante as Guerras Clônicas, como os Pikes, com a ajuda forçada de Looti Vario, Maul conhece a jovem Devon, uma jedi sobrevivente que vive junto a seu mestre Mestre Eeko-Dio Daki em Jamix.
A Vingança como principio e fim
O Zabrak vê na garota uma potencial aprendiz, que lhe permitirá não apenas reconquistar seu lugar no submundo do crime, como também, consumar sua vingança contra o homem que mais odeia em toda a galáxia: Darth Sidious.
A série acerta em mostrar como, por mais que Maul seja extremamente inteligente para construir seu Império criminoso e escapar inúmeras vezes das garras da República e do Império, sua sede insaciável por vingança é e sempre será sua maior fraqueza. Ele arrisca a estabilidade de sua gangue em nome da conversão de uma jovem que nem ao menos conhece o verdadeiro potencial, agarrando-se em uma esperança de finalmente obter a vingança que tem sido o combustível de sua vida desde que foi dividido em dois em Naboo.
A dinâmica entre Daki e Devon é um tanto repetitiva: aprendiz instável e desesperançosa em relação ao futuro da galáxia, e um mestre confiante na Força, mas ainda preso demais aos valores Jedi para adaptar-se ao que a nova realidade pede. Ainda sim, a dupla funciona, e a relação de Devon com Maul após a captura da jovem pelo Lorde Sith, mostra de maneira consistente os dilemas da personagem. Ela não confia no Sith, mas ao mesmo tempo, vê nele a única esperança de mudar o mundo a sua volta. De certa forma, seus destinos e interesses parecem se conectar.
O Lado Humano
Além disso, temos os Lawson, o núcleo humano da série. Brander (interpretado pelo brasileiro Wagner Moura) e Rylee Lawson trazem uma relação conturbada entre pai e filho, que relaciona-se intimamente com a ascensão do Império Galáctico.
Como delegado de Jamix, Brander deseja manter a lei do planeta sob seu controle, e não entregá-la nas mãos da tirania imperial, da qual sua ex-mulher já se tornou parte, deixando-os em nome de uma vida melhor no novo regime.
Um pai ocupado e distante, se vê obrigado a desconstruir o a falsa ideia que seu filho criou sobre o Império, e nesse momento de compaixão, acabou colocando sua família em meio ao conflito galáctico.
É através deles, que conhecemos o droide alívio cômico indispensável em qualquer produção de Star Wars: Duas Botas. O personagem serve não só para arrancar risadas, como também, para reforçar a independência e o “emocional” dessas máquinas, que por vezes, agem por conta própria para fazer o que julga ser o melhor para seus mestres.
É um núcleo funcional e que integra-se bem ao todo da narrativa, apesar de uma conclusão um tanto apressada.
Os Duelos
Os dois inquisidores presentes na série: Marrok e o Oitavo Irmão, rendem ótimas cenas de ação, mas que ao meu ver, acabam se tornando excessivas. Desde sua entrada na série a partir da metade, os incontáveis duelos acabam tornando-se repetitivos e um tanto sem impacto, o que enfraquece o duelo tão aguardado contra Darth Vader no décimo e último capítulo.
Tantos embates em dez episódios de pouco mais de 20 minutos, tiram tempo que poderia ser dedicado ao melhor desenvolvimento de certos núcleos que mantiveram-se em segundo plano. Por exemplo: como Rook Cast e os outros mandalorianos e zabraks veem sua lealdade a Darth Maul ruir diante das decisões cada vez mais imprudentes dele? Isso é mostrado, mas poderia ser muitíssimo melhor trabalhado, de forma a demonstrar como o ódio interminável do Sith, de maneira cíclica, destrói todo e qualquer plano que ele construa.
Todavia, não podemos deixar de ressaltar a qualidade da coreografia desses duelos, trazendo de volta o estilo técnico e acrobático das prequels, e abandonando os confrontos desajeitados e sem sal que tanto enojaram os fãs nas sequels. A qualidade da animação também deve ser exaltada. Por mais que beba diretamente da fonte da última temporada de Clone Wars, é inegável que houve um cuidado para tornar o visual da série único. O traço mais fino dos sabres de luz, assemelhando-se ao utilizado em Star Wars: Rebels e o tom mais cartoonesco do desenho em certos momentos, gravam o visual em nossa memória.
E é claro, não poderíamos deixar de falar da presença ilustre de Darth Vader, “farmando aura” no último episódio. Não é preciso dizer que o duelo do Lorde Sith contra dois jedi e Darth Maul elimina completamente qualquer debate sobre qual dos dois aprendizes de Sidious foi mais poderoso. Vader rouba a cena com um nível de poder muito acima dos outros sensitivos presentes, uma presença intimidadora, que finalmente encerrou a dúvida que os fãs tinham desde Ameaça Fantasma (1999).
Muitos fãs reclamaram da falta de diálogos na cena, algo que também me desagradou, mas, compreendo o contexto. Vader ainda estava em início de carreira, o que explica como todos ali nem sequer sabiam seu nome, muito menos que um dia ele havia sido Anakin Skywalker.
O Punho do Imperador, por sua vez, certamente lembrava-se de Maul, mas talvez, para evitar qualquer tipo de lembrança que remetesse ao seu passado, preferiu focar unicamente em seu objetivo: destruí-lo.
Obviamente, isso é um desperdício narrativo. Ambos foram peões nas mãos de Palpatine, e Maul obviamente poderia usar isso para atingir o psicológico de Vader, gerando um momento poderoso de reflexão, e principalmente, de espelhamento entre ambos os vilões. Dois jovens que amarraram seus destinos a Palpatine, sonhando com poder e glória, mas que no final, transformaram-se em nada mais que servos dispensáveis. Infelizmente, a cronologia escolhida por Dave Filoni não permitiu tal desenvolvimento.
A conexão entre Maul e o lorde do crime Dryden Vos no final da série, faz a ponte entre o seriado e a aparição do Sith em Solo: Uma História Star Wars (2018), mostrando como o velho Zabrak conseguiu manter-se relevante no submundo galáctico, mesmo durante o reinado do Império.
Com a morte de Daki pelas mãos de Vader e queda de Devon para o lado sombrio, fica mais do que óbvio que teremos uma segunda temporada, especialmente com a excelente recepção da série, que já ultrapassa 98% no Rotten Tomatoes e 8,6 no IMDB.
Por fim, estamos diante de uma ótima série, dinâmica, divertida e importante para a construção do cânone da Disney. Possui falhas, mas nada que realmente comprometa o produto final. Minha nota para Maul: Lorde das Sombras é um 9.
E você, já assistiu à série? O que achou? Não deixe de comentar!


