Batman, Superman e Homem-Aranha: A Trindade do Terror Analógico

Sempre que pensamos nos grandes super-heróis dos quadrinhos, imaginamos heróis bondosos, virtuosos e majestosos, que nos dão motivos para olhar para cima com esperança. Porém, o que aconteceria se, ao invés de justiça, apenas a morte descesse dos céus? E se quem antes deveria representar os melhores valores da humanidade se tornasse a encarnação do mal? É claro, já vimos várias e várias versões malignas de heróis: Batman Que Ri, o Superman de Injustice e o Homem-Aranha Zumbi, entre vários outros. Todavia, essa intrigante possibilidade se torna ainda mais horripilante quando é concebida por fãs, de maneira simples e imersiva, no bom e velho estilo de terror analógico, os saudosos analog horror que dominam o TikTok desde 2020, graças ao sucesso estrondoso de clássicos do gênero como The Mandela Catalogue, de Alex Kister. E é óbvio que os grandes heróis de DC/Marvel não iriam ficar de fora de uma boa trend, nos trazendo alguns enredos realmente fantásticos. Então, sem mais delongas, vamos descobrir o que acontece quando o herói se torna o vilão!

MARVEL E DCTERROR

Rafael Silva

8/11/202613 min read

Batman: Gotham's Avenging Bat

Criador: 0BlIVI0N

Contada inteiramente por meio de fitas de áudio e vídeo, a trama começa em 1959, quando o Asilo Arkham é invadido por uma sinistra criatura vestida de morcego. O ser alto e esguio esgueirava-se pelos corredores, como um fantasma pelas sombras, indo vagarosamente até a ala de segurança máxima da Casa da Loucura, onde o primeiro passo de sua missão foi dado. Naquela noite, o Asilo Arkham viveu um verdadeiro massacre. Hera-Venenosa, Crocodilo, Morcego-Humano e vários outros internos foram mortos brutalmente por aquele ser das trevas, que deixou somente um interno vivo, o mais insano e cruel entre todos eles: o Coringa. Será que o Batman não queria matar seu maior ganha-pão logo de cara? Ou tinha outro motivo? Em breve você saberá…

Para o povo de Gotham, estava claro que aquele ser só poderia ser o Batman, mas, ao mesmo tempo, era impossível que aquela criatura fosse o Cavaleiro das Trevas. Como ele poderia abrir mão de sua maior regra? Como poderia abrir mão do homem para lançar-se completamente nos braços do monstro? Porque o único fio que o conectava à humanidade havia se rompido: Alfred.

Desde a morte de seus pais, duas décadas antes, Bruce havia decidido que traria justiça a Gotham, que honraria o legado deles, garantindo que ninguém nunca mais passasse por essa mesma dor, e que cada um dos criminosos pensasse duas vezes antes de pôr os pés na rua quando o sol se pusesse. Todavia, essa sede de vingança tornou-se excessiva e, por pouco, não tomou por completo a sua mente. Isso só não aconteceu graças a Alfred, graças à única lembrança que Wayne ainda tinha dos dias em que sua vida era normal. Sem ele, o pouco de Bruce Wayne que ainda restava finalmente se foi, consumido pelo Batman, que, sem sua bússola moral, faria absolutamente qualquer coisa para que a sua “justiça” fosse consumada.

A violência por trás das mortes dos internos e a marca sangrenta do morcego deixada em seus corpos deixavam claro: não era por justiça, e talvez nem mesmo por vingança, era pura e simples loucura. A partir daquela noite, o emblema cravado em seu peito não significaria esperança, muito menos justiça; era um presságio de morte. Não apenas para os criminosos, mas para qualquer um que ameaçasse a ordem na “sua” cidade.

Os três anos seguintes foram marcados por desaparecimentos bizarros e ataques recorrentes do Cavaleiro das Trevas, que obrigou o DPGC a criar um protocolo de emergência para os cidadãos, desde cuidados especiais com crianças até um toque de recolher sistemático. Andar à noite era como dançar com a morte, pois, em cada beco, cada viela, cada sombra, o Morcego está lhe observando.

O medo deixou de ser um meio para se tornar o fim. Cada passo, cada palavra, cada respirar estava sob seu julgo, e o pavor absoluto manteria cada alma de Gotham na linha. Por mais que ainda fosse “só um humano”, a extensão de seu mito o fazia presente em qualquer lugar onde os olhos não pudessem ver.

Entre os desaparecidos, temos alguns nomes peculiares: Dick Grayson (Robin/Asa Noturna), Jason Todd (Segundo Robin/Capuz Vermelho), Barbara Gordon (Batgirl/Oráculo) e Stephanie Brown (Robin/Batgirl). Todos os adolescentes que, de alguma forma, partilhavam do mesmo trauma de Bruce.

Tim Drake, um jovem e prodigioso investigador adolescente, obtém uma fita de áudio que contém a confissão de Bruce Wayne: ele era o Batman (conveniência de roteiro aqui é fortíssima, mas ok), o culpado pelo terror que a cidade vivia. Sabendo disso, Drake foi até a Mansão de Wayne, mas a encontrou em chamas. O legado dos Wayne, a última lembrança de seu passado humano, desfeito pelas chamas.

Ao chegar à Batcaverna, Tim encontra os jovens, junto a vários uniformes, armas e anotações sobre o composto que Batman vinha usando neles e em si mesmo: Venom (a mesma droga usada por Bane para ficar bombado). Era por isso que a forma física do Batman havia mudado tanto. Não era apenas a sua mente que havia mudado, era também o seu corpo. Para cumprir sua missão, ele precisava se transformar literalmente em uma criatura.

Obviamente, Tim é capturado pelo Morcego e se torna mais um membro da Bat Família, nem um pouco unida e ouriçada. Lá, ele descobre que nomes que vão desde Selina Kyle até Azrael estavam na lista do Batman, e compreende a extensão de seu plano.

Jason Todd e Dick Grayson, por exemplo, foram capturados pelo fato de possuírem traumas iguais aos de Bruce. Se originalmente o Cruzado Encapuzado lhe fez seus pupilos justamente para protegê-los da criminalidade e direcionar seu ódio para um bom fim (somada a uma dose cavalar de irresponsabilidade e pôr uma criança para lutar contra assassinos como o Coringa). Aqui, Batman os drogava e forçava para que se tornassem monstros assim como ele.

Desde então, o Batman simplesmente desapareceu, deixando Gotham à mercê dos criminosos, que a transformaram em um verdadeiro inferno, com o Coringa assumindo o trono. O motivo de Batman tê-lo deixado vivo veio à tona: ele era o assassino de seus pais, e por isso, matá-lo não bastava. O Cavaleiro das Trevas o manteve vivo naquela fatídica noite, para inundar sua mente de um sentimento que ele julgava ter superado: o mais absoluto pavor. Ele o visitou outras vezes, jamais tocando-lhe, apenas o observando, aterrorizando-o sutilmente.

A trama, dividida em 9 breves capítulos, é simplesmente brilhante ao mostrar o quão tênue é a linha que separa Batman de seus maiores inimigos. Bastou que Alfred, seu melhor amigo e mentor, se fosse, para que Bruce perdesse completamente a sanidade, abandonasse sua missão, sua moral, a promessa que fez no túmulo de seus pais, e agisse guiado somente pela vingança, fazendo uma cidade inteira prisioneira, apenas para saciar essa obsessão.

A Lore é muito bem explorada, com cenários e personagens centrais na história do Cavaleiro das Trevas, além de visuais horripilantes e, ao mesmo tempo, simples, que, somados ao filtro clássico e à trilha sonora tensa, constroem uma atmosfera imersiva e assustadora.

Talvez a proposta funcione tão bem por um simples motivo: o Batman foi feito para dar medo, afinal, essa é sua maior arma. Nós, fãs, não o tememos, pois sabemos quem está por trás da máscara e, acima de tudo, sabemos sua índole. Mas, e se não tivéssemos o roteiro embaixo do braço? E se, em uma noite qualquer, vislumbrássemos uma criatura meio homem, meio morcego, parada a poucos metros de nós, em silêncio absoluto, iluminada minimamente pela luz de um poste quase se apagando? Mesmo não sendo criminoso, você ia mesmo ficar de boa com essa coisa na sua frente? Agora, imagine o Batman sem nenhum filtro, punindo não em decorrência do crime, mas pela necessidade de suprir sua própria loucura? Acredite: seria melhor enfrentar o Hulk do que esse cara.

Porém, por incrível que pareça, nem só de Batman vivem os Analog Horror de Super-Heróis…

Superman: SUPERMAN ANALOG HORROR

Criador: Siltrics

Esse Superman deixa até o Capitão Pátria no chinelo! Como parte do mesmo universo do analog horror do Batman, a história se inicia em 1938, quando o Homem de Aço faz a sua primeira aparição em Metrópolis, salvando pessoas, combatendo o crime e inspirando a população. Ali nasceu o primeiro super-herói da história. Todos os capítulos são narrados por Lex Luthor e complementados por anúncios do governo dos EUA.

O jovem Escoteiro Azul lutou ao lado dos Aliados na Segunda Guerra Mundial, sendo decisivo na derrota do Eixo e consagrando-se como o símbolo máximo da luta pela paz, justiça e liberdade. Bastava olhar para os céus e lá encontrava-se esperança.

Essa aura messiânica fez com que o herói se transformasse no deus de uma nova religião, que o via como o salvador da humanidade. Curiosamente, isso já aconteceu nos quadrinhos, e nessa minissérie, os fanáticos do Superman agem de maneira extremamente violenta com os que se opõem à sua fé, contrariando completamente os valores pregados pelo herói.

Por vinte anos, o Homem do Amanhã foi o guardião da humanidade, até que, em 1962, ele simplesmente desapareceu. Seus seguidores, no entanto, jamais desistiram de procurá-lo, tendo certeza de que, quando ele voltasse, iria assumir seu lugar de direito: governar toda a humanidade.

Em 1967, ele retornou, pairando sobre o centro de Metrópolis com seus olhos fumegando com sua visão de calor, antes de disparar em direção ao prédio da LexCorp, onde deu fim a seu arqui-inimigo: Lex Luthor.

Luthor, pela primeira vez, mostrou estar certo a respeito do Superman: ele não veio para salvar a Terra, veio para conquistá-la. Antes de matá-lo, o Homem de Aço diz: "Eu vou dominar esse mundo para livrá-lo para sempre de pessoas como você."

Ele elimina Lex e destrói seu prédio diante de milhares de civis perplexos. Porém, o pavor se transforma em adoração assim que o Escoteiro Azul surge no horizonte. Dali em diante, seus seguidores passaram a agir com menos frequência, assim como ele próprio.

A morte do magnata impactou a sociedade, mas tanto o Superman quanto a recém-fundada Liga da Justiça seguiram ativos. Porém, havia algo de estranho com os olhos do Homem de Aço, que permaneciam sempre censurados, como se fosse proibido fitá-los. Definitivamente havia algo de errado com o Superman.

Na fita seguinte, por razões misteriosas, o governo dos EUA passou a proibir terminantemente quaisquer atos de vigilantismo, assim como qualquer comercialização, adoração ou ação envolvendo o Homem de Aço. Por um instante, a humanidade achou que ainda poderia deter o monstro que havia coroado. Eles só não sabiam que seu trono seria os escombros da cidade que um dia defendeu. O mundo que o acolheu agora iria servi-lo.

Os EUA caem sob o controle da Liga da Justiça, que, por vontade do próprio Superman, não deve obedecer a mais ninguém além deles mesmos.

Apesar de não ser tão psicológico e complexo quanto o do Batman, o analog horror do Superman tem dois grandes méritos: mostrar o quanto a admiração obsessiva pelo herói levou a humanidade à ruína, e expandir o universo, mostrando a Liga da Justiça em sua formação clássica da animação de 1967.

A questão é: o que exatamente aconteceu com o Superman? Por que ele enlouqueceu?

Existem aqueles que dizem que sua queda está diretamente relacionada com seu culto, seja de forma paranormal, seja de forma psicológica, com o herói de fato se convencendo de que é um deus. É plausível, mas um tanto incoerente com o que conhecemos do Superman.

Pessoalmente, creio que o Homem de Aço poderia ter sofrido uma lavagem cerebral de um vilão como Darkseid, como já aconteceu na clássica série animada do herói em 2000 no arco final, em que o Tirano de Apokolips o transforma em seu servo e o usa para dominar a Terra. O mesmo poderia ter sido feito com os outros membros da Liga.

Todavia, existe um vilão icônico por ser o primeiro a enfrentar a Liga da Justiça em sua primeira aventura nas HQs, e que possui poderes de controle mental: Starro, o Conquistador, ou a famosa “estrela do mar com olho enorme”.

Seurs poderes possuem uma natureza única: ele muda a cor da pupila daqueles sob seu controle. E quem estava com os olhos censurados ao longo do vídeo? E por que o Flash e o Batman estão com os olhos brancos? Exatamente: é possível que estejam possuídos por Starro, que tem como único objetivo drenar toda a vida da Terra, e que forma melhor de conseguir isso do que fazer com que seus próprios defensores a entreguem de bandeja para ele?

Teorias à parte, a ambiguidade do final se torna um trunfo, por possibilitar teorias infinitas, além de questionamentos sobre o maior dos super-heróis.

Mas, saindo da DC, vamos concluir essa viagem na casa da concorrência!

Homem-Aranha: The Spider

Criador: Just Preston

O mais trágico dos três. A trama começa em 1962, o mesmo ano em que Peter Parker nasceu nas páginas da Amazing Fantasy, tornando-se o Homem-Aranha logo após ser picado por uma aranha radioativa em uma exposição do colégio.

Mas, e se, ao invés de obter a capacidade de disparar teias, erguer objetos com centenas de vezes o seu peso e escalar paredes usando somente suas mãos, Peter literalmente se transformasse gradualmente em uma aranha?

A trama de quinze episódios, narrada por Harry Osborn, aborda do início ao fim a metamorfose de Peter. Seus poderes vieram junto a terríveis deformidades, começando pela queda de seus dentes e cabelo.

Parker ficava cada vez mais irritadiço, descontrolado, e, quando seu Tio Ben foi morto, uma chave foi virada. Se originalmente foi essa morte que fez com que Peter passasse a devotar sua vida ao combate ao crime, aqui foi a perda de seu tio que o transformou em uma fera.

Na mesma noite, a Aranha fez sua primeira vítima, prendendo o assassino em um casulo e drenando-o até que só restassem seus ossos, assim como as aranhas se alimentam. Nos meses seguintes, os criminosos de Nova York continuaram sendo massacrados. O Abutre chegou a ter suas asas arrancadas em pleno voo, morrendo de maneira brutal.

J. Jonah Jameson o chamou de ameaça pública e, pela primeira vez, ele de fato estava certo.

Harry e Gwen Stacy sabiam bem o que havia acontecido a seu amigo e se recusaram a deixá-lo, conseguindo prendê-lo nas instalações da Oscorp para estudá-lo e, se possível, curá-lo. Até mesmo Otto Octavius foi chamado para ajudá-los, mas pouca coisa mudou.

Nove anos se passaram, e a única coisa que puderam fazer foi observar enquanto seu amigo desaparecia diante de seus olhos, deixando apenas um animal faminto em seu lugar. Ele ficava cada vez mais magro e alto; suas costas eram rasgadas por oito braços, e sua coluna envergava-se da mesma maneira que a de uma aranha. A questão é: será que as teias dele saem por um outro lugar, como acontece de fato com as aranhas? Seria o sonho de muitos fãs…

Gwen tentou ao máximo explorar seu lado humano, lembrando-lhe do tempo em que estudavam juntos, dos bons momentos que viveram. Ela precisava que o homem vencesse a Aranha. Mas, quando Peter matou um dos cientistas que tentava alimentá-lo diante de toda a equipe, ficou claro que não havia mais solução. Eles precisavam mantê-lo lá para sempre.

Para além do laboratório, Nova York vivia o caos absoluto. O Rei do Crime tornou-se prefeito, enquanto criminosos como Mistério, Lagarto, Electro e Shocker levavam a criminalidade a níveis estratosféricos.

E, nesse momento, o destino sorriu para a Aranha, com o simbionte coletado pela Oscorp no centro de Nova York sendo trazido para o seu setor. Era amor à primeira vista: um hospedeiro forte e mentalmente instável, e um parasita que lhe daria a força para deixar aquela cela e matar tudo e todos que surgissem em seu caminho.

Tomada pelo simbionte, a Aranha consegue escapar, massacrando os pesquisadores e voltando às ruas. Os criminosos voltaram a ser exterminados, com alguns como Rhino sendo simplesmente estraçalhados em plena ponte do Brooklyn, para que toda a cidade visse a brutalidade da Aranha. E o prefeito Fisk teve sua cabeça simplesmente devorada pelo Cabeça de Teia, mostrando que para ele não havia mais limites.

O Demolidor e até mesmo Kraven tentaram detê-lo, em vão, pois ambos foram mortos sem rodeios pelo aracnídeo. Heróis, vilões, amigos, não importava; Peter agora era um animal lutando exclusivamente pela sua sobrevivência.

Agindo por conta própria, Norman Osborn, que por anos trabalhava em um projeto para replicar o soro do supersoldado, acaba tendo sua mente afetada pelo composto, transformando-se no Duende Verde e tomando para si a missão de matar a Aranha. Ele sequestra Gwen Stacy e a leva até a Ponte George Washington, confiando que os sentimentos de Parker por ela prevaleceriam sobre seu instinto. Que o amor por ela era o último sentimento que a Aranha ainda sentia. Para o azar de Osborn, ele estava certo.

O duelo entre os dois foi sanguinário e, assim como no clássico "O dia em que Gwen Stacy morreu", a garota morre ao ser lançada da ponte, com o aracnídeo falhando em salvá-la. Quando a vida deixou seus olhos, a última esperança de Peter se foi com ela.

Possesso, ele mata o Duende Verde, tirando de Harry seu pai e sua melhor amiga no mesmo day. Em sua tentativa de salvar a vida de Peter, Harry destruiu a sua própria. Sua piedade havia lhe custado tudo, e, por mais que amasse Peter, ele precisaria pôr fim ao sofrimento dele e de toda a cidade.

Unindo forças com os vilões sobreviventes (Shocker, Mistério, Lagarto e Electro) e com o Justiceiro, Harry vestiu o traje de seu pai e desafiou a Aranha para um último embate.

A Aranha sofreu uma última mutação, mudando para uma coloração vermelha e ficando muito mais agressiva. Nascia ali o Carnificina. Mesmo assim, o monstro sucumbiu perante o poder somado daquela improvável aliança e foi soterrado junto com toda a Oscorp após uma grande explosão.

O simbionte foi contido e Peter recebeu um velório discreto, limitado a Harry e May. A segunda mãe de Parker jamais soube o que ele de fato havia se tornado. Osborn preferiu poupá-la dessa dor e, principalmente, da verdade de que ele próprio era o responsável por ela.

A tragédia de Parker é tocante do início ao fim. Acompanhar a degradação de um dos símbolos mais puros do heroísmo, até se transformar em um animal assassino e monstruoso, mexe com os sentimentos de qualquer fã. A luta de Harry e Gwen para salvá-lo de si mesmo também é fantástica, mostrando a força de sua amizade e as consequências desse amor para toda a cidade.

A dependência de Nova York para com o Homem-Aranha também é clara: por mais que ele seja um maníaco, sem ele, as ruas se tornaram ainda mais perigosas. Mesmo que a engrenagem estivesse defeituosa, sem ela, a máquina simplesmente não funciona.

Temos grandes duelos, mostrando o quão poderoso o Homem-Aranha poderia ser caso sua mutação avançasse tanto e seu poder fosse amplificado pelo simbionte.

A própria premissa do Homem-Aranha tornando-se de fato um híbrido entre as duas espécies não é exatamente nova. Em The Amazing Spider-Man #100 (1971), Peter pede ajuda a Morbius para livrar-se de seus poderes, cansado de ser um herói, mas tudo dá errado, e sua mutação avança ainda mais, rendendo alguns momentos realmente bizarros. O responsável por adaptar esse arco para as telinhas foi a saudosa animação Spider-Man: The Animated Series (1994), entre os episódios 7 e 8 da segunda temporada, onde, além dos braços, Peter sofre uma mudança completa, transformando-se inteiramente em uma aranha.

O que esse analog horror traz de diferente é justamente a parte mais visceral e macabra, indo além da transformação física, mostrando como o instinto selvagem lentamente se sobrepôs à sua racionalidade.

Veredito

Existem muitos analog horror de DC e Marvel no YouTube (e futuramente podemos explorá-los), mas é inegável que esses três são os mais importantes, não apenas pela grandeza dos personagens que subvertem, mas pela qualidade de seus roteiros e impacto pela internet.

Pessoalmente, tenho o analog horror do Batman como meu favorito, uma vez que o herói e seu universo já se encaixam naturalmente na premissa, e a narrativa explora magistralmente a evolução do trauma de Bruce.

Mas e para você? Qual desses é o melhor analog horror? Devemos fazer uma parte dois? Não deixe de comentar!

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