As Piores Cidades da Ficção: Você conseguiria passar um dia em alguma delas?
Após o crescente sucesso de nossa primeira publicação, onde comparamos Gotham City, Mega-City, Silent Hill, Mos Eisley e Derry, decidindo qual era o IDH mais baixo entre elas. No entanto, ainda faltam muitos fins de mundo para analisar! Hoje, vamos conhecer algumas das piores cidades da cultura pop, desde aquelas que por pouco não entraram na primeira vez, e outras, que certamente irão lhe surpreender. Sem mais delongas, vamos lá!
TERRORHARRY POTTER
Rafael Silva
2/25/202622 min read
Raccoon City


A fonte de todo o mal da franquia Resident Evil, por ter servido como rato de laboratório para uma corporação sem escrúpulos. Raccoon City, localizada no meio-oeste dos Estados Unidos, foi fundada em 1800, inicialmente um pequeno vilarejo, ladeado pelas montanhas Arklay, e que não tinha absolutamente nada de especial.
Quase dois séculos depois, Raccoon passava por grandes dificuldades econômicas, e foi então que surgiu a Umbrella Corporation, formada por Oswell E. Spencer, James Marcus e Edward Ashford, em 1968, com um único objetivo: criar uma raça de seres humanos superiores, mais poderosos, e ao mesmo tempo, mais submissos, para que Spencer pudesse reinar sobre eles.
Oswell havia tido seu primeiro contato com o protótipo do T-Vírus (na época “Vírus Progenitor”), durante uma viagem pela África, e em 1962, já havia construído uma mansão na cidade, que serviria como sua base de operações. Escondida na mata, protegida pelas montanhas e com pouquíssimas pessoas no entorno, Raccoon City seria o lugar perfeito para desenvolver seu projeto.
Sua variante mais agressiva, o letal T-Vírus, foi desenvolvida por Marcus e era capaz de transformar pessoas tanto em zumbis quanto em abominações ainda mais monstruosas e poderosas, como o famoso Nêmesis. Todavia, enquanto tais crimes eram cometidos nos laboratórios ocultos de Marcus, a realidade para o restante de Raccoon City parecia cada vez mais cintilante.
A cidade via sua economia fervilhar e sua população chegar a mais de 100 mil habitantes. Lentamente, a cidade passou a ser moldada pelos interesses da empresa, que construiu metrôs, hospitais, financiou a polícia e até mesmo a Prefeitura, não com o intuito de melhorá-las para servir ao povo, mas para lhe servir. Por meio do dinheiro, a Umbrella transformou Raccoon City em uma máquina feita para alimentá-la.
Até 1998, a Umbrella empregava cerca de 30% da população de Raccoon, sendo vista como salvadora em uma cidade fadada à estagnação.
Mas, os cidadãos não faziam ideia de que, por trás dos muros da Umbrella, os maiores horrores já feitos pela humanidade vinham sendo concebidos, e eles seriam os primeiros a sofrer as consequências.
Durante três décadas, a Umbrella agiu como uma mera indústria farmacêutica, enquanto secretamente testava suas invenções, vendendo-as tanto para governos quanto no mercado negro. Por meio desses negócios escusos, a Umbrella Corps tornou-se rapidamente uma das empresas mais ricas do mundo. Tudo corria bem para ambos os lados da balança, até que um deles acabou por partí-la ao meio.
Mesmo antes do incidente de 1998, as instalações utilizadas pela Umbrella já causavam problemas. Meses antes do incidente derradeiro, hospitais já registraram casos de canibalismo e corpos necrosados próximos às montanhas Arklay, como podemos ver em Resident Evil: Outbreak (2003), com médicos, polícias, garçons e todos os tipos de cidadãos, vendo a cidade se deteriorar, como se observassem o primeiro pingo de chuva antes da tempestade. Em Resident Evil 0 (2002), é possível perceber o início da infestação e o vazamento do vírus pelas águas.
Usando de todos os seus mecanismos, a Umbrella fez com que a cidade se esfaqueasse e escondesse suas próprias feridas. A mídia lançou a culpa daqueles crimes bárbaros em seitas ou ataques de animais, e o Delegado Brian Irons enviava seus policiais em missões suicidas nessas montanhas, para garantir que a verdade nunca chegasse ao público. Agentes como Kevin Ryman, de RE: Outbreak, agiam como se estivessem salvando a cidade, quando na verdade, apenas faziam o trabalho sujo da Umbrella, inconscientemente. Se com os poderosos, a corporação usava-se do dinheiro e da ameaça, com as massas, bastava apenas aproveitar-se de sua ignorância.
Desde antes da catástrofe, viver em Raccoon City significava viver à mercê da irresponsabilidade e perversidade da Umbrella, que não iria pestanejar em matá-lo em nome do “progresso científico” e não teria dificuldades em forjar sua morte, uma vez que, diretamente ou indiretamente, influenciava a vida de cada pessoa daquela cidade.
Mas, foi em 1998, mais especificamente no dia 28 de setembro, que o paciente 0 do T-Vírus criado por James Marcus, Queen Leech, liberou ratos e água infectada pelos esgotos, gerando uma contaminação massiva logo nos primeiros dias, como pode ser visto em Resident Evil 3 (2000).
Durante dias, a cidade foi tomada pelo mais completo caos. Milhares eram infectados a cada dia, e hordas de zumbis vagavam pelas ruas, matando todo aquele que cruzasse seu caminho. O sangue jorrado dos corpos dilacerados respinga diretamente no logo da Umbrella, que, por sua megalomania, corrupção e negligência, levou uma cidade antes próspera ao abismo.
A S.T.A.R.S. (Serviço de Resgate e Táticas Especiais), liderada por Albert Wesker, foi enviada à cidade para conter a infecção. Secretamente, Wesker, que era filiado à Umbrella, agiu para desaparecer com provas e documentos importantes da empresa, de forma a protegê-la do caos jurídico que se seguiria àquela contaminação. Nunca foi sobre proteger as pessoas, e sim, a reputação da empresa que as estava matando.
Porém, isso não impediu que o Exército dos EUA bombardeasse a cidade com mísseis termobáricos, com intuito de deter o vírus antes que se alastrasse, exterminando praticamente toda a população nativa.
Lei Marcial foi decretada ainda no mesmo dia, e Raccoon City foi apagada da face da terra, servindo como nada mais que um experimento que fugiu do controle da Umbrella, que inevitavelmente faliu nos anos seguintes, mas reergueu-se com a ajuda do governo. A corporação mantinha relações cordiais com o governo dos EUA, que tinha enorme interesse em suas armas biológicas, o que explica sua disposição imediata em ajudá-la nessa crise.
Mesmo sendo culpada por mais de uma centena de milhares de mortos, o dinheiro e o poder foram capazes de manter a corporação viva, ao contrário dos nativos a quem tanto exploraram.
Raccoon City é o reflexo de uma cidade que viu a luz no fim do túnel tornar-se um trem. A Umbrella surgiu repleta de bênçãos para lhes dar, mas, por meio delas, tornou seus cidadãos cada vez mais dependentes e cegos para tudo aquilo que faziam nas sombras, e quando enfim alguns olhos começaram a se abrir, tudo já estava perdido.
Londres (1984)


Uma cidade onde nem mesmo dizer que dois mais dois são quatro é permitido, caso o Estado diga o contrário. A obra 1984, lançada por George Orwell (conhecido também por outros clássicos como A Revolução dos Bichos), em 1949, acabou por ser banida na URSS e censurada em diversos pontos dos EUA, por entre muitas aspas “ser antipatriótica, ou “antirrevolucionária”. Para ser perseguida por duas ideologias ditas como antagônicas, é porque a obra realmente tocou onde dói em ambas!
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, o Reino Unido via seu Império escorrer por entre seus dedos, incapaz de equilibrar as milhões de mortes e os trilhões em prejuízos causados pelo conflito. Todavia, algo ainda pior estava por vir. Nos anos 1950, uma guerra atômica varreu o mundo, destruindo diversas cidades ao redor do globo, inclusive Londres. O que antes foi o maior centro financeiro do mundo, agora não passava de um amontoado de escombros.
Aproveitando-se desse momento de fragilidade, o Ingsoc (Partido Socialista Inglês) subiu ao poder sob a liderança do Grande Irmão, um líder carismático e controlador, mas que jamais apareceu ao público, apesar de ter seu rosto em praticamente todos os cartazes, telões e anúncios da cidade. Winston (protagonista da obra) chega a suspeitar de que ele jamais tenha existido, sendo apenas uma ficção criada pelo Ingsoc para angariar seguidores.
Em seguida, o Ingsoc unificou as Américas, Oceania e parte da Europa sob sua autoridade, formando assim a Oceânia, que viveria em pé de guerra com a Eurásia (neo-bolcheviques) e a Estásia.
O Grande Irmão tornou-se uma espécie de guardião do povo da Oceânia, com diversos cartazes com a frase “ele observa você” sendo erguidos pelos prédios de Londres, algo que poderia soar reconfortante após a insegurança de uma guerra, mas com o passar dos anos, metamorfoseou-se na face da opressão de um regime totalitário, que acompanhava a vida de cada um de seus habitantes como se fosse um filme.
Todavia, o golpe mais duro do regime viria justamente em seu mecanismo de desumanização e controle das massas. O grande opositor do Ingsoc, Emmanuel Goldstein, foi apontado como o culpado por todos os problemas que a nação passava, e diariamente, todos deveriam se pôr em um imenso auditório, para gritar xingamentos à sua imagem em um telão durante dois minutos.
As guerras possivelmente fictícias contra Eurásia e Estásia servem também como ferramenta de controle, mantendo o ódio das massas constantemente voltado para um inimigo externo. No livro, Júlia suspeita que os bombardeios vinham sendo realizados pelo próprio Ministério da Paz, para simular um ataque inimigo e manter a população em constante estado de alerta. O governo massacra seu povo, enquanto diz protegê-lo de seus inimigos.
O Estado aponta o alvo, e você o destrói, e assim progressivamente, ele fará você lutar contra cada um de seus inimigos fabricados, enquanto o mantém alheio à sua própria consciência.
Comida, emprego e moradia são totalmente controlados pelo governo londrino, que irá definir desde quantos gramas de “chocolate” você irá comer até onde irá morar. A miséria é sistemática, uma vez que o Ministério da Fartura realiza constantes racionamentos, como forma de corrigir insurreições. As relações são artificiais, a vida é monótona e sem mudança, tudo que lhe cerca é aço e fumaça. Sem dúvida, uma vida sem cor.
Até mesmo a sexualidade e as relações pessoais são vítimas de interferência estatal. O Estado passou a enxergar o orgasmo como um inimigo direto à sua autoridade, uma vez que gerava uma satisfação privada entre os indivíduos, algo além de seus poderes. O prazer, o amor e a amizade formavam laços fortes e verdadeiros, não artificiais e moldados por uma ideologia, algo que amedrontava o Grande Irmão. O povo não poderia ser leal a outro mestre que não a ele.
Isso fez o Ingsoc tomar medidas extremas, desde criar sua própria indústria pornográfica, com intuito de controlar até mesmo a satisfação sexual de seus servos por meio da alienação, até fundar organizações como a Liga Junior Anti-Sexo e Movimentos de Mulheres Contra o Sexo, planejando despir o povo de seus desejos mais primitivos, e voltar toda a sua vontade à adoração ao Estado, tratando o sexo como de utilidade meramente reprodutiva.
O Ministério da Verdade é o grande núcleo da tirania estatal. Enquanto o Ministério da Paz trata de manter seu país em guerra, e o Ministério da Fartura garante que seu povo passe fome, o Ministério da Verdade não se trata simplesmente de forjar mentiras para as massas, e sim, de torná-las tão ignorantes e alienadas, que mentira ou verdade pouco importam, apenas o que o Estado diz ser o certo a se seguir. O governo cria sua própria verdade, o exemplo vivo do duplipensar, descrito por Orwell.
A paz do Ingsoc os mantinha em guerra, sua liberdade os mantinha escravos e sua ignorância era sua força.
Seus crimes vão desde censurar e reescrever jornais, como forma de fazer a história se adequar aos desejos do partido, até desenvolver uma nova língua, que limitaria a capacidade de pensar e de expressar de sua gente, mantendo-os submissos definitivamente.
A Novilíngua foi um projeto elaborado por anos pelo Ingsoc, com o intuito de limitar o pensamento crítico e extinguir o “Crime de Pensamento”. Imagine viver em uma cidade onde até mesmo pensar em criticar seu governante é passível de execução!
A cada nova edição, o Grande Irmão reduzia o repertório de palavras, mantendo o povo cada vez mais raso e facilmente manipulável, tornando-se gradualmente mais semelhantes a engrenagens de um sistema, e não seres pensantes. Veja só um exemplo de “mudança ortográfica” proposta por esses socialistas: Liberdade não existe; "Livre" refere-se apenas à ausência (ex: "cão livre de pulgas"), não à liberdade política.
Você não tem o direito de fazer o que quer, dizer o que quer, e nem mesmo pensar o que quer, é a mais absoluta privação de liberdade já vista na ficção. Quando Winston e Júlia são capturados por agentes do Ingsoc, após serem flagrados pelas câmeras de vigilância do regime quebrando o protocolo anti-sexo, podemos ver o propósito definitivo dessa ditadura.
Winston é levado para uma sala de tortura, onde é interrogado pessoalmente por O'Brien, membro do Partido Interno, que ele imaginava ser um resistente ao regime. O agente mostra quatro dedos a Winston e lhe pergunta: quantos dedos tem aqui? Se ele dissesse a verdade, a dor aumentava, e se mentisse, ela também aumentava. Quando o torturado grita que não sabe quantos dedos tem lá, O'Brien enfim se satisfaz. Uma decisão consciente, seja certa ou errada, não tinha valor, apenas uma que fosse condicionada pela vontade absoluta do Estado.
Tudo isso foi para garantir que Winston não morresse como mártir, e sim, como uma casca vazia, que ansiava pela orientação do Grande Irmão, para que sua dor parasse.
Inúmeros são os regimes de esquerda e direita que se aproximam desse tipo de sistema na história humana, e é justamente essa proximidade com a realidade que torna a Londres de 1984 um exemplo tão assustador de uma péssima cidade para se viver, pois, diferentemente de Raccoon City, Silent Hill ou Derry, seus horrores não habitam o mundo da ficção, e sim, estão muitíssimo presentes em nossa realidade.
Hogsmeade/Hogwarts


Antes que diga que estamos roubando para pôr Hogwarts aqui, vale ressaltar que a Escola de Magia e Bruxaria é o ponto central do único assentamento inteiramente bruxo da Grã-Bretanha, e os alunos, funcionários e professores de Hogwarts somados ultrapassam mil pessoas, o que seria um número superior às centenas de habitantes que vivem em Hogsmeade. Já que Hogwarts abriga a maior parte dos moradores e visitantes que compõem a população de Hogsmeade, nada mais justo que considerar ambos como anexos um ao outro.
Todo fã de Harry Potter já sonhou em receber a carta para Hogwarts (talvez, até mesmo você), almejando viver em um mundo de maravilhas e magia, mas será que realmente vale a pena correr esse risco? Pois posso lhe garantir: Hogwarts é um local perigosíssimo para se viver.
Fundada por volta de 990-993 d.C., Hogwarts é fruto da união dos quatro bruxos mais poderosos e sábios de seu tempo: Godric Grifinória, Salazar Sonserina, Rowena Corvinal e Helga Lufa-Lufa, que deram origem às quatro casas da escola.
Ladeando a escola, havia a Floresta Proibida, que abrigava desde seres fascinantes e geralmente amigáveis como os Centauros e Unicórnios, até as gigantes Acromântulas, lideradas por Aragogue, que não hesitam em devorar qualquer ser humano que pisasse em seu território, como Harry e Rony nos provaram em Câmara Secreta. Certamente, não é muito seguro manter crianças próximas a um local com tantas ameaças iminentes.
O Lago Negro, também próximo a Hogwarts, é habitado pelos sereianos, que por natureza, são extremamente hostis com humanos. Sua beleza é inegável, mas também, fatal.
O castelo foi construído próximo a Hogsmeade e possui uma fortíssima proteção mágica contra curiosos trouxas. Caso qualquer um deles chegue próximo à escola, verá apenas um imenso castelo cercado, abandonado e com múltiplas placas dizendo: não se aproxime. No Brasil, esse segredo certamente não iria durar muito tempo…
Desde o princípio, a escola foi assombrada pelos fantasmas de seus próprios fundadores. Salazar era preconceituoso em relação a trouxas e mestiços, crendo firmemente que apenas sangues puros eram dignos de aprender magia. Após se desentender com seus três colegas, Sonserina deixou a escola, mas não sem antes infiltrar em seus esgotos um monstro concebido para expurgar os nascidos trouxas de Hogwarts, e assim cumprir sua missão: o Basilisco.
Ainda existe o caso da filha de Rowena, Helena Corvinal, que após um relacionamento conturbado com o Barão Sangrento, acabou morta, e assim como ele, que se suicidou logo depois de cometer o crime, tornou-se um dos fantasmas de Hogwarts. Traições, mentiras e assassinatos… desde o princípio, Hogwarts já se mostrava altamente problemática.
Durante os livros e filmes de Harry Potter, podemos ver o quão insegura a escola é. Mesmo séculos após sua construção, o castelo continua arcaico e muitíssimo perigoso.
Quem não se lembra, por exemplo, das famosas 142 escadas que mudam de direção, que desviaram Harry, Rony e Hermione de seus dormitórios, deixando-os diante da sala onde o amigável cão de três cabeças, Fofo, estava preso. Além de correr o risco de esbarrar com uma fera assassina, você pode simplesmente acabar caindo por vários e vários andares, se estiver distraído. Mas, quem dera a arquitetura fosse o único problema que o Trio de Ouro teve que enfrentar.
Estudar em Hogwarts entre 1991 e 1998 significava estar à mercê de: Trasgos no banheiro, Basiliscos, Dementadores e um suposto serial killer, um torneio milenar onde corre risco de vida tanto quem joga quanto quem assiste, uma Inquisidora que aplica tortura física e psicológica sem pestanejar contra qualquer um que a desafie, ser enfeitiçado por colegas e, por fim, lutar contra Voldemort, seus Comensais da Morte e uma legião de seres das trevas em um duelo sanguinário. E você reclamando das provas de matemática do ensino médio!
Hermione, Minerva, Harry, Hagrid e tantos outros personagens confiavam que Hogwarts era segura, pois Alvo Dumbledore, seu diretor e o bruxo mais poderoso de todos os tempos, estava lá, mas, como pudemos ver pelos inúmeros exemplos, isso nunca serviu de muita coisa. Dumbledore muitas vezes foi tirado de cena, e em outros casos, até mesmo permitiu que certas coisas acontecessem, como a continuidade de Potter no Torneio Tribruxo em Cálice de Fogo, mesmo após as diversas irregularidades e a morte de seu organizador, Bartô Crouch, apenas para seguir com seu plano mestre: matar Voldemort. Mas não se esqueça, você seria apenas um espectador em meio a todo esse caos.
Além disso, Dumbledore também é responsável por outros riscos em torno da escola. O Salgueiro Lutador, feito para proteger a entrada para a Casa dos Gritos ao lado de Hogwarts, local esse onde Remo Lupin tinha suas transformações em lobisomem durante seu tempo como estudante, quase matou Harry e Rony em Câmara Secreta, e passou igualmente perto de conseguir o mesmo com Potter e Hermione em Prisioneiro de Azkaban. Uma medida de segurança que quase esmagou quem deveria defender.
As próprias aulas por si só já impõem risco, como quando Gilderoy Lockhart libertou uma legião de diabretes para que sua turma de segundo ano os detivesse em Câmara Secreta, mesmo que ele mesmo não tenha ideia de como fazer isso. Ou quando Hagrid fez uma aula prática de Trato das Criaturas Mágicas em Prisioneiro de Azkaban, trazendo Bicuço, um imenso Hipogrifo que ataca Draco ao primeiro sinal de provocação.
Não podemos nos esquecer, é claro, do Quadribol, um jogo onde o risco de morte esteve presente desde sua concepção, onde crianças e adolescentes colidem no ar com suas vassouras, a dezenas de metros do chão, enquanto são perseguidos pelo Balaço. Um dia comum de aula pode resultar em meses sob os cuidados da Madame Pomfrey, caso sobreviva, é claro…
Além disso, será que você seria capaz de suportar as humilhações de alguém como Severo Snape? Alguém amargurado por traumas de infância, e que não pensa duas vezes antes de destilar todo esse rancor guardado sobre crianças que ele nem ao menos conhece? Ou viver na mira de alguém como Argus Filch, filho de bruxos que não possui magia, e sente um ódio genuíno de todos os alunos de Hogwarts, possivelmente movido por inveja e desprezo contra si mesmo. De incompetentes como Lockhart, até opressores como Snape ou Umbridge, o corpo docente de Hogwarts muitas vezes é fonte de problemas, não de conhecimento.
A divisão entre as casas: Grifinória, Lufa-Lufa, Corvinal e Sonserina, por vezes também mostra problemas. Existe uma grande rivalidade entre os quatro grupos, especialmente os sonserinos, que, devido principalmente à ideologia de seu patrono, demonstram desprezo por seus colegas. O bullying nojento cometido por Draco e seus capangas, Crabbe e Goyle, não vem apenas da criação elitista dada por seus pais, mas também pela própria alma de sua casa.
Em qualquer outro mundo, Hogwarts seria interditada no primeiro semestre.
Fora dos muros de Hogwarts, os poucos moradores de Hogsmeade também enfrentam suas crises, como podemos ver no jogo Hogwarts: Legacy, onde temos desde uma guerra entre bruxos e duendes até invasões de bruxos das trevas.
Fato é que a vida no mundo mágico, como um todo, é extremamente perigosa, especialmente em tempos de guerra, como o visto nos livros e filmes de Harry Potter. Hogwarts oferece sim uma segurança considerável contra invasores externos e principalmente trouxas, sendo que muitas vezes, suas defesas foram quebradas por agentes dentro de suas paredes. Por mais que tenha diversos problemas, ter a honra de viver essa magia talvez faça tudo isso valer a pena, como valeu para Harry, que deixou uma vida tediosa e triste ao lado de seus tios e, em Hogwarts, conheceu todos que amou em sua vida e viveu suas maiores aventuras.
Night City


Se Londres era um símbolo de repressão estatal, onde as leis governamentais reprimiram quaisquer ações de seu povo, Night City, de Cyberpunk 2077 (2020), é o completo oposto: não há lei, o caos reina absoluto, e o crime dita as regras.
Fundada em 1994 por Richard Night, a cidade localizada na Baía del Coronado, próximo ao Sul da Califórnia, originalmente chamava-se Coronado City, recebendo seu nome definitivo apenas quatro anos depois, após o assassinato de seu criador pelas mãos de organizações criminosas.
Night moldou sua cidade autônoma, sem burocracia, sem crime e com extenso financiamento de megacorporações, como um paraíso para jovens idealistas, que teriam lá, um ambiente inspirador para construir seus futuros. Suas ruas largas e arranha-céus vistosos ofereciam um vislumbre da grandeza que Night City projetava, mas ela lentamente foi sendo substituída pelo mais absoluto caos que se seguiu após a morte de Richard Night.
Sem seu líder e sem possibilidade de regulação externa, os cidadãos estavam por sua conta e risco, quase como no filme Uma Noite de Crime, porém, nos 365 dias do ano, sete dias por semana e 24 horas por dia.
Corporações como Arasaka e Militech pacificaram a cidade ao seu modo, com intuito de garantir a manutenção de seus investimentos no local, tirando o poder absoluto das mãos dos criminosos, mas permitindo que eles fizessem o que bem entendessem com as classes mais baixas.
Até 2077, a Arasaka já tinha o controle absoluto da cidade. A desigualdade social extrema não se mostra apenas na verticalização, que põe os poderosos no topo de prédios luxuosos, enquanto deixa os mais pobres nos andares inferiores e infestados pela criminalidade. Porém, o maior crime cometido pelos corporativistas tem nome: Cyber Psicose. Esses implantes cibernéticos são vistos como uma forma de “turbinar” seu corpo, fazendo com que fique mais produtivo e forte, duas características importantíssimas nesse mundo. Porém, eles carregam consigo um efeito colateral devastador: a perda completa da sanidade.
Os implantados tornam-se mais agressivos e impulsivos, sendo capazes de matar sem a menor cerimônia. Para isso, a Arasaka desenvolveu a MacTac, um esquadrão da morte, que igualmente sem cerimônia, mata qualquer infectado.
Porém, esses exércitos privados não servem apenas para garantir a segurança das elites, como também para garantir que suas vontades sejam consumadas. Um exemplo é a ordem de um comissário da NCPD para assassinar uma comunidade de sem-teto para que uma corporação pudesse comprar o terreno.
Essa mesma polícia não pensa duas vezes antes de ignorar crimes hediondos, desde assassinatos até atropelamentos diante de seus olhos, simplesmente porque naquela cidade a vida humana é barata demais. Isso nos leva a uma taxa de homicídios simplesmente estarrecedora: 15 mil assassinatos por ano, cerca de 214 a cada 100 mil habitantes, em uma população de 7 milhões. Um genocídio urbano recorrente, causado pela comunhão entre desprezo estatal e sede de poder do crime.
Uma vez que os implantes eram caríssimos, o submundo passou a vender os seus próprios, por meio de gangues como Maelstrom, Animals, Valentinos, arrancando-os de cadáveres para assim comercializá-los.
Outra faceta obscura desse mercado criminoso são as Braindances Ilegais, gravações de crimes reais, que por meio da realidade virtual, podem lhe levar a sentir todas as sensações do criminoso no momento do ato.
Viver em Night City, é o mesmo que viver em meio a uma anarquia ultratecnológica, onde o valor da humanidade se perdeu, tendo sido vendido pelas empresas que comandam a cidade do topo de seus prédios. Não há segurança, liberdade real ou esperança.
Nessa cidade, o crime definitivamente compensa, uma vez que, caso não afete os poderosos, ele passará completamente impune, e de quebra, servirá para lhe garantir respeito e dinheiro.
Em Night City, você nasce como nada e morre como uma lenda se cometer crimes grandes o suficiente para serem lembrados. A cidade não pune o criminoso; ela o glorifica se ele for eficiente, ou o apaga se ele atrapalhar os lucros corporativos. É a meritocracia do caos.
Fenda do Biquíni


Por essa ninguém esperava, afinal, como uma cidade de um desenho infantil como Bob Esponja pode estar entre as piores da cultura pop? Mas será que realmente não é terrível viver em uma cidade onde uma esponja com um barco pode destruir metade da cidade enquanto tenta passar no teste de direção? Ou uma mera borboleta pode fazer com que toda a população se desespere? E seu prato mais típico: o hambúrguer de siri, pode ser motivo de uma crise sanitária?
A Fenda do Biquíni, baseada no Atol de Biquíni (localizado nas Ilhas Marshall, onde serviu para testes nucleares pelos EUA entre 1946 e 1958), foi fundada ainda na pré-história, como o episódio SB-129 da primeira temporada, deixa claro durante a viagem no tempo de Lula Molusco. Com o passar dos milênios, a cidade submersa foi se transformando em uma das maiores cidades dos sete mares.
Não é segredo para ninguém que a maioria dos grandes problemas da cidade gira em torno de uma única figura: Bob Esponja Calça Quadrada. Apesar de carismático e “inocente”, a esponja já levou a cidade à beira do colapso mais de uma vez.
Quem não se lembra das constantes destruições causadas por Bob durante suas aulas de direção, como no episódio Doing Time da segunda temporada, em que ele atravessa os muros da escola e sai destruindo prédios por toda a Fenda do Biquíni, causando um terror generalizado. O pior de tudo é que a culpa sempre recai sobre os ombros da Sra. Puff, que por mais de uma vez, tentou se livrar da esponja, desde entregá-la à habilitação mesmo tendo reprovado, até chamar instrutores alternativos como Sargento Roderick, no episódio "A Sra. Puff foi demitida. Lamentavelmente, nem mesmo ele foi capaz de fazer Bob Esponja aprender. Todavia, existe uma explicação lógica para todos esses fracassos: ele simplesmente não quer ser aprovado.
Logo no episódio Escola de Pilotagem, da primeira temporada, Bob trapaceia, pedindo que Patrick o oriente por meio de um comunicador, para que ele enfim complete a prova, e surpreendentemente, ele consegue. De um piloto completamente débil para uma direção perfeita, com meia dúzia de orientações… curioso! E não foi a única vez que Bob o fez. Isso levanta a teoria de que Bob fracassa propositalmente nos testes, para que assim possa destruir a cidade dia após dia, e a pena recair sobre Puff, que já deve ter uma ficha criminal mais extensa que a do Coringa só por causa dele.
Porém, isso é apenas uma das múltiplas catástrofes causadas por Bob e Patrick, como por exemplo: causar uma destruição massiva na cidade por causa de uma borboleta, criar o Rabisco, um desenho com vida própria com poder ilimitado por meio de seu lápis, invadir o sonho dos outros, conhecendo seus segredos mais profundos, invadir a casa da mãe de Seu Sirigueijo para roubar suas calcinhas (isso foi bizarro).
Porém, o caos na Fenda do Biquíni vai muitíssimo além das imbecilidades de Bob Esponja e seu amigo rosado.
O Siri Cascudo, restaurante mais popular de toda a cidade, é simplesmente o terror da vigilância sanitária e do RH. Seu Sirigueijo não tem escrúpulos no que se refere a ganhar dinheiro, não para gastá-lo, mas simplesmente pelo desejo de possuí-lo, uma vez que ele até mesmo chega a emoldurar notas de um dólar em sua casa. É avareza encarnada na forma de um siri marinheiro.
Quem se lembra, por exemplo, de quando ele demitiu Bob Esponja simplesmente para não ter que lhe pagar um salário de 50 centavos? Sendo que, naquele caso, ele apenas não fez com que Bob trabalhasse de graça, pois sabia ser ilegal. Sirigueijo não foi apenas desumano do ponto de vista profissional, como também, emocional, pois sabia da paixão que seu parceiro amarelo tinha pelo restaurante.
Em episódios icônicos como Turno Macabro (famoso pela história do Zé do Picadinho), o patrão simplesmente força a esponja e Lula Molusco a trabalharem 24 horas por dia, para potencializar seus ganhos (apesar de ninguém além de Patrick comer Hambúrguer de Siri de madrugada…).
Mas, o abuso contra os funcionários é apenas uma das faces sombrias de Sirigueijo. De esqueletos guardados na cozinha até servir hambúrgueres feitos com gordura pura, o Siri Cascudo jamais foi referência de limpeza ou responsabilidade alimentar. Mas isso pouco importa para Sirigueijo, tendo em vista que seu único concorrente direto chama-se simplesmente Balde de Lixo… Ele pode servir o que bem entender, pois sabe que as pessoas vão voltar, e vai tratar seus funcionários como quiser, pois sabe que eles não têm para onde ir.
Certamente, um tour gastronômico pela Fenda do Biquíni pode ser algo consideravelmente perigoso.
A própria população, por vezes, causa problemas, como no episódio "A erupção do vulcão contra o Lula Molusco", em que o povo decide oferecer o vizinho mau-humorado de Bob Esponja em sacrifício para poupar a cidade da destruição, desistindo disso apenas nos últimos instantes.
Também existem os dias de ficar sem o Bob Esponja e sem o Patrick, no intuito de isolar completamente dois cidadãos em específico, algo que deixou Bob à beira da loucura (ele literalmente chegou a fazer amizade com um barco…). Nem mesmo entre as massas, existe amizade.
A corrupção política e policial também é extremamente forte na cidade. Enquanto os agentes se empenham em prender Bob Esponja por não convidá-los para sua festa particular, multar Lula Molusco por deixar que um pedaço de papel caia no chão ou quebrar medidores de velocidade, Plâncton destrói a Fenda do Biquíni com robôs gigantes ou promove fugas em massa da prisão, e em ambos os casos, a polícia não se faz presente. Como podem ver, as bizarrices de Bob Esponja vão muito além de fogueiras debaixo da água.
Não podemos deixar de citar os grandes vilões da cidade: Holandês Voador, Bolha Suja e Homem-Raio, que na ausência dos aposentados Homem-Sereia e Menchilânzinho, lançaram terror sob a cidade.
Nem mesmo viajar para cidades vizinhas é indicado, uma vez que a região mais próxima é a horripilante Fenda da Pedra (visto no episódio 17, da primeira temporada), onde Bob se vê cercado de peixes estranhos, em ruas pouco iluminadas e com um transporte público que parece fugir dele. Certamente, um dos episódios mais assustadores do desenho.
Morar na Fenda do Biquíni é estar cercado por caos: vilões, restaurantes imundos, imbecis capazes de destruir a cidade, corrupção e incompetência sistemáticas. Mesmo sem tentar, a cidade consegue ser tão nociva quanto outras cidades da lista em muitos aspectos, sendo que elas foram moldadas justamente para gerar desconforto. Brilhante, se não fosse lamentável.
Mas, qual delas será a pior? Vamos à contagem dos pontos e, assim, ao veredito!
Raccoon City e Londres certamente disputam ponto a ponto pelo título, mas, devido ao terror físico, psicológico e político da cidade de 1984, ela se faz merecedora do título de IDH mais baixo da lista. Hogwarts pode ter muitos problemas, mas acaba por ser a menos nociva, devido aos vários prós que a magia oferece. E para você, qual dessas é a pior cidade para se viver? E a pior?
