As Maiores Vitórias e Derrotas em Star Wars (Parte 2)
Após o crescente sucesso da primeira parte, é o momento de dar continuidade à nossa série, explorando as venturas e desventuras dos personagens de Star Wars. Na primeira edição, analisamos os trunfos e humilhações de Luke Skywalker, Darth Vader e Darth Revan, indo além dos duelos em si e explorando a magnitude de seus resultados na construção desses personagens. Hoje, vamos revisitar os melhores e piores momentos de outros três grandes ícones da saga: Obi-Wan Kenobi, Darth Bane e Conde Dookan. Sem mais delongas, vamos lá!
STAR WARS
Rafael Silva
8/13/202617 min read
Obi-Wan Kenobi


Lordes Sith são a sua especialidade. General das Guerras Clônicas e Mestre do Conselho Jedi, Kenobi foi, sem dúvida, um dos maiores guerreiros que a galáxia já conheceu, superando sua frágil conexão com a Força com uma perseverança e brilhantismo tático incomparáveis, além, é claro, de sua maestria com a Forma III de combate, o Soresu, que lhe concedia uma defesa impenetrável.
Munido desses talentos, Obi-Wan venceu o General Grievous, Darth Maul (várias vezes…), Savage Opress e sobreviveu a todas as surras que o Conde Dookan lhe aplicou (não sei exatamente se isso é um mérito).
Diferente de seu mentor, Qui-Gon Jinn, Kenobi era pragmático ao extremo, leal somente à vontade do Conselho Jedi, sem espaço para que a Força lhe dissesse o caminho. Isso fez dele a pior opção possível para treinar o ser mais poderoso que a galáxia já conheceu: Anakin Skywalker.
O Escolhido tinha um potencial incomparável, só não tanto quanto sua capacidade de causar problemas. Ele era impaciente, impulsivo, arrogante demais, e jamais foi capaz de superar seus sentimentos por Padmé ou sua mãe. A mente de Anakin enchia-se de dúvidas; porém, não havia um mestre para saná-las, pois seu mentor era incapaz de ir além do que sua doutrina lhe permitia. Na prática, Skywalker estava sozinho com seus pensamentos, se não por Sheev Palpatine, que sabia muito bem como usá-los a seu favor.
Ao virar as costas para os sentimentos de Anakin, ao insistir em tratá-lo como um Jedi qualquer, o que ele certamente não era, Kenobi o entregou sem rodeios nos braços do mal, que o moldou vagarosamente ao seu bel-prazer. Mal sabia ele que, no momento em que se despediu de Anakin no Templo Jedi, antes de partir para Utapau para confrontar o General Grievous, seria o último momento em que veria o garoto que treinou desde os dez anos e que, quando se encontrassem novamente, um monstro teria tomado o seu lugar.
A rigidez que Obi-Wan ostentava foi a mesma que levou a Ordem Jedi à ruína. Logo após matar Grievous, Kenobi entrou na mira dos clones que antes lhe serviram: a Ordem 66 havia começado.
Habilidoso, o Jedi escapou de seus algozes e voltou a Coruscant, onde, junto a Yoda, invadiu o Templo Jedi para proteger os sobreviventes de uma armadilha. Porém, foi ali que descobriu o verdadeiro destino de seu aprendiz: ajoelhado perante o Imperador, chamando-o pelo que agora era seu verdadeiro nome: Darth Vader.
Ser atravessado por um sabre de luz teria doído menos do que ver aquela cena (Qui-Gon concordaria), pois ele sabia que a queda de seu aprendiz era, acima de tudo, culpa dele. Yoda lhe ordenou que fosse em busca de Vader e o matasse, pois sabia que Kenobi não seria páreo para o Imperador. Ele reluta; Anakin era como um irmão para ele, o menino que viu crescer diante de seus olhos, que jurou treinar enquanto segurava a mão sem vida de seu mestre. Ele simplesmente não poderia fazer isso. Mas esses eram os sentimentos de um homem, e Obi-Wan era um Jedi, e as emoções não poderiam turvar o seu julgamento. Se Vader precisasse morrer para que a Ordem sobrevivesse, ele o faria.
Infiltrando-se na nave de Padmé, Obi-Wan encontrou Anakin em Mustafar e pôde ter a certeza de que seu aprendiz havia mesmo partido, suplantado por Darth Vader. Somente um Sith poderia almejar submeter toda a galáxia ao seu jugo, estrangular a mulher que amava carregando seu próprio filho no ventre e desejar provar seu poder absoluto matando aquele que um dia teve como melhor amigo. Apenas um Sith pensaria de maneira tão amoral, e ele precisava ser detido.
O duelo é intenso, com Obi-Wan encolhendo-se em seu estilo defensivo para suportar a profusão de golpes de Anakin. Era como um festival de lâminas azuis cortando a paisagem flamejante de Mustafar. Kenobi sabia que não poderia derrotá-lo; ele era poderoso demais, mas, ao mesmo tempo, arrogante e vaidoso o suficiente para jogar fora essa vantagem.
Mesmo saltando entre as plataformas suspensas sob o mar de fogo abaixo deles, Kenobi não deixou de pensar em sua culpa e, enquanto bloqueia outra rajada de ataques de seu ex-aprendiz, ele confessa: "Eu falhei com você, Anakin. Eu falhei com você."
Para ele, era claro que, vivendo ou morrendo, a queda da República, a ruína da Ordem Jedi e a transformação do Herói Sem Medo em um servo das trevas era sua culpa, culpa das suas limitações.
Sempre mais atento, Kenobi afastou-se, pulando para uma colina alguns metros acima de Skywalker, o famoso "terreno elevado". Ambos estavam exaustos, e Kenobi não poderia mais continuar lutando contra um oponente tão mais jovem e poderoso; aquele era o seu limite. Vader, por sua vez, trocou a certeza da vitória pela possibilidade de humilhar seu velho mestre, saltando sobre ele para tentar atacá-lo pelas costas, algo que resultou em duas pernas e um braço mecânico a menos quando Kenobi os decepou em uma ágil sequência de golpes.
Ele o deixou ardendo na margem escaldante diante deles. Enquanto a dor consumia o jovem, Kenobi viu seus olhos mudarem, assumindo a cor amarela, a cor do ódio, a cor dos Sith. Ele poderia tê-lo matado naquele momento, mas isso seria misericórdia para com Vader, e Kenobi não estava disposto a concedê-la. Ele poderia assumir a culpa pela tragédia, mas recusava-se a perdoar o fruto dela.
Muitos dizem que esse triunfo em Mustafar foi, na realidade, uma derrota de Obi-Wan, pelo trauma insuperável que rendeu a ele e pelo fato de Vader não ter morrido. Isso é verdade, mas imagine se Kenobi tivesse falhado? Teríamos um Darth Vader com seu potencial máximo governando a galáxia com seus dois filhos igualmente poderosos ao seu lado. Não haveria chance para a Aliança Rebelde; o reino do Império seria eterno. E, claro, se ele matasse Anakin, a profecia do Escolhido simplesmente não iria se consumar.
Kenobi fez o que precisava ser feito, mas, seja por amargura, seja por remorso, pois sim, esses dois sentimentos totalmente distintos podem se encontrar nesse caso, não foi capaz de cumprir a missão por completo.
Anos depois, ele descobre, por meio da Holonet, que Vader estava vivíssimo e espalhando o terror pela galáxia. Enquanto isso, ele vivia como um velho eremita, secretamente protegendo Luke, filho de Anakin e última esperança da galáxia.
Durante seus anos nos desertos de Tatooine, Kenobi treinou com Qui-Gon, refletindo sobre seus erros e descobrindo a única e verdadeira imortalidade na Força: tornar-se um espectro dela, assim como Jinn havia feito e ensinado também a Yoda. Agora, a finitude da carne não representava mais nada aos Jedi, o que era de grande valor em um momento em que eles praticamente não existiam mais.
Mesmo o passar dos anos não foi capaz de apagar totalmente o fantasma de Vader em sua mente e, quando Luke veio até ele com a mensagem da Princesa Leia, Kenobi sabia o que lhe aguardava: ele teria que enfrentar Vader outras vezes, mas, pelo menos, sabia que o destino da galáxia, diferente da primeira ocasião, não estava mais em suas mãos.
Ele levou Luke até Mos Eisley e, na companhia de Han Solo e Chewbacca, foi capturado pelo raio trator da Estrela da Morte, a bordo da Millennium Falcon.
Enquanto procurava o gerador do raio trator, Kenobi sentiu a presença de seu antigo aprendiz, e ele obviamente também sentiu a sua. Era uma sensação familiar a ambos, que já sabiam muito bem que apenas um deles sairia vivo daquela estação. Mas o que Darth Vader não sabia era que Obi-Wan não tinha a menor intenção de sair de lá com vida.
Quando eles finalmente se encontram, a tensão fica no ar. Eles se olham, com as lembranças do terrível último encontro entre eles metralhando suas mentes, assim como a inevitabilidade daquele momento. O duelo a seguir é tranquilamente um dos mais contidos da saga em termos de coreografia, mas foquemos no peso desse momento.
Vader se mantém na defensiva, mais concentrado e paciente do que da última vez. Seus membros cibernéticos, respiração pesada e visores infravermelhos eram uma lembrança constante do erro que havia cometido duas décadas antes, e ele não iria repeti-lo. Obi-Wan se mantém sereno, aplicando golpes rápidos, mas pouco efetivos. Ele estava ganhando tempo, pois sabia que não poderia vencer. Mesmo experiente, o peso dos anos enfraqueceu seu corpo, enquanto Vader estava em seu auge, e, sabendo disso, passou a gradualmente aumentar suas ofensivas, deixando Kenobi cada vez mais recuado. Conformado com o destino, o Mestre Jedi diz a célebre frase: "Se você me derrubar, eu me tornarei mais poderoso do que você pode imaginar."
Livre de seu corpo físico, Kenobi poderia vislumbrar o presente, o passado e o futuro, visitar quaisquer cantos da galáxia e conduzir Luke em todas as situações. Para um Sith, cuja única noção de força é a que se pode tocar, esse tipo de poder era impossível de se compreender.
É nesse momento que Luke e seus amigos chegam à Falcon, e Skywalker vira-se para ajudar seu mentor. Sabendo que o destino de Luke era muito diferente do dele, Kenobi não poderia permitir que a vida amarga de um velho desse fim à de um jovem que tinha o destino da galáxia nas mãos. Assim, ele ergueu sua lâmina azul e permitiu que o sabre rubro de Vader o atingisse, desaparecendo antes mesmo que seu corpo tocasse o chão.
Enquanto seu espírito pedia para que Luke fugisse, Vader investigava aquela anomalia. Ele passou anos sonhando com aquele momento, mas, ao concretizá-lo, ao consumar sua vingança, não sentiu absolutamente nada além de confusão. Ele sabia que não havia sido justo e sabia que Obi-Wan, de alguma forma, teria planejado aquilo. Seu fracasso ia além do que um sabre de luz poderia reparar.
Se a sua vitória em Mustafar foi o reflexo da queda da galáxia, sua derrota na Estrela da Morte simbolizou uma nova esperança para ela. Ao morrer, Obi-Wan deu sua vida em favor de alguém mais jovem, liberto das amarras que destruíram os Jedi, com potencial para reconstruir o que ele e sua Ordem haviam deixado ruir. E, fazendo de Luke um Jedi, ele honraria o legado de Anakin e Qui-Gon.
Darth Bane


O pai da Regra de Dois, o legítimo Sith'Ari. Membro poderoso da Irmandade da Escuridão de Lorde Kaan, Bane sempre contestou a escolha do Lorde das Sombras de conceder a todo e qualquer guerreiro do lado sombrio o título de Darth, que, na sua opinião, deveria ser conferido somente àqueles realmente poderosos, que realmente dominassem a arte das trevas. Na sua visão, essa adoração da fraqueza era justamente o que levava os Sith à ruína diante dos Jedi.
Sabendo que sua voz jamais seria ouvida em meio aos milhares de fanáticos que adoravam Kaan, ele decidiu que iria agir por conta própria, não somente por desejo pessoal, mas em honra ao Lado Sombrio, livrando-o da imundice que a Irmandade havia impregnado nele.
Os Sith haviam sido encurralados pelos Jedi em Ruusan, e Bane foi levado à linha de frente, massacrando dezenas deles ao longo dos vários dias de batalha. Por mais que ele fosse poderoso, jamais poderia dizer o mesmo daqueles ao seu lado. Para ele, o mais forte deveria dominar o mais fraco, e não ser puxado para o abismo junto a ele.
Sua influência na Academia de Korriban fez com que sua mensagem começasse a se propagar entre os Sith, minando a liderança de Kaan e fazendo com que seu maior aliado, Lorde Qordis, o acusasse de trair Kaan e de enfraquecer os Sith em seu momento mais desesperado. O guerreiro não perdeu tempo se defendendo, admitindo sua filosofia e esfregando na cara de Qordis como ele próprio era a prova de que ele estava certo: um vassalo desprezível, fraco e covarde. Antes mesmo que o velho Sith pudesse atacá-lo, Bane o ergueu pelo pescoço por meio de sua telecinese. Ele mostrou da maneira mais literal possível o quão fraca era a Irmandade da Escuridão, ceifando um de seus maiores mestres sem nem sequer sacar seu sabre de luz. Ele venceu sem sujar as mãos.
Conforme os Jedi se aproximavam, os Sith ficavam mais certos da derrota, mas sua arrogância doentia não lhes permitia admitir isso. Porém, o que para eles era o fim, para Bane era só o começo. Ele tinha certeza de que era mais forte do que os Jedi e os Sith, mas ainda precisava provar ser mais inteligente. Ele enganou Kaan, ensinando-lhe o ritual para a criação da Bomba de Pensamento, que, segundo ele, iria destruir completamente os Jedi assim que eles chegassem. De fato, ele disse a verdade; só omitiu o fato de que os Sith morreriam também.
Tamanho poder só poderia ser domado por alguém realmente poderoso, e um bando de fracos e desesperados certamente não se enquadrava nesse perfil. Eles iriam morrer, e os Sith renasceriam das suas cinzas.
O plano funcionou, e as tropas republicanas do General Hoth foram obliteradas junto a todos os membros remanescentes da Irmandade. Daquele dia em diante, os Sith foram oficialmente considerados extintos, tudo isso graças a Darth Bane, que, sob essa mentira, moldou a Regra de Dois. Chega de exércitos, de grandes guerras; os Sith cresceriam nas sombras, alimentando a discórdia, enfraquecendo a ligação dos Jedi com a Força e da República com o povo, e, quando o momento chegasse, iriam emergir como insetos da carne putrefata dessas instituições. Ele superou os Jedi e os antigos Sith física e intelectualmente, já que foi por meio dele que, um milênio depois, Sidious e Vader puderam subir ao trono da galáxia.
Todavia, a confiança de Bane nesse plano não era absoluta, como sua relação com sua aprendiz, Darth Zannah, nos deixou claro. Bane a encontrou logo após a Batalha de Ruusan, mais uma das órfãs deixadas pela guerra, mas com um potencial imenso na Força, só não maior que seu ódio. Era um prato cheio. Bane a treinou por anos, fez dela uma arma perfeita dos novos Sith, letal com o sabre de luz, mas ainda mais mortífera na sedução e na persuasão, fazendo com que a galáxia rachasse sem derramar sangue. Porém, ele duvidava de seu poder, temendo que ela jamais pudesse dar o passo final da regra: matar o mestre, provar-se mais forte do que ele e, portanto, digna de dar sequência ao legado do Lado Sombrio.
Em Darth Bane: Dinastia do Mal, o velho Sith sente a idade afetando-o, fazendo suas mãos tremerem, seus sentidos falharem, sua força se esvair. Zannah não seria digna de desafiá-lo naquelas condições. Matar um mestre moribundo não era prova de poder. Mas, ao mesmo tempo, buscar outra aprendiz parecia inviável, tendo em vista que seus dias estavam contados.
Sabendo disso, ele foi até o antigo templo de Prakith e encontrou o Holocron de Darth Andeddu, que iria mostrar-lhe o segredo da Transferência de Essência, passando sua consciência e dons da Força para outro corpo, mais saudável.
Porém, ele não consegue concluir o processo antes que Zannah o desafie. Os dois têm um breve duelo em Doan, em que a Sith desiste de matá-lo lá, sabendo que o triunfo contra um Bane recém-liberto das masmorras e torturado por dias pela princesa Serra não lhe daria glória alguma. Ela tinha noção de que o título de Darth não era uma honra conquistada somente com oportunismo, mas também por meio do poder puro e bruto.
O confronto derradeiro ocorre em Ambria, onde Bane usa de sua força bruta para esmagar Zannah, forçando-a a manter-se na defensiva. Cada golpe do brutamontes drenava as forças da Lady Sith, que sabia que jamais o venceria daquela forma. Desarmada, ela deposita sua fé no dom que o próprio Bane havia lhe dito que seria o seu trunfo nas trevas: a feitiçaria Sith, um poder sutil, mas tão devastador quanto qualquer lâmina. Descarregando seu ódio, Zannah começa a desintegrar seu mestre com rajadas negras de puro poder. Incapaz de defender-se, Bane tentou desesperadamente transferir-se para o corpo de sua aprendiz, que precisou lutar pela soberania de sua própria mente, vencendo a batalha e expurgando Bane para sempre. Ele se foi, mas com a certeza de que o legado dos Sith estava a salvo nas mãos dela, que logo em seguida tomou a jovem Darth Cognus como sua aprendiz, mantendo viva a tradição deixada por seu mentor e que traria o domínio absoluto dos Sith.
O duelo é visualmente incrível, com uso extensivo de habilidades na Força e um combate milimétrico com os sabres de luz. O peso dramático é enorme, pois no solo desértico de Ambria o futuro não só do Lado Sombrio, mas da galáxia, era decidido. Por mais idealista que Bane pensasse ser, ele, assim como outro seguidor das trevas, não queria de forma alguma abrir mão do poder e seguir o caminho de todos os seres sencientes. Ao mesmo tempo, ele ansiava por uma aprendiz que o superasse, e isso de fato aconteceu. Então, ao melhor estilo dos Sith: ele lutou até o último instante para destruí-la, para prolongar artificialmente a própria existência, mas morreu com a certeza de que sua tese estava certa.
Conde Dookan


A marionete que julgava realmente estar fazendo algo de bom pela galáxia. Logo após a morte de seu antigo aprendiz, Qui-Gon Jinn, pelas mãos de Darth Maul, o Mestre Jedi Dookan conheceu o seu limite. A Ordem havia permitido que a República fosse infestada de parasitas corruptos, que as regiões distantes do centro sofressem com chagas que iam da escravidão até a miséria absoluta, e que sua conexão com a Força enfraquecesse em favor de seus dogmas ultrapassados. Essa inação custou a vida de seu amigo, e ele não iria mais colaborar com isso.
Assumindo o título que lhe era de direito como Conde de Serenno, Dookan se isolou em seu planeta natal, quando Darth Sidious o contatou. Diferente de Maul e Vader, Palpatine não ofereceu a Dookan o poder absoluto, a capacidade de vencer a morte ou qualquer outra banalidade dos Sith; ao invés disso, prometeu algo que realmente lhe interessava: poder para fazer mudanças reais na galáxia e libertá-la da ditadura da incompetência imposta pela República.
Assim sendo, ele aceitou a proposta, assumindo o nome pelo qual passaria a ser conhecido nas trevas: Darth Tyranus.
Usando seu incrível talento diplomático, Dookan unificou a Federação do Comércio aos vários movimentos anti-republicanos espalhados pela galáxia, formando o Movimento Separatista e, por consequência, desencadeando as Guerras Clônicas, que conheceram seus primeiros capítulos em Ataque dos Clones.
Seu primeiro grande ato foi em Geonosis, quando os Jedi e o primeiro batalhão do Exército Clone enfrentaram milhares de droides de batalha na Arena Petranaki, obrigando Dookan a fugir para seu QG, enquanto Obi-Wan e Anakin seguiam em seu encalço. Se eles o capturassem, poderiam pôr um fim à guerra logo no seu alvorecer.
Chegando antes que ele embarcasse em sua pequena nave de fuga, mestre e aprendiz prepararam-se para o confronto, e Darth Tyranus teve a chance de analisá-los. Obi-Wan era centrado e leal ao Conselho, justamente o que o fez recusar a proposta de Tyranus de se unir a ele pouco antes. Ele tinha potencial, mas sua força, assim como sua capacidade de mudar a galáxia, eram limitadas pela sua lealdade cega ao Conselho. Para ele, era impossível compreender o que Qui-Gon Jinn, um Jedi visionário, viu em uma mente tão rasa.
Com Anakin, Dookan via algo muito diferente. Um ódio e soberba desenfreados, injustificados pelas habilidades ainda tão débeis que possuía. Como um espécime tão falho poderia ser o Escolhido?
Skywalker lançou-se ao ataque, sendo interceptado quase de imediato pelos relâmpagos da Força de Dookan, que o tiraram temporariamente de combate, deixando-o livre para esmagar Kenobi. Com seu sabre de empunhadura curva, Dookan utilizava-se da Forma II, o Makashi, para aplicar golpes elegantes e precisos, como se estivesse dançando com seu oponente, que teve sua defesa supostamente impenetrável rompida pela pressão sutil e, ao mesmo tempo, letal imposta pelos movimentos graciosos do ex-Jedi.
Skywalker reergueu-se, confrontando-o com dois sabres de luz ao mesmo tempo, mesmo sem ter dominado o uso de apenas uma lâmina. Poder demais desperdiçado em alguém tão impulsivo. Em poucos instantes, Dookan decepa o braço direito de Anakin, preparando-se para finalizá-lo junto a seu mestre, quando Yoda, seu antigo mentor, surge no recinto, finalmente dando-lhe um rival à altura.
O Lado Sombrio havia lhe revelado poderes além dos que poderia sonhar com os Jedi, mas os séculos de experiência do Grão-Mestre ainda eram demais para ele, forçando-o a fugir, mas, inegavelmente, triunfante.
Darth Tyranus havia humilhado o Escolhido e seu mestre, e dado início ao conflito que Palpatine, seu mestre, coordenaria por ambos os lados, como o maestro de duas orquestras simultâneas. Ao plantar a semente da discórdia, Dookan venceu a guerra antes mesmo que ela começasse e, ao humilhar dois dos Jedi mais poderosos da Ordem, deixou claro que aquele tempo estava acabando. Todavia, ele próprio não fazia ideia de seu futuro no Império que nasceria das cinzas da República, e sua confiança ingênua em Palpatine foi justamente o que selou seu destino.
Em A Vingança dos Sith, Palpatine forja seu próprio sequestro, atraindo Anakin e Obi-Wan até a Mão Invisível para resgatá-lo, onde novamente teriam que confrontar Dookan. A dupla, em especial Skywalker, estava muito mais poderosa do que três anos antes e, por esse mesmo motivo, Sidious havia lhe dado orientações muito claras: desative Obi-Wan e pegue leve com Anakin.
Dookan tinha plena consciência de que seu mestre desejava Anakin como seu aprendiz, acreditando que um ser com tanto poder seria de grande valor em um futuro Império Galáctico, não como líder político ou aprendiz próximo ao Imperador, mas como um general das Forças Armadas. O que ele não sabia era que Sidious tinha um lugar muito especial reservado para Anakin: o seu.
O duelo começou, e Dookan notou uma melhora acentuada em Skywalker. Sua raiva estava contida, e seus ataques vinham em consonância com os de seu mestre. Eles pareciam lutar como um só, forçando-o a usar toda a sua habilidade para se defender. Como sempre, Kenobi deu uma brecha, sendo estrangulado e lançado contra uma estrutura metálica. Mais uma vez, Obi-Wan havia caído perante Dookan (já pode pedir música no Fantástico).
Sem seu mestre, Anakin adotou uma postura mais agressiva, ampliada pelas provocações de Dookan, que queria extrair o ódio do garoto ao máximo. Sem o pilar de seu mestre para mantê-lo centrado, ele certamente seria incapaz de manter seus sentimentos sob controle.
A fúria brutal de Skywalker batia com cada vez mais força sobre as defesas envelhecidas de Tyranus, como um trem chocando-se contra uma cerca de madeira. Em uma manobra rápida, Anakin decepou as duas mãos de Dookan, fazendo-o pagar o dobro pelo que havia feito com ele.
Estava fora de controle, Tyranus sabia disso e suplicava em silêncio para que seu mestre desse um fim àquilo, revelasse quem realmente era. No entanto, ele havia se esquecido da máxima dos Sith: só pode haver dois, e ele havia sido superado.
"Mate-o", ordenou Palpatine. Anakin reluta em pôr fim a um homem desarmado, por mais que seus instintos lhe dissessem que ele merecia esse fim. A moral que lhe foi ensinada desde que pisou no Templo Jedi lhe dizia não, mas a voz perversa, que parecia sempre andar lado a lado com seus desejos, lhe dizia sim. Em um rápido movimento, Anakin cortou a cabeça de Dookan, assumindo seu lugar como peão de Palpatine. O Conde de Serenno desejava mudar a galáxia, estava disposto a matar milhões por isso, só não esperava que a sua morte também fosse parte dos planos.
A morte do Conde mostra uma passagem de bastão, a continuidade da mentira de Palpatine, a mesma que o seduziu e o levou ao fim, assumindo uma nova forma para tentar Skywalker. Seu corpo e suas ideias foram mortos no mesmo instante, pois, durante todo aquele tempo, ele não estava lutando pelo bem da galáxia, e sim para que um único e cruel homem pudesse governá-la com punho de ferro.
Veredito
E para você, qual dessas foi a vitória mais impactante? E a derrota? Não deixe de comentar!
