As Maiores Vitórias e Derrotas em Star Wars

Após o estrondoso sucesso da nossa série de maiores vitórias e derrotas dos super-heróis de Marvel e DC, nada mais justo que trazer essa mesma pergunta a uma galáxia muito, muito distante. Os duelos em Star Wars vão sempre muito além do brandir dos sabres de luz e das muitas mãos decepadas (muitas mesmo). Todos carregam um significado enorme, tanto para os duelistas, para o propósito pelo qual lutam, e, principalmente, para os rumos da galáxia. Então, sem mais delongas, vamos analisar as maiores venturas e desventuras dos grandes Jedi e Sith de Star Wars.

STAR WARS

Rafael Silva

8/1/202614 min read

Darth Vader

O Lorde Sombrio dos Sith agiu como o Punho do Imperador durante as duas décadas do reinado tirânico do Império Galáctico. Todavia, o preço para se tornar o homem mais temido da galáxia foi terrivelmente alto.

Consumido pelo pavor de perder Padmé e pelo desejo de obter um poder que os Jedi durante toda a vida lhe negaram, Anakin Skywalker, o Escolhido destinado a salvar a galáxia e destruir os Sith, ajoelhou-se diante daquele que jurou destruir, prometendo-lhe lealdade em troca de poder para superar a morte.

Em nome de Darth Sidious, Darth Vader cometeu as maiores atrocidades, traindo, desonrando e matando todos aqueles que um dia chamou de amigos. Em Mustafar, mais uma rodada de matança desenfreada, com seus olhos finalmente brilhando no amarelo flamejante tipicamente Sith. Desde então, o lado sombrio passou a governar o seu destino, por uma porta que ele mesmo havia aberto.

Sua fúria desvairada o fez voltar-se inclusive contra a mulher que o levou a tomar aquela decisão, mostrando como as trevas haviam turvado definitivamente o seu julgamento. Quando seu mentor e irmão, Obi-Wan Kenobi, veio ao seu encontro, suas palavras soaram mudas para Vader. Os compromissos que fez para com a República, com a Ordem Jedi, até mesmo com Obi-Wan e Padmé, caíram por terra; apenas o poder lhe interessava. Sua arrogância atingia níveis estratosféricos; a Força fluía por ele com uma intensidade que ele jamais havia sentido antes, e Anakin tinha certeza de que nada poderia impedi-lo.

Kenobi inicialmente havia recusado confrontar seu antigo aprendiz, temendo não ser forte o suficiente não apenas para equiparar-se a ele em poder, mas principalmente, de não ser capaz de fazer o que precisava ser feito. Yoda insistiu, não apenas por ter a certeza de que Obi-Wan não teria chance alguma contra o Imperador Palpatine, mas também por saber que o estilo de combate Soresu, especialidade de Kenobi, focado principalmente na defesa e em drenar a energia do adversário, poderia ser um trunfo contra Skywalker. Contra um oponente infinitamente mais poderoso, defender-se e esperar era a única chance.

O duelo começou intenso, com Vader utilizando-se de Djem So para impor ataques ininterruptos contra as defesas de seu mestre, levando-os à sala de comando, onde, ao cruzar seus sabres, eles acidentalmente desativaram os escudos de defesa da estação, erguendo um mar de lava sob ambos.

Mestre e aprendiz seguiam duelando, enquanto o fogo os cercava por todos os lados, quase como se representassem o ódio nos olhos de Skywalker. Kenobi tentou lhe trazer a razão, mas o lado sombrio já havia fechado seus ouvidos. Vencer Obi-Wan não significava apenas pôr um fim a um Jedi importante do Conselho; era mostrar para si mesmo que o lado sombrio o havia tornado mais forte, dando-lhe a certeza de que ele havia tomado a decisão certa.

Exausto, Obi-Wan bloqueia mais uma série de ataques frenéticos de Anakin, antes de pular para o topo de uma encosta. O famoso: High Ground. Ele implorou para que seu aprendiz desistisse, mas Vader, consumido pelo próprio ego, recusou-se e, em um movimento impensado, tentou saltar sobre seu ex-mentor para atacá-lo pelas costas, mas, em uma rápida série de movimentos, Obi-Wan o decepou quase por completo, deixando-o caído às margens do lago escaldante, que logo começou a incendiá-lo. Com seu corpo, suas esperanças de tornar-se o ser mais poderoso da galáxia, de governar o Império, desintegraram-se por completo. Enquanto a dor consumia seu corpo e sua alma, seus olhos voltavam apenas para Obi-Wan, e sua boca foi capaz de dizer apenas o que havia restado em seu coração: “Eu te odeio”. O ódio, esse seria o sentimento responsável por manter o Lorde Sith de pé, quando até mesmo sua humanidade o havia abandonado.

Essa fúria foi a responsável por mantê-lo vivo até a chegada de seu mestre, por fazê-lo resistir a horas de uma cirurgia complexa sem nenhum tipo de anestesia e a suportar o peso de abrir os olhos e perceber o que havia restado. Sua visão agora passava por lentes infravermelhas, suas mãos mecanizadas lhe tiraram o prazer de tocar o mundo à sua volta, sua máscara o impedia de comer comida sólida e até mesmo de respirar livremente, suas pernas mecânicas o faziam tropeçar até mesmo ao dar um simples passo. Palpatine lhe prometeu poder absoluto, e agora ele era mais máquina do que homem, privado até dos prazeres mais simples, prisioneiro do seu próprio corpo.

A derrota para Obi-Wan foi muito além de uma humilhação; ela mudou completamente o destino de Anakin/Vader e da galáxia como um todo. Se jamais pudemos descobrir o potencial máximo do Escolhido, foi graças a essa derrota, que serviu como exemplo de como a soberba é capaz de derrubar até mesmo o mais poderoso dos guerreiros.

No entanto, essa derrota catastrófica moldou a personalidade de Vader, mudou seu estilo de combate, não apenas técnico ou tático, como o seu maior triunfo logo nos provou.

Em Darth Vader: Dark Lord of the Sith #5, o Lorde Sith recebe de Palpatine uma missão importantíssima: matar o Mestre Jedi Kirak Infil'a em uma lua fluvial. Infil'a havia feito o Voto de Barash, o que o manteve longe das Guerras Clônicas e imerso 100% em sua conexão com a Força. Vader deveria não apenas matá-lo, mas também roubar seu Cristal Kyber, para construir o seu próprio sabre de luz por meio do sangue derramado de um Jedi.

Vader aceita a missão, mas enfrenta dificuldades logo ao enfrentar os servos robô do Jedi. Seus membros cibernéticos lhe tiraram a velocidade e diluíram sua conexão com a Força. Ele era lento demais, desengonçado demais. Todavia, seu novo corpo lhe concedeu uma resistência fantástica, permitindo-lhe suportar os ataques e roubar um de seus bastões de combate, que usou para enfrentar Kirak.

O Jedi sente a fúria selvagem do seu inimigo, mas também a confusão, a distração. Era apenas um aprendiz. Sacando seu sabre de luz, Kirak enfrentou Darth Vader e, com uma rápida série de movimentos, despedaçou seu traje e o arremessou da montanha, fazendo-o chocar-se no chão dezenas de metros abaixo, completamente destroçado.

Era como voltar a Mustafar: ferido, sozinho, fragilizado. Foi nesse momento que Vader compreendeu: não bastava lutar como um Sith, era preciso pensar como um. O ódio o fortalecia, mas não era o suficiente para vencer. Se ele não jogasse sujo, como os Sith sempre fazem, jamais venceria.

Darth Vader utiliza pedaços dos droides destruídos para reconstruir-se, reconectando-se com seu novo corpo, reconhecendo sua força. Ao invés de voltar imediatamente ao confronto, o Lorde Sith explora o altruísmo Jedi e o usa contra ele. Utilizando-se da Força, Vader rompe uma barragem, inundando uma cidade com milhares de pessoas inocentes, que nada tinham relação com o duelo entre o Sith e o Jedi. Infil'a empenha-se em conter a inundação, enquanto Vader covardemente o estrangula com sua telecinese, aproveitando-se de sua distração. Um ciborgue com os membros remendados e destroçados, carregando entre seus circuitos uma carcaça ferida de um homem que estava disposto a matar milhares apenas para cumprir uma missão. Ao ver os olhos desse homem, o Jedi só pode falar a verdade: “Você é um monstro”, ao que Vader responde com a máxima honestidade: “Sim, eu sou”, quebrando seu pescoço e tomando seu sabre, enquanto os gritos de desespero continuam abaixo dele.

Com parte da missão cumprida, Vader leva o Cristal Kyber até Mustafar, até o local onde Anakin morreu e Vader nasceu. Ele precisava corromper a natureza luminosa do Cristal com seu ódio, mas a luz não morreria sem lutar. Ela lhe oferece visões de possíveis futuros, nos quais ele se volta contra Palpatine e é perdoado por Obi-Wan, arrependendo-se de seus gravíssimos erros e cumprindo seu destino. No entanto, a decisão de Vader já havia sido tomada. Ele havia utilizado a vida de milhares como massa de manobra, agido com uma covardia vil e cometido crimes pelos quais jamais se perdoaria. O ódio não era apenas poder, era um analgésico para uma verdade que ele jamais teria coragem de enfrentar. Ele então quebrou o cristal, tornando-o vermelho como o sangue que derramaria com ele. Ele agora, sem sombra de dúvidas, é um Lorde Sombrio dos Sith.

Luke Skywalker

"O maior professor, o fracasso é." Essa fala de Yoda exemplifica perfeitamente a trajetória do maior Jedi de todos os tempos e serve como ponte entre sua maior humilhação e sua maior glória.

Guiado por Obi-Wan, a Nova Esperança da Aliança Rebelde viajou a Dagobah, onde deveria ser instruído pelo antigo Grão-Mestre da Ordem Jedi, Yoda. O velho mestre testa a paciência do jovem e percebe que ela é bem curta, assim como a de seu pai. Velho demais, impaciente demais, perigoso demais. Yoda via nele tudo que levou Anakin ao lado sombrio, tudo que lançou a galáxia nas trevas.

Mesmo receoso, Yoda aceita treiná-lo por insistência de Obi-Wan. Por mais que o garoto tivesse um imenso potencial, sua teimosia e arrogância persistiam. Prova disso foi seu fracasso na caverna, onde, ao confrontar a visão de Darth Vader que veio ao seu encontro, o seu próprio rosto emergiu de seu capacete decapitado. Por mais que negasse, ele era o reflexo do homem que mais odiava.

Quando as visões com Han e Leia passaram a assombrar a mente de Skywalker, Yoda temeu pelo pior. O garoto não estava pronto. Se ele morresse, ainda haveria esperança, mas se Vader conseguisse explorar sua fragilidade e convertê-lo, a galáxia estaria definitivamente perdida. Antes de partir, Luke afirma com confiança: “Eu não tenho medo de nada”, ao que Yoda responde de maneira curta e grossa: “Mas vai ter”. E pode ter certeza, o futuro iria provar que o pequeno mestre estava certíssimo.

Luke viaja até Bespin, caindo perfeitamente na cilada criada por Darth Vader e finalmente ficando face a face com o homem que jurou destruir. Sua lâmina azul, herança de seu pai, cruzou-se com a vermelha da gárgula negra diante dele, e o confronto se iniciou abruptamente. Vader era um mestre do lado sombrio, e Luke, apenas um aprendiz. O Lorde Sith o estudou, deixou que desse o primeiro passo, permitiu que mostrasse seu poder. Após alguns segundos, Vader o desarma e o arremessa na Câmara de Carbonita, da qual Luke escapa instantes antes de tornar-se um picolé ao estilo de Han Solo.

O duelo prossegue, com Skywalker cada vez mais agressivo, algo que Vader encoraja, afirmando que somente o ódio poderia destruí-lo. O vilão mantinha-se no controle, provocando o garoto até o limite. Usando-se de sua telecinese, Vader atingiu o jovem Jedi com diversos objetos metálicos, arremessando-o por uma janela até uma ponte metálica, onde os últimos golpes foram trocados. Luke estava exausto, completamente superado, mas recusava-se a desistir. Seu ímpeto silenciou-se apenas quando, em um rápido movimento, Vader decepou sua mão direita, fazendo com que ela e seu sabre de luz, a última e única lembrança que um dia teve de seu pai, desaparecessem centenas de metros abaixo deles.

Skywalker só podia sentir ódio da figura diante de seus olhos, ódio pelo homem que feriu seus amigos, que arrancou sua mão, que matou seu pai. Porém, a raiva se transformou em medo no momento em que Vader soltou a célebre frase: “Eu sou seu pai”, convidando-o para se juntar a ele. Os avisos de Yoda, a visão na caverna, tudo fazia sentido naquele momento, e uma possibilidade aterradora martelava sua mente: talvez aquele realmente fosse o seu destino. Porém, permanecendo leal aos ensinamentos de Yoda, Luke rechaçou o lado sombrio, pulando para a morte quase certa no fosso de Bespin, deixando Vader estático, vendo a única família que lhe restava preferir a morte a estar ao seu lado.

A Força salvou Luke novamente, conectando-o com Leia, que conseguiu resgatá-lo. Durante meses, Skywalker pensou sobre aquele momento, sobre a semente que havia plantado em seu coração. Ele tinha raiva, tinha medo, assim como Vader, que, mesmo como um Jedi totalmente treinado, não foi capaz de impedir que tais sentimentos governassem seu destino. Ao mesmo tempo, seus sentimentos por ele turvaram seu julgamento. Ele se esforçava para ver além da máscara, além dos horrores cometidos pelo homem sem rosto por trás dela. Isso contrariava o desejo de Kenobi e Yoda, que temiam que tais sentimentos, por mais que lhe dessem méritos, se tornassem armas nas mãos do Imperador, assim como foram contra Anakin.

Porém, rebelde como sempre foi, Luke manteve sua fé e se deixou levar por seu pai até a Sala do Trono do Imperador. No caminho, Skywalker tenta lembrar Vader de seu passado, do verdadeiro eu que tentava enterrar por meio do ódio. Essas palavras atingem Vader com mais potência que um sabre de luz; todavia, ele prefere lutar contra a fé de seu filho, prefere ceifar suas próprias esperanças ao dizer: “É tarde demais para mim, filho”.

Diante do Imperador, Luke é testado ao limite, com Sidious usando contra ele todos os artifícios que usou contra Anakin: promessas de poder ilimitado, habilidade para salvar aqueles que ama da morte, a chance de finalmente libertar seu ódio e vê-lo ampliar seu poder. Skywalker cede e tenta matar o Imperador, sendo detido no último instante por seu pai, iniciando um novo duelo contra ele.

Luke desejava salvá-lo, enquanto Vader queria seu filho ao seu lado nas trevas. O duelo ali não é físico, é mental. Dessa vez é o Lorde Sith quem se lança ao ataque, com Skywalker limitando-se a defender-se, muitas vezes esgueirando-se para longe dele, evitando o conflito. Sabendo que o Jedi não iria atacá-lo, Vader decide atiçá-lo, mostrando saber que Leia era sua irmã, e ameaçando trazê-la ao lado sombrio, caso ele não o faça. Finalmente a ferida havia sido tocada, e Luke avança, imerso em fúria, sobre seu pai, e, com uma série de golpes poderosos, rompe suas defesas, arrancando sua mão, assim como ele o fez.

Palpatine aproxima-se, aplaudindo o garoto. Seu ódio o havia feito poderoso, digno de herdar o lugar de seu pai ao lado do trono. Skywalker olha para os circuitos expostos no braço de Vader e, logo em seguida, olha para sua própria mão cibernética. Eram as consequências do lado sombrio de maneira física diante dele. O medo, o ódio e, finalmente, o sofrimento. Ele conheceu seu poder, mas jamais trilharia os seus caminhos. Ao lançar seu sabre longe e recusar-se a matar seu pai, Skywalker mostrou ser digno das esperanças dos Jedi, e foi sua fé no resquício de bondade que havia em Vader que tornou possível a Anakin Skywalker emergir das cinzas, matar o Imperador e cumprir seu destino, trazendo equilíbrio à Força.

O trunfo de Luke não reside somente em superar Vader em combate, reside em enfrentar cada uma das tentações às quais ele disse sim, e lhes dizer não.

Darth Revan

O Escolhido da Velha República, o maior símbolo dos Legends para fechar essa viagem com chave de ouro. Revan foi um dos guerreiros mais poderosos da Ordem Jedi e, ao mesmo tempo, um dos mais rebeldes. Ele não suportava a inação do Conselho diante das inúmeras crises que assolavam a galáxia. Como eles poderiam se considerar Guardiões da Paz, se permaneceram de braços cruzados diante da guerra?

Quando os mandalorianos, sob manipulação do poderosíssimo Imperador Sith, Darth Vitiate, atacaram a República, Revan simplesmente ignorou o Conselho Jedi, reunindo-se com seus seguidores e amigos mais leais, como Meetra Surik e Malak, e partiu para a guerra, liderando o exército republicano.

O brilhantismo tático de Revan fez com que um conflito quase perdido começasse a pender em favor da República, com os mandalorianos isolando-se cada vez mais em seus territórios, até que, finalmente, o Jedi convidou Mandalore, o Supremo, para um duelo decisivo. O líder mandaloriano lutou bravamente, mas não foi páreo para o poder magnífico do Cavaleiro Pródigo, que o pôs de joelhos e tomou dele sua icônica máscara. Todavia, foi a partir dele que Revan descobriu a terrível verdade por trás daquele conflito: ele não passava de um teatro orquestrado pelos Sith, para testar as defesas da República, e algo muito pior ainda estava por vir.

Sem pensar duas vezes, Revan e Malak partiram para as Regiões Desconhecidas, deixando que a Força os levasse até a origem daquela energia sombria. Eles estavam em uma caçada, só não sabiam que eles eram a presa.

A presença os levou até Dromund Kaas, capital do colossal Império Sith. Eles se infiltraram na Sala do Trono do Imperador e, ao ficarem diante dele, sentiram a extensão quase infinita de seu poder. Apenas sua presença fez com que suas mentes perdessem a vontade sobre seus corpos. A sede pelo confronto se foi, e suas memórias passaram a ser reescritas por Vitiate, que os transformou em Darth Revan e Darth Malak, duas marionetes a serviço de sua vontade. Ele os derrotou sem sequer levantar-se de seu trono.

Como agentes do Imperador, os dois Sith iniciaram um novo conflito contra a República, que passou a ser devastada pela genialidade militar de Revan. Em desespero, o Conselho Jedi finalmente decidiu agir, enviando uma equipe de Jedi liderada por Bastila Shan ao encontro de Revan. O objetivo era um só: detê-lo, não importa o jeito. Revan se viu cercado pelos Jedi e sacou seu sabre, pronto para o confronto. O que ele não sabia era que, na outra nave, Malak o observava. Era uma chance única: matar os Jedi, junto ao único Sith acima dele na hierarquia. A sede do poder dos Sith havia lhe tirado qualquer senso de honra ou irmandade. Assim, Darth Malak ordenou que seus artilheiros destruíssem a nave de Revan, deixando o Sith à beira da morte.

Bastila o resgata, levando-o ao Conselho Jedi, que toma as decisões mais questionáveis de sua história. Ele foi um herói da República, mas também foi um de seus maiores inimigos. Ele era a única esperança de deter Malak, mas também era perigoso demais para permanecer vivo. O que fazer? Usando-se da Força, o Conselho simplesmente reescreveu as memórias de Revan mais uma vez, limpando por completo sua mente da influência do lado sombrio. Basicamente, fizeram o inverso do que Vitiate havia feito com ele.

Assim, Revan tornou-se um simples soldado sob o comando de Bastila, que tentou usá-lo para localizar Malak e sua Forja Estelar, uma relíquia do antiquíssimo Império Rakata, que fornecia naves praticamente infinitas para os Sith.

Em dado momento, Bastila é capturada por Malak e trazida ao lado sombrio por ele. Nesse instante, Revan aceita voluntariamente a luz como sua aliada mais uma vez e vai ao encontro de seu antigo amigo. Usando-se da conexão mental entre eles, Revan liberta Bastila da influência de Malak, fazendo por ela o mesmo favor que ela fez por ele. Nascia ali um dos romances mais intensos da Velha República. Mas ainda havia uma batalha para vencer.

Sabendo não ser páreo para seu ex-mentor, Malak drena a energia de diversos Jedi mantidos em coma em sua nave, tornando-se forte o suficiente para equiparar-se a Revan.

Percebendo a armadilha, o guerreiro liberta os Jedi dessa corrente, tirando de Malak seu único trunfo. E, em um duelo justo, ele nunca foi páreo para Revan, que o derrota. Em seus últimos suspiros, o Lorde Sith expressa sua admiração pelo anti-herói da Velha República: "E assim termina. Eu queria ser o Lorde dos Sith e governar a galáxia. Mas, no fim, eu não sou nada. Você, Revan... você foi o verdadeiro mestre. No final, o Lado Sombrio me destruiu, como destruirá a todos."

Revan foi um divisor de águas, um salvador e destruidor, um libertador e um opressor, um guardião da luz e um bastião das trevas. Seu maior fracasso foi ter cedido ao lado sombrio, e seu maior trunfo foi corrigir essa falha, mostrando a complexidade por trás desse ícone dos Legends.

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