As Maiores Vitórias e Derrotas dos Super-Heróis

Após o crescente sucesso de nossa primeira publicação revisitando os maiores triunfos e humilhações da Trindade dos Heróis: Batman, Superman e Homem-Aranha, nada melhor do que seguir explorando as glórias e fracassos de seus colegas de profissão. Hoje, vamos conhecer os altos e baixos de Demolidor, Flash e Mulher-Maravilha, considerando quaisquer mídias, dos quadrinhos até as animações. Sem mais delongas, vamos para mais uma viagem pelo universo dos super-heróis.

MARVEL E DC

Rafael Silva

7/9/202611 min read

Demolidor

O Homem Sem Medo, especialmente na Era Frank Miller, tornou-se um dos heróis mais emocionalmente carregados da Marvel, com tramas densas e dramáticas, levando o herói ao limite físico e, principalmente, psicológico. E não existe momento mais tenso na trajetória do advogado de Hell's Kitchen quanto as edições #174-175 de Demolidor, em que seu maior inimigo usou o amor de sua vida para tentar ceifá-la.

Na ocasião, Wilson Fisk contratou ninguém mais, ninguém menos que Elektra Natchios, a mais mortal entre as assassinas da Casta, para dar um fim à maior pedra que já havia entrado em seu sapato. O que ele não sabia era que estava matando dois coelhos com uma cajadada só, uma vez que herói e assassina tinham um passado muitíssimo quente juntos, e o confronto entre os dois seria muito mais que um simples e sanguinário duelo, o que, para ele, seria um grande trunfo.

Anos antes de assumir o manto de Demolidor, Matt Murdock teve um caso para lá de intenso com Elektra, que, mesmo sendo bem fora da casinha (convenhamos, assim como o próprio Demolidor), compartilhava com o garoto cego uma paixão incomum e perigosa pelo combate e pela adrenalina. Ambos envolveram-se em diversas enrascadas, desde brigas de rua até lançar-se de um precipício com o carro de seu pai (sim, isso aconteceu). Ela tornava a violência selvagem que Matt tentava enterrar no fundo de sua mente, algo comum e natural, que poderia fluir normalmente. Não era só o prazer de estar com ela, era também o prazer de poder ser ele mesmo somente ao lado dela.

Por mais que Foggy Nelson e até mesmo Stick, seu mentor, lhe alertassem quanto aos riscos daquela paixão irracional, ele pouco se importava. No fundo, ele sabia que ela era a única que de fato o entendia, e jamais seria capaz de deixá-la. Por sorte de Nova York e azar de Matt, ela mesma o deixou, quando seguiu as vozes que ecoavam em seu inconsciente, e partiu para unir-se a Casta.

Anos depois, eles se reencontram, irreconhecíveis da última vez, e em lados muito opostos da lei, apesar de ainda compartilharem da mesma força motriz. O confronto se inicia no topo de uma igreja, e Elektra toma a dianteira, atacando-o com suas sais, sem medo algum de matar, livre das amarras que, ao mesmo tempo que limitavam seu oponente, faziam dele alguém minimamente diferente dela.

Ao perceber com quem estava lutando, Matt tenta contê-la, segurando seus golpes e recusando-se a dar tudo de si, algo que acabou lhe custando muito caro. Após ter seu uniforme retalhado pelas lâminas da inimiga rubra, ele acaba chutado do topo da igreja, chocando-se violentamente contra o chão, onde continua sendo impiedosamente espancado pela mulher que um dia amou, e com a infeliz certeza de que apenas ele havia mudado desde a última vez que haviam se visto.

Com a lâmina pontiaguda direcionada para seu pescoço, Elektra é incapaz de finalizar seu serviço e poupa o Demolidor, em uma hesitação que faria o Rei do Crime perceber os sentimentos ocultos que ela ainda não havia sido capaz de expurgar totalmente de seu coração. Sua piedade inédita seria justamente o motivo de sua morte em Demolidor #181, pelas mãos do Mercenário, o que viria a ser talvez o golpe mais duro do Rei do Crime contra seu arqui-inimigo. A partir do momento em que sua amada voltou para sua vida, uma espiral de trevas passou a rondar a vida do Demolidor.

No entanto, algo que define o Homem Sem Medo é a sua inigualável resiliência, mostrando-se capaz de superar todas as artimanhas de Fisk, não importa o quão cruéis sejam, e, em alguns momentos, até mesmo usá-las contra o próprio.

Em Demolidor: Rei da Cozinha do Inferno, de Brian Bendis e Alex Maleev, Demolidor e Rei do Crime passam por momentos um tanto quanto inusitados. Após ter sua identidade revelada por Sammy Silke em "A Queda", Murdock passa a viver um verdadeiro pandemônio em sua vida pessoal, cercado de jornalistas, policiais e até mesmo antigos inimigos em busca de perdão, enquanto ele mesmo insiste em negar a verdade, contratando Jéssica Jones para servir-lhe como guarda-costas (chamar uma aliada conhecida de seu alter ego como segurança não foi lá uma grande ideia…).

Ao mesmo tempo, Wilson Fisk, que havia sido traído e quase morto por sua própria esposa, “volta dos mortos” para reconstruir seu Império. Por mais que o Demolidor e as pessoas boas de Nova York enxergassem Wilson como uma doença, a sua ausência demonstrou que na realidade, por pior que ele fosse, ele era o responsável por manter a infecção controlada. Durante meses, o Coruja assume o comando do seu Império criminoso, enquanto outras gangues infestam as ruas com drogas indiscriminadamente, contrariando a “elegância” pregada por Fisk. Ele então decide matar um a um desses traidores, e reconquistar seu lugar no topo por meio não só da inteligência como sempre fez, mas principalmente, da força.

Conforme ele se aproxima do trono, o submundo da cidade passa a orbitá-lo novamente, como se o coração fosse reconectado às artérias do crime. Para livrar-se definitivamente de Murdock, Wilson contacta o Mercenário, um homem que ele mesmo despreza, mas que sabe que irá desafiar o Demolidor não apenas fisicamente, mas irá reabrir a ferida de Elektra em seu peito. Mais uma vez, ele não deseja apenas destruir o homem, ele deseja destruir a lenda que ele carrega.

O assassino quase consegue assassinar o novo interesse romântico de Murdock, a jovem Milla, mas dessa vez o herói estava lá para proteger sua amada, e em uma luta brilhantemente desenhada por Alex Maleev, ele surra o Mercenário de maneira selvagem, entregando-se completamente a sua raiva, e deixando-o à beira da morte, mas, preferindo humilhá-lo com a certeza de que teve sua vida nas mãos, e preferiu poupá-la, não por piedade, mas por desprezo. No entanto, o trabalho ainda não estava completo.

Possesso, ele vai ao encontro do Rei do Crime em sua reunião e inicia um duelo diante de todos os outros chefes do crime. Não bastava vencer o homem; ele precisava vencer o que ele representava, e ele havia aprendido isso com o melhor.

Ao longo da intensa luta, Maleev mistura os traços de diferentes épocas do Demolidor, exaltando a rivalidade que na época já ardia há quatro décadas. Enquanto o Demolidor aposta em sua agilidade e reflexos, Fisk aproveita-se de sua força monumental para golpeá-lo com firmeza, mas nada parecia capaz de superar a fúria do Homem Sem Medo, que arremessa Fisk contra um carro, fazendo-o tombar diante de todos aqueles que um dia o temeram, sem saber que, naquele momento, seu rei havia perdido a coroa, que agora pertencia ao seu algoz.

Nesse momento, o Demolidor se declara o Rei de Hell's Kitchen, aquele a quem todos aqueles criminosos deviam respeito.

“Estou aqui para dizer que, se vocês precisam tanto assim de um Rei, de alguém para ser o seu senhor, pois então serei eu”, disse o Demolidor aos piores de Nova York, para que soubessem que seu tempo havia acabado, de que agora eles nunca mais teriam trégua, de que seu rei havia finalmente caído de seu trono, que nunca mais ficaria vazio.

Flash

Na DC, poucas relações entre herói e vilão são tão intensas quanto Flash e Flash Reverso, que funcionam, como o próprio nome sugere, como a mais pura antítese um do outro. Eobard Thawne surgiu nas HQs do Velocista Escarlate em Flash #139 (1963), como um viajante do tempo que havia se tornado um notório fora da lei no futuro, replicando os poderes do Homem Mais Rápido do Mundo. Futuramente, essa rivalidade ganharia uma faceta muito mais pessoal. Thawne inicialmente nutria uma admiração obsessiva pelo herói, chegando a repetir o acidente que lhe concedeu os poderes. No entanto, ao perceber que jamais poderia ser como Flash, sua admiração tornou-se ódio, e desde então, ele faria tudo, literalmente tudo que fosse possível para feri-lo, de todas as formas possíveis. Infelizmente para Barry Allen, sua maior derrota veio de um erro totalmente seu, em que seu maior inimigo apenas precisou se aproveitar da oportunidade.

Em Ponto de Ignição (Flashpoint, 2011), Barry visita o túmulo de sua mãe, Nora Allen, pela primeira vez desde que descobriu que o próprio Eobard a tinha matado. Incapaz de suportar a dor, ele toma uma decisão impensada. Usando-se da Força de Aceleração, Allen consegue mudar o fluxo temporal, criando uma espécie de nova realidade em que sua mãe ainda vivia. Até então, tudo ótimo, não é? Poderia ser... se o mundo à sua volta não estivesse um completo caos, e o pior: ele não tinha poderes para fazer qualquer coisa a respeito disso.

Nessa realidade, Mulher-Maravilha e Aquaman passaram por um “divórcio conturbado” após Mera tentar matar a Amazona ao descobrir o caso secreto que mantinha com seu marido, e, ao ser assassinada, despertou a fúria do Rei de Atlântida quanto à mulher que até pouco amava, e contra todo o seu povo, mergulhando a Terra em uma guerra sem fim. Superman jamais havia caído no Kansas, tendo sido preso ainda bebê em uma instalação militar. Hal Jordan era simplesmente um piloto e o Ciborgue era um agente do governo. O mais estranho talvez tenha sido Batman, que agora escondia o rosto do amargurado Thomas Wayne por trás de sua máscara.

Com ajuda do novo Batman, Flash com muito custo recupera seus poderes e reúne-se com os poucos heróis restantes para tentar impedir que Atlantis e Amazonas acabem com a humanidade. Enquanto vê antigos amigos matando uns aos outros e o mundo como conhece arder diante de seus olhos, Flash apenas consegue se perguntar: quem fez isso? A resposta vem com um soco inesperado de Nêmesis, que, por meio das palavras, trazia um golpe muito, mas muito mais forte:

“Olha só o que você fez.”

Essa simples fala foi um balde de água fria em Barry, pois, por mais que o vilão tenha provocado seu desespero ao assassinar sua mãe, a decisão de pôr a vida de trilhões de seres em risco por ela foi totalmente dele. Ele sacrificou seu mundo por uma vida, e agora não podia suportar as consequências disso.

Todavia, Flash Reverso lhe bateu mais com os punhos do que com argumentos, humilhando-o completamente enquanto celebrava seu triunfo definitivo, pelo menos até o momento em que Batman atravessou seu peito com uma espada bizarramente grande (esse não tinha dó), matando-o de imediato.

Por mais que Barry tenha conseguido reverter o estrago correndo como nunca antes, ele teve que voluntariamente sacrificar a pessoa que mais amava no mundo mais uma vez, carregando consigo o peso de vê-la morrer mais uma vez, e de saber que impedir isso causaria a dor de muitas outras pessoas, entre elas, suas melhores amigas. Sem dúvida, uma derrota física e psicológica extremamente dura para o Homem Mais Rápido do Mundo.

Se Barry Allen carrega a maior derrota, Wally West detém a vitória mais épica entre os velocistas que vestiram o manto escarlate.

No arco “Blitz", West enfrenta Zoom, que, na ocasião, além de sua supervelocidade padrão, aproveita-se da força de aceleração para modificar a linha temporal, tornando-se tão veloz que até mesmo Flash parecia uma estátua diante dele. Para ressaltar o quão fascinante é isso, Wally West já foi capaz de correr mais rápido que um teletransporte instantâneo (não tente procurar lógica nisso… quadrinhos).

Para superar a velocidade incalculável de seu oponente, Wally deu uma leve trapaceada e passou a canalizar a velocidade de outros velocistas, como Bart Allen e Jay Garrick. A velocidade que atingiu foi tamanha que ele nem ao menos conseguia conectar-se ao mundo à sua volta, usando-a rapidamente para desferir uma rápida série de golpes contra o vilão, lançando-o em uma fenda no tempo, podendo essa ser a única forma de realmente contê-lo. Naquele momento, Wally West era inquestionavelmente não apenas o homem mais rápido do mundo, mas possivelmente, do universo.

Homem de Ferro

O Gladiador Invencível protagonizou um dos maiores conflitos da história dos quadrinhos da Marvel: a Guerra Civil, em que se pôs contra o homem que antes tinha como um irmão: o Capitão América.

Na ocasião, Stark inclinou-se a apoiar as medidas de regulamentação dos super-heróis impostas pelo governo, tendo em vista os imensos estragos que vinham causando, como Hulk destruindo cidades ou heróis adolescentes explodindo bairros. Mesmo sabendo que isso implicaria na corrupção dos heróis pelo sabidamente imoral sistema político e na prisão de todos aqueles que se recusassem a aceitar a nova lei, ele se ajoelhou às exigências, apenas para tirar aquele peso da sua consciência, assim como Reed Richards, Hank Pym e, por um certo período, até mesmo o Homem-Aranha.

Por outro lado, Steve bateu o pé, e junto com vários outros heróis, como Demolidor, Luke Cage, Hércules e Falcão. Durante o conflito contra seus ex-amigos, Stark não deu a mínima para qualquer limite moral: pôs vilões para agirem como vigilantes, criou um clone psicopata do Thor (sem o seu consentimento), que acidentalmente mata Golias e tenta obrigar os X-Men e o Reino de Wakanda a unir-se à sua causa cada vez mais sanguinária.

Ele enfrenta diretamente o Capitão América em duas ocasiões, com resultados bem diferentes, em todos os sentidos. No primeiro, Stark leva clara vantagem, usando tecnologia para atingir o sistema nervoso do soldado, fazendo-o urrar de dor sem ao menos precisar se mover. Se não fosse pela intervenção de Falcão e Hércules, não se sabe até onde a tortura cruel imposta por Stark contra Rogers iria se estender.

No segundo e último confronto, ambos lideram suas mega-equipes em uma batalha destrutiva no centro de Nova York, e, dessa vez, é o Capitão quem joga sujo, ordenando que Visão desative o traje de Stark, revelando-o como o que é: apenas um homem normal. A surra foi feia, com Rogers devastando a armadura do bilionário com seu escudo, até ser dramaticamente detido pelos próprios civis, que estavam exaustos daquele horror promovido por aqueles que deveriam defendê-los. Ao perceber o estrago que havia feito, ao notar que havia se tornado tudo aquilo que criticava em Stark, Rogers se entregou, acabando com o conflito entre os heróis, sendo moralmente derrotado por si mesmo, mas dando a vitória final a Stark.

Por mais que tenha apanhado no momento derradeiro, Stark mostrou-se claramente superior em combate, e no fim, por mais imoral que tenha sido ao longo de toda a saga, chegando a perder a lealdade de heróis como Homem-Aranha e Mulher Invisível, sua filosofia foi vitoriosa. Pena que Thor não deu a mínima para isso quando chegou à Terra tempos depois…

Em Thor: Renascer dos Deuses, o Filho de Odin retorna à Terra após o Ragnarok e decide restaurar Asgard em território americano, conjurando um imenso palácio, algo que é um tanto quanto ilegal nas leis terráqueas. Como o novo “vigilante de vigilantes”, o Homem de Ferro tinha a obrigação de impor as leis do Registro a todos os meta-humanos, sem exceção. Porém, era óbvio que, com Thor, o buraco seria bem mais embaixo.

Quando os Vingadores se encontram, Thor ignora completamente as cordialidades de Stark, possesso por saber o clone secreto que ele havia feito com base nele, e por trair a lealdade daqueles que lutaram ao seu lado. Para um guerreiro honrado, aquilo era inadmissível.

Stark tenta conter a fúria do novo Rei de Asgard com seus repulsores, que, mesmo na máxima potência, não o fazem sequer se mexer, assim como seus ineficientes socos. Por outro lado, os golpes firmes do Mjolnir arremessavam Tony como se fosse um boneco de pano, até ser finalizado com um raio que simplesmente destruiu sua armadura. De joelhos perante Thor, o Homem de Ferro limitou-se apenas a deixá-lo falar:

“Ficarei neutro diante dessa guerra entre irmãos, não me faça reconsiderar minha posição”, disse Thor antes de jogar o traje desintegrado de Stark no chão, fazendo-o voltar literalmente a pé para casa, já que seus propulsores já o haviam abandonado.

Essa surra certamente lavou a alma dos fãs do Capitão América e é certamente a maior derrota do Gladiador Invencível (que não é tão invencível assim).

E para você, quais foram as maiores vitórias e derrotas desses heróis? Não deixe de comentar!

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