AS MAIORES VITÓRIAS E AS PIORES DERROTAS DOS SUPER-HERÓIS
Todos estamos acostumados a ver os grandes super-heróis de DC e Marvel conquistando vitórias épicas, como é o natural em qualquer HQ. No entanto, algumas realmente entram para a história do personagem, como momentos de superação inigualáveis. Ao mesmo tempo, existem aqueles momentos onde esse mesmo herói é completamente humilhado, gerando momentos tão marcantes quanto. Hoje, vamos revisitar as vitórias mais grandiosas e as derrotas mais traumatizantes da carreira dos maiores heróis dos quadrinhos.
MARVEL E DC
Rafael Silva
6/29/202615 min read
Batman


É impossível falar sobre os maiores trunfos do Homem-Morcego sem lembrar de sua icônica vitória contra o Superman na HQ O Cavaleiro das Trevas (1986), escrita por Frank Miller.
Bruce Wayne havia abandonado sua identidade secreta há mais de vinte anos, assim como praticamente todos os membros da Liga da Justiça, com exceção do Superman, que permaneceu ativo, mas totalmente subserviente ao governo americano. Aquele que um dia havia jurado proteger toda a humanidade agora servia como cão de guarda para um único poder, que não hesitava em usá-lo como ferramenta de dissuasão.
Enquanto isso, a gangue Mutante, composta por criminosos fisicamente alterados devido ao intenso tráfico de drogas, inunda as ruas de Gotham City com violência e morte, fazendo com que Wayne, mesmo velho, doente e cansado, vista novamente o manto que havia jurado nunca mais usar. Ele havia se tornado um magnata recluso e sem propósito, mas, após colocar a máscara novamente, finalmente reencontrou a si mesmo, aquele que há tanto tempo havia perdido.
Sua volta à ativa fez com que o Presidente interviesse, mandando o Superman para capturá-lo. Clark, mais de uma vez, tenta convencer seu velho amigo a deixar a cruzada, a ser submisso e alienado ao mal à sua volta, mas Batman se recusava a agir assim; então, só lhes restou o confronto. O Superman, obviamente, se segura, recusando-se a usar mais que o mínimo de sua força contra um idoso. Não era apenas um homem contra um deus; era uma completa inversão de papéis. Batman, por incrível que pareça, simbolizava a esperança e a liberdade, enquanto o Superman representava um mundo cinza e autoritário. Ele aterrorizava em vez de inspirar.
Todavia, o Batman levou a luta muito a sério e não poupou o Superman de seu famoso preparo. Sua armadura blindada, somada a rajadas sônicas e cargas elétricas, conseguiu arrancar alguns pingos de sangue do Escoteiro Azul. No entanto, nada que de fato o fizesse parar. Com poucos ataques, ele tinha o Batman sob seu controle, até que a última etapa do plano fosse posta em ação.
A vários metros dali, Oliver Queen, o antigo Arqueiro Verde, disparou uma flecha precisa nas mãos do Superman, dissipando no ar uma versão gasosa da famosa Kryptonita, a única chance que verdadeiramente tinham contra o Homem de Aço.
Despido de seus poderes ilimitados, o Superman enfrenta o Batman como pode, como um homem qualquer, e é espancado pelo Cruzado Encapuzado, que sente seu próprio corpo cansado ceder cada vez mais. Segurando-o pelo colarinho, o Cavaleiro das Trevas diz uma de suas frases mais marcantes:
"Quero que se lembre, Clark, para o resto de sua vida. Nos seus momentos mais íntimos, quero que se lembre de minha mão na sua garganta. A mão do único homem que derrotou você."
Certamente, nem eles nem os fãs de ambos os heróis se esquecerão disso.
A Queda do Morcego: O Fracasso Diante do Homem
Porém, nem só de glórias se faz a trajetória do maior herói da DC e, em Batman #497 (1993), o Cavaleiro das Trevas foi partido ao meio.
Durante o arco A Queda do Morcego, Bane, um mercenário vindo de Santa Prisca, tem como objetivo destruir o Batman, não por dinheiro ou poder, mas simplesmente para tirá-lo de sua mente. Desde a infância, a qual viveu inteiramente em uma prisão, Bane era assombrado pela visão de uma criatura horripilante semelhante a um morcego que protegia uma cidade tomada pelo crime. Para o brutamontes, não bastava apenas derrotá-lo fisicamente; era preciso destruí-lo de todas as maneiras possíveis e mostrar-se superior em todos os aspectos.
Ao observar Bruce Wayne em sua mansão, Bane facilmente deduziu que ele era seu tão aguardado adversário. Apenas ao ver a forma como o bilionário se movia, falava e respirava, o mercenário foi capaz de solucionar o maior mistério de Gotham em poucos instantes. Desde cedo ficava claro que, contra aquele inimigo, não haveria máscaras nem sombras onde o herói pudesse se esconder. Teatralidade e ilusão seriam inúteis quando o Batman fosse arrastado para fora de sua zona de conforto e obrigado a lutar sem nenhuma de suas armas contra um oponente muito mais forte.
Logo ao chegar na cidade, Bane e seus leais capangas libertam os detentos mais insanos do Asilo Arkham, como o Coringa, Duas-Caras, Charada e Hera Venenosa. Eles rendem ao Cruzado Encapuzado várias semanas ininterruptas de trabalho, levando sua mente e seu corpo ao limite para impedir que as mentes mais doentias da cidade pudessem agir. Sempre à espreita, Bane o analisava, conhecia cada um de seus movimentos, suas táticas e seu emocional, descobrindo maneiras de quebrá-los, um a um.
Quando teve a certeza de que o Batman estava exausto e de que o veneno já havia lhe dado força o bastante, Bane simplesmente invadiu a Batcaverna. Surrou Alfred e esperou pacientemente por seu oponente. Quando Bruce chegou, lutava para manter os olhos abertos, com os músculos falhando até mesmo para andar. Ele entrou na caverna apenas para ter o choque de ver seu fiel mordomo lançado aos pés do homem que há tanto tempo esperava conhecer. Sua máscara estava no chão, suas paredes agora eram de vidro, e não havia mais nada que pudesse fazer para surpreender um inimigo que sabia cada detalhe sobre sua presa.
Como de costume, o Batman lutou como nunca, usando toda a força que ainda lhe restava para vencer o titã diante dele, que não parecia sentir nenhum de seus golpes. O herói foi lançado de um lado ao outro de sua própria caverna, até que finalmente Bane o teve totalmente sob controle. Erguendo-o sobre os joelhos e golpeando-o como uma tábua, Bane quebrou o corpo e o espírito do Cavaleiro das Trevas em um único impacto.
Não satisfeito em destruir o homem e o símbolo que o atormentava em seus pesadelos, Bane o levou ao centro de Gotham, lançando seu corpo diante de milhares de cidadãos incrédulos. Todos sabiam que seu maior defensor havia caído e que agora suas vidas estavam nas mãos daquele criminoso que não apenas derrotou, mas humilhou completamente o herói que, para eles, era invencível.
O Batman já havia sido derrotado fisicamente muitas outras vezes, mas aquela era totalmente diferente; nenhum vilão o havia atingido de forma tão pessoal quanto Bane. Ele foi despido de sua aura e de seu símbolo, transformado em um homem qualquer, sem nada além de suas forças limitadas e exaustas, abrindo uma ferida física e psicológica que levaria muito tempo para cicatrizar.
Superman


A rixa entre Superman e Darkseid é uma das mais ardentes da DC, uma vez que ambos são simplesmente os bastiões do bem e del mal, da vida e da morte naquele universo. Na saudosa série Liga da Justiça: Sem Limites (2001, 2004) e Superman (1996), que muitos de nós brasileiros conhecemos graças ao SBT, o Homem de Aço e o Tirano de Apokolips duelaram três vezes.
Na primeira ocasião, na série animada do Escoteiro Azul, mais precisamente em seu último e icônico episódio, o Senhor da Entropia capturou o Homem de Aço, o maior símbolo da justiça e do heroísmo na Terra, e o subverteu completamente. Ele o transformou em um servo leal de sua causa assassina, fazendo dele o filho que sempre desejou.
Usando sua força quase ilimitada, Darkseid pôs a Terra de joelhos. Agora, as pessoas temiam olhar para os céus, pois sabiam que não encontrariam esperança lá, apenas a morte.
No entanto, o Homem de Aço foi capaz de quebrar o domínio mental de Darkseid graças a Lois Lane. Possesso, voltou a Apokolips para vingar-se do monstro que manchou seu símbolo, que o fez trair não só a humanidade, como seus próprios princípios. Kalibak foi facilmente derrotado, deixando Darkseid totalmente sozinho contra a fera que havia libertado.
Os golpes trocados entre os dois titãs faziam o palácio do tirano tremer. Por mais que o vilão castigasse o herói com seus raios ômega, nada era capaz de conter sua fúria. Em uma demonstração impressionante de poder, o Homem de Aço tapa os olhos flamejantes de Darkseid com suas próprias mãos, fazendo seus raios voltarem contra ele mesmo, incinerando boa parte de seu corpo e deixando-o à beira da morte.
No entanto, Superman estava determinado a não se transformar naquilo que Darkseid tentou transformá-lo: um agente da morte. Todavia, a vitória de Superman não foi completa. Os escravos de Darkseid não o abandonaram, pelo contrário, permaneceram leais a ele, ajudando-o a retornar ao seu palácio. Por mais que ele os oprimisse e explorasse, eles jamais trairiam o seu deus.
Já Superman, ao voltar à Terra, foi visto com desconfiança por todos. Por mais que ele tivesse salvo a humanidade incontáveis vezes, sua traição condicionada condenou sua reputação para sempre. Essa inversão de papéis e valores causada por Darkseid fez com que Superman o odiasse mais do que qualquer outro vilão de sua extensa galeria. Isso se refletiu em seus confrontos posteriores, nos quais o Homem do Amanhã veio com a clara intenção de dar um fim definitivo ao ditador.
Em seu segundo encontro, no episódio Crepúsculo: Parte 2, de Liga da Justiça: Sem Limites, na nave de Brainiac, Superman não se conteve e surrou Darkseid. Ele se preparava para matá-lo, ignorando completamente a explosão iminente da espaçonave. Ambos teriam sido mortos se Batman não interviesse, levando Superman por um tubo de explosão e deixando Darkseid ser obliterado por uma explosão à qual, na opinião de toda a Liga da Justiça, nem mesmo ele seria capaz de sobreviver. Infelizmente, eles estavam errados.
Nos últimos dois episódios do saudoso seriado, Darkseid é trazido à Terra acidentalmente por Lex Luthor, que desejava restaurar Brainiac. Obviamente, o tirano não tinha interesse algum em aliar-se ao magnata e seus comparsas terráqueos. No mesmo instante, iniciou uma invasão massiva da Terra, fazendo com que heróis e vilões se unissem por uma causa comum: impedir que o mundo como conheciam fosse completamente varrido de toda e qualquer forma de vida.
Assim, batalhas de proporções gigantescas se desenrolaram por todos os cantos do globo, mas seu epicentro estava em Metrópolis, onde os dois maiores defensores da humanidade, Superman e Batman, enfrentariam o seu possível carrasco.
Batman e Luthor foram rapidamente tirados de combate por Darkseid, que focou seus esforços no Homem do Amanhã. O Tirano chegou a arremessar o famoso globo dourado do Planeta Diário contra seu inimigo, que ainda assim continuava lutando, assim como seu amigo de Gotham, que, mesmo sem poderes, recusava-se a desistir, surpreendendo Darkseid.
Nesse momento, Superman finalmente se solta e, com uma série de golpes que fazem a cidade vibrar, arremessa Darkseid nas ruas. Então, ele profere aquela que talvez seja sua frase mais icônica:
"Eu sinto como se vivesse em um mundo feito de papelão, tomo cuidado constante para não quebrar nada nem machucar ninguém e eu não me permito perder o controle nem por um momento, pois alguém pode morrer. Mas você aguenta, não aguenta, Darkseid? O que temos aqui é uma rara oportunidade de eu finalmente me soltar e mostrar a você a verdadeira extensão da minha força."
Ao dizer essas palavras, Superman simplesmente amassa Darkseid, socando-o pelos céus como um boneco de pano, para finalmente finalizá-lo com um golpe poderosíssimo, enterrando-o em uma cratera de metros de diâmetro e varrendo o prédio à sua volta.
Derrotado, o vilão decide trapacear, usando-se de um aparelho para atingir o sistema nervoso de Superman, causando-lhe uma dor excruciante. Quando tudo parecia perdido, um salvador inesperado se mostrou para ambos: Lex Luthor, oferecendo a Darkseid o segredo de sua tão sonhada equação anti-vida.
Aproveitando-se da obsessão do titã pela fórmula da morte, Luthor o guiou para o fim dos tempos por meio de um portal, prendendo-o onde nunca mais poderia fazer mal à humanidade e fazendo do último ato de sua vida criminosa um ato nobre.
A Morte de Superman: O Sacrifício do Invencível
Aparentemente, quando Superman decide usar toda a sua força, ninguém pode pará-lo, não é mesmo? Bem, não é bem por aí, como Superman #75 (1992), também conhecida como: A Morte de Superman, nos deixou bem claro.
Em um dia qualquer, um monstro bizarro havia sido despertado em solo americano. A Liga da Justiça, liderada por heróis como Guy Gardner e Gladiador Dourado, tentou detê-lo, mas subestimou o poder inigualável da fera, que parecia adaptar-se a toda e qualquer tentativa de atacá-lo, com suas placas ósseas movendo-se para proteger suas fragilidades.
Se defensivamente a criatura era sublime, ofensivamente, seus ataques vinham como um verdadeiro trem de carga, espancando brutalmente todos os heróis que se opunham a ele. Porém, essa máquina de combate impecável não surgiu do nada.
Apocalipse havia nascido da mente de cientistas kryptonianos, que lançaram um pequeno animal em uma floresta kryptoniana para ser morto e revivido inúmeras vezes, a fim de que ela se adaptasse a todos os tipos de ataque, tornando-se cada vez mais forte e agressiva. Seu experimento deu realmente certo, se não fosse o fato de que a própria criatura assassinou brutalmente seus criadores, que milagrosamente conseguiram selá-lo no subterrâneo dos EUA.
Na Terra, Apocalipse avançava de cidade em cidade, destruindo toda e qualquer forma de oposição, e em pouco tempo ele estaria em Metrópolis. Só havia um herói capaz de detê-lo, o mais poderoso de todos: Superman. O Homem de Aço tenta enfrentá-lo como um brutamontes qualquer em duas oportunidades, mas se surpreende com a força impressionante da fera, que o nocauteia e segue seu caminho.
Lois Lane cobria o avanço da morte encarnada em direção à entrada do Planeta Diário, a instantes de levar o maior símbolo de Metrópolis ao chão. Nesse momento, ao ver a mulher que amava a instantes da morte iminente, e a cidade que amava à beira do colapso, Superman finalmente decidiu se soltar e dar tudo de si para derrotar aquele monstro. Naquele momento, o Homem de Aço era a única esperança da humanidade; ele precisava vencer, mesmo que precisasse dar sua vida por isso.
Não era um herói contra um vilão, um homem contra uma fera; eram dois titãs lutando como animais, destruindo seus corpos com o único objetivo de eliminar um ao outro. A invulnerabilidade do Homem do Amanhã foi completamente superada, com suas mãos estraçalhadas pelas placas ósseas da criatura e seus ossos estilhaçando-se com a potência de seus socos.
Horas e horas se passaram e, em uma última troca de socos, os dois guerreiros tombaram em um grito final. Diante dos olhares perplexos de todo o mundo, Lois pôs o corpo do homem que amava em seu colo, enquanto suas lágrimas rolavam sob o grande S rasgado e ensanguentado em seu peito. O herói invencível havia sido derrotado, entregando sua vida para proteger aqueles que amava.
Esse evento mudou completamente o universo DC dentro e fora das HQs. Enquanto praticamente todos os heróis acompanharam o funeral de seu maior expoente nas páginas, na realidade, até mesmo o New York Times noticiava o evento, mostrando a grandeza do personagem e o impacto imensurável de sua queda.
Homem-Aranha


“Homem-Aranha, nunca bate, só apanha…” Essa frase muitas vezes pode ser verdadeira, mas muitas vezes o Cabeça de Teia bate, e não é pouco. Em Amazing Spider-Man 122 (1973), logo após enfrentar o Hulk em Montreal, Peter Parker estava pronto para voltar à sua vida normal como um combatente do crime em Nova York, quando, de repente, sua vida pessoal, como sempre, lhe trouxe mais problemas: seu melhor amigo, Harry Osborn, havia tido mais uma recaída no LSD.
Peter, Gwen Stacy e Mary Jane foram ao encontro do garoto, que sucumbia cada vez mais ao vício, deixando seu pai, Norman Osborn, antes conhecido como o maníaco Duende Verde, cada vez mais transtornado. Se já não bastasse ver seu filho morrer de pouco em pouco diante de seus olhos, seus sócios, um a um, começavam a abandoná-lo (e vocês achando que a saudosa frase “mas eu fundei essa companhia” tivesse vindo do nada), deixando-o cada dia mais pobre e solitário.
Após perder a memória em Amazing Spider-Man 40 (1966), Osborn havia se esquecido não apenas de ser o Duende Verde, como também da identidade secreta de seu arqui-inimigo: Peter Parker. Todavia, o estresse passava a lentamente trazer de volta todas aquelas lembranças odiosas, até que finalmente sua antiga natureza, a verdade escondida a sete chaves em sua mente, finalmente o tomou por completo.
Recuperando seu antigo traje em um antigo galpão, Norman Osborn tornou-se o Duende Verde pela última vez e partiu para vingar-se daquele que julgava ser o culpado por todas as suas dores, para destruir a imagem que não saía de sua cabeça: o Homem-Aranha.
Atingido por uma severa gripe, Peter volta enfraquecido para o apartamento de Stacy e, ao entrar, não acha nada além de uma abóbora, a assinatura de seu antigo inimigo. Ou seja, não importa onde estivesse, Gwen estava em perigo.
Balançando-se rapidamente pela cidade, o Amigão da Vizinhança seguia seu infalível sentido Aranha até a famosa Ponte George Washington, onde a pessoa que ele mais amava e a que mais odiava o aguardavam, com expectativas muito diferentes.
Com seus poderes afetados pela doença, o Homem-Aranha tem dificuldade em desviar-se das bombas lançadas pelo vilão, assim como pelos golpes de seu planador. Sabendo que não poderia vencer uma luta longa e que sua amada precisava urgentemente de ajuda, Peter concentra toda sua força em um único e poderoso golpe. Puxando o adversário com suas teias, o herói dá um único e poderoso golpe em seu queixo, derrubando-o de seu planador. Foi forte, mas não o bastante; ele precisava salvá-la rápido, antes que fosse tarde.
Cantando vitória, o Homem-Aranha aproximou-se de Gwen, quando, em um rápido e imprevisível ataque, o Duende a lançou do topo da ponte, em direção à morte certa na água, dezenas de metros abaixo. Em um ato de puro desespero, Peter lança suas teias em direção a Gwen, alcançando-a pouco antes do impacto. Um suspiro de alívio, que por um instante lhe permitiu retornar ao seu habitual bom humor, fazendo-o vangloriar-se de seus poderes, pois, no final de tudo, eles sempre lhe garantiam a vitória. Mas não naquele dia.
Quando o corpo de Gwen finalmente chegou aos seus braços, a vida já o havia deixado. Em sua soberba, ele havia acidentalmente quebrado seu pescoço, matando quem havia jurado proteger no túmulo do velho Capitão Stacy, outro que morreu indiretamente em decorrência de sua guerra contra o crime. Segurando-a nos braços, o aracnídeo urrou aos céus:
"Você matou a mulher que eu amo, e por isso vai morrer!"
Jamais se esperava que tais palavras pudessem sair da boca do Amigão da Vizinhança. Esse inesquecível quadro marcou um ponto de virada não somente na trajetória do Homem-Aranha, mas dos quadrinhos como um todo. Dali em diante, estava claro que os heróis nem sempre seriam bons o suficiente, que inocentes morreriam e que o bem nem sempre venceria. A dor dessa verdade caiu sobre o maior herói da Marvel, derrotado fisicamente e espiritualmente por seu grande inimigo.
Logo na edição seguinte, após um atrito com a polícia, Parker segue diretamente até a mansão de Osborn, onde encontra Harry delirando, recusando-se a ajudá-lo, como uma vingança singela contra seu pai e, ao mesmo tempo, uma prova de seu ódio irracional, que chegava ao nível de negar ajuda ao amigo que tinha como irmão, mesmo que não carregasse culpa alguma por tudo que havia acontecido.
Com a ajuda de Robbie Robertson, um dos poucos da cidade que acreditavam que o próprio Homem-Aranha não tinha matado Gwen, ele achou o esconderijo do Duende. Parker foi até lá para ceifar uma vida que já havia custado dezenas de outras, e uma em especial que o havia feito perder completamente a paciência.
Diferente do primeiro embate, dessa vez Peter estava 100% focado em destruí-lo, golpeando-o com toda a força e desviando facilmente de todas as suas investidas. Ao derrubá-lo, o herói o esmurra com toda a força, deixando-o a instantes da morte, mas consegue parar antes de descer ao nível do homem caído diante dele.
Por mais que quisesse matá-lo, ele sabia que não era aquilo que Gwen desejaria para ele e, em honra a ela, ele abaixou seus punhos. Porém, o mal não dá trégua e, de maneira covarde, o Duende tentou lançar seu planador nas costas do herói, que, graças aos seus reflexos incomparáveis, desvia, fazendo com que a arma mate aquele que a disparou, pregando Osborn na parede.
De uma forma ou de outra, Norman estava morto diante dele, mas nada havia mudado. A dor, a tristeza, o vazio, continuavam lá, e ainda mais extensos, pois não havia uma missão de vingança para dar-lhes sentido. Sua derrota pode ter ressoado muito mais que sua vitória aqui, mas a batalha física impecável vencida pelo herói e a fibra moral para pôr a justiça acima de sua mágoa provam que, sim, seu triunfo sobre o Duende foi incontestável.
E para você, qual dessas vitórias foi a mais icônica? E a derrota? Comente!
