AS MAIORES REDENÇÕES DA CULTURA POP
Diversos personagens viveram nas trevas por muito tempo, cometendo atos vis, seja por vingança, ideologia ou diversos outros motivos. Mas, alguns deles foram capazes de abrir mão do caminho sombrio que vinham seguindo. Hoje, vamos listar algumas das redenções mais poderosas da ficção, e como elas se deram.
STAR WARSHARRY POTTERMARVEL E DC
Rafael Silva
2/3/20269 min read
Severo Snape


Snape passou metade de sua vida tomando escolhas erradas. Assim que chegou a Hogwarts, passou a ser alvo de bullying pelas mãos de Tiago Potter e os Marotos, tendo Lilian Evans como sua única amiga.
Em meio a essa perseguição, ele se voltou para colegas um tanto “questionáveis” da Sonserina, cujas famílias envolviam-se com Lorde Voldemort. Enquanto os Marotos lhe infernizavam, ele os respondia à altura, chegando a ameaçar revelar a todos que Lupin era um lobisomem, se não fosse pelo fato de Potter tê-lo impedido de ir até a Casa dos Gritos durante a transformação de Remo, salvando diretamente a vida de Snape.
Essa rixa sem fim com Potter fez com que ele se afastasse de Lilian, quando a mesma tentou defendê-lo de Tiago, e, no alto de sua arrogância, Snape disse que não precisava da ajuda de uma “Sangue Ruim”.
Assim, ele afundou-se definitivamente nas artes das trevas, tornando-se um Comensal da Morte, tido por Voldemort como o mais leal entre suas linhas. Alguém inteligente e esguio o suficiente para obter informações de Dumbledore e levá-las a ele. Porém, Snape acabou descobrindo algo que, ao contar, mudaria sua vida totalmente.
Ele estava no Cabeça de Javali quando Sibila Trelawney contou a Dumbledore sobre a profecia do Eleito, contando-a diretamente a Voldemort. Porém, ele não sabia que isso levaria o Lorde das Trevas diretamente aos Potter, até Lilian. Mesmo que estivessem brigados, ele ainda a amava, como a única pessoa que, pelo menos por um instante, também o amou.
Egoísta, mais uma vez, ele pediu a seu amo que matasse somente o pai e o garoto, e poupasse Lilian, algo que Riddle concordou, a menos que ela tentasse se opor a ele. Ainda desconfiado, Severo foi até Dumbledore e assumiu tudo. Alvo ficou enojado com as atitudes de Snape, mas iria ajudá-lo... se já não fosse tarde demais.
Os Potter já haviam sido mortos, com exceção de Harry. Snape foi completamente destruído, Lilian havia morrido por culpa dele. Assim, ele aceitou todas as condições de Dumbledore para agir junto a ele quando, inevitavelmente, o Lorde das Trevas voltasse.
Assim, desde Pedra Filosofal, Severo protegeu Harry, mesmo que visse nele tudo que via em seu pai, o homem que ele mais odiava, além de si mesmo. Snape ensinou-lhe até mesmo a arte da legilimência, um poder que poucos magos possuem.
Quem não se lembra de quando Lupin transformou-se em lobisomem diante de Harry, Rony e Hermione, e Snape se pôs entre eles para protegê-los? Ele poderia ser um homem amargurado, mas, se necessário, morreria pelos garotos, em amor a Lilian.
Com o retorno de Voldemort em Cálice de Fogo, ele foi obrigado a arriscar-se ainda mais. Tornou-se um agente duplo, dando informações falsas ao Lorde das Trevas, enquanto ajudava a Ordem da Fênix. Sua coragem foi tanta que ele assumiu a responsabilidade de matar Dumbledore, mesmo que todos o odiassem por isso.
E, como sacrifício derradeiro, morreu pelas mãos de Voldemort, que o matou pensando que somente assim teria a lealdade da Varinha das Varinhas, sem nem ao menos saber que seu tão fiel Comensal era um traidor.
Severo é, sem dúvida, um dos personagens mais complexos de Harry Potter. Ao mesmo tempo que foi um homem corajoso e fundamental para salvar o mundo bruxo — algo que o próprio Harry assumiu, colocando seu nome em um de seus filhos —, ele também foi um homem rude e grosseiro, que humilhou alunos, favoreceu outros indevidamente e maltratava Harry sem motivo algum, além de nutrir ódio por seu pai, que nem sequer vivia mais.
Para você, ele foi um herói ou um vilão? Comente!
Anakin Skywalker/Darth Vader


Darth Vader é o maior vilão do cinema. Seu traço mais marcante talvez seja justamente a sua falta de expressão, sisudo e sempre escondendo suas emoções por detrás de sua máscara e sua voz mecânica. Porém, não existe personagem em Star Wars que seja mais escravo de seus sentimentos e desejos do que Darth Vader.
Desde cedo, Anakin teve que enterrar seus sentimentos por sua mãe e por Padmé, para seguir os dogmas da Ordem Jedi. Ele também teve que esconder sua sede de grandeza, apesar de ser o Escolhido, era tratado por Obi-Wan e pelo Conselho como um Jedi comum.
O medo e o ódio sempre o acompanharam, mas ele sempre foi instruído a ignorá-los, e não a dominá-los ou entendê-los. Os jedis subestimaram o potencial do Escolhido para o caos.
Quando Palpatine ofereceu a ele a oportunidade de romper essas correntes e conhecer seu verdadeiro potencial e viver ao lado das pessoas que amava, ele não pôde resistir. Porém, tudo deu errado. Consumido em seu próprio ódio, Vader tornou-se tudo que havia jurado destruir e tornou-se prisioneiro de si mesmo.
Após ser destruído fisicamente por Obi Wan, Vader ficou preso em seu próprio traje, em um estado sub-humano, e refém de seu medo e seu ódio. Aqui, os sentimentos negativos de Vader não eram mais escondidos, e sim usados. Ele se arrependia todos os dias pelo que havia feito, e o ódio era a única forma de se manter sempre irracional, distante da culpa que tentava consumi-lo.
Mas, apesar de inspirar o medo nos corações de toda a galáxia, o Lorde Sith também era atormentado por ele, especialmente em seu sono, com as constantes lembranças de seu erro.
Porém, também foram os sentimentos que levaram o vilão à sua redenção. O amor por seu filho e seu arrependimento pelos seus erros levaram Anakin a destruir Vader em seu coração e sacrificar-se em amor por Luke. Assim, poucos instantes antes da morte, ele enfim encontrou seu equilíbrio, enfim, nos braços de seu filho, ele pôde ser Anakin Skywalker.
Vader nos ensina que ocultar nossos sentimentos é um erro grave. Sejam eles bons ou ruins, é sempre importante contá-los a alguém que nos ajude a compreendê-los, e não permitir que eles tomem conta de nós por completo.
No fundo, por mais desalmado que Vader parecesse ser, ele é um verdadeiro mar de sentimentos, em constante conflito. Não é por menos que ele é considerado um dos personagens mais icônicos da ficção.
Kratos


Kratos foi criado como um guerreiro espartano, até receber de Zeus a missão de matar Ares, o Deus da Guerra. No processo, ele descobre que o Rei do Olimpo era seu pai, tornando-o então um semideus, assim como Hércules.
Porém, Zeus sempre o usou. Para ele, Kratos nunca foi um filho, somente uma ferramenta. E quando essa ferramenta se tornou perigosa, ele não pestanejou em livrar-se dela.
Depois que o Fantasma de Esparta matou Ares, Zeus tentou eliminá-lo, temendo seu poder. Furioso com essa traição, Kratos escapou do submundo e derrubou o Olimpo, matando o próprio pai. Após esse rastro de destruição, o espartano deixou a Grécia, viajando para terras nórdicas em busca de paz.
Lá, ele se casou e teve seu único filho, Atreus. Desde cedo, ele ensinou seu filho a lutar, não para ser um guerreiro como ele, mas para conseguir sobreviver em um mundo perigoso.
Após a morte de sua esposa, ele teve de criar seu filho sozinho. Lutou por muito tempo para superar a raiva que havia dominado seu coração por anos, e agora tinha de fazer o mesmo com seu filho. Ele via nos olhos de Atreus a mesma raiva que havia dentro dele e algo ainda mais perigoso: o senso de superioridade típico dos olimpianos.
Mesmo com seu jeito grosseiro, ele guiou seu filho para não cair nessas armadilhas, conseguindo impedir que ele se tornasse o mesmo monstro que ele um dia foi.
Kratos encheu-se de ódio por anos, mas, graças ao amor de sua mulher e de seu filho, ele pôde encontrar equilíbrio. Não mais como um animal sedento por sangue, mas como um guerreiro sábio, ele foi o mentor que seu Atreus precisava, sendo mais um exemplo de homem redimido pela paternidade.
Homem de Ferro


Tony Stark era um homem egoísta e egocêntrico. O império bilionário de sua família foi construído sob armas e guerras, e ele sentiu o horror que elas causam na pele, quando foi atingido pelos estilhaços de suas bombas no front de batalha, e quase morreu.
Após conseguir escapar, sua visão de mundo mudou completamente, e ele impôs a si mesmo a missão de reparar esse passado. Por vezes, essa necessidade lhe faz tomar decisões erradas.
Em Guerra Civil, o remorso pelos inocentes que morreram durante as batalhas dos Vingadores e dos outros heróis faz com que ele se alie aos políticos pró-registro, tornando os heróis meros funcionários do Governo e caçando todo aquele que se opusesse a isso, inclusive seus amigos.
Ele também foi responsável por prender o Hulk e enviá-lo para outro planeta, traindo seu amigo e causando todo o arco Planeta Hulk/Hulk Contra o Mundo, que provocou muitos estragos.
Até mesmo Ultron, um dos maiores vilões da Marvel, foi fruto da paranoia de Stark, que criou o robô com o intuito de obter um protetor perfeito para a Terra, mas que se tornou uma ameaça para ela.
Por fim, compreende-se que Tony tem boas intenções, um grande arco de redenção, mas sua necessidade de fazer o bem lhe faz cometer erros, por ser capaz de passar por cima de tudo, inclusive da moral, para sentir uma sensação de dever cumprido.
Arthur Morgan


No coração do Velho Oeste americano, Arthur Morgan era o temido braço direito de Dutch, líder de uma notória gangue de fora-da-lei. Executor implacável e leal até os ossos, Arthur vivia entre assaltos, assassinatos, sequestros e extorsões. Sua ganância e brutalidade deixaram um rastro de sangue e dor, inúmeras viúvas, órfãos e histórias de sofrimento. Em um desses episódios, enquanto espancava até a morte um homem doente que devia dinheiro à gangue, Arthur contraiu tuberculose, uma sentença de morte que chegaria para cobrar sua própria dívida com a vida.
Com o tempo, a gangue começou a ruir. Assaltos mal planejados terminaram em tragédia, membros foram caindo, e Dutch, cada vez mais paranoico, perdia o controle à medida que a lei e a civilização avançavam sobre o território selvagem. Arthur, que sempre viu Dutch como uma figura paterna, começou a questionar suas ordens e a enxergar o homem por trás do mito, um líder egocêntrico, manipulador e mergulhado em delírios de grandeza.
Em busca de respostas, Arthur passou a se distanciar da gangue, cruzando caminhos com pessoas que lhe ofereceram novas perspectivas. Uma freira com quem fez amizade lhe ofereceu conselhos valiosos e um vislumbre de redenção. Quando sua saúde começou a falhar, com acessos de tosse cada vez mais violentos, Arthur desmaiou na rua e foi levado por um desconhecido a um médico. O diagnóstico foi cruel: tuberculose em estágio avançado, sem cura. O tempo estava acabando.
Diante da morte, o velho pistoleiro perdeu o gosto pela violência e pelo dinheiro Começou a repensar suas escolhas, a revisitar suas memórias e, por fim, a buscar algum tipo de reparação. Em sua última conversa com a freira, admitiu seu medo e confessou os pecados do passado. Ela o encorajou a fazer o bem, enquanto ainda houvesse tempo.
A partir de então, Arthur passou a ajudar aqueles que um dia prejudicou. Procurou vítimas de suas extorsões, deu-lhes dinheiro e apoio, tentando aliviar a culpa que carregava. Ainda que relutante, permaneceu na gangue, mas já não compactuava com seus métodos. Chegou a sabotar algumas operações, perdoando dívidas e expulsando membros violentos do grupo.
Em seus momentos finais, Arthur fez de tudo para garantir que alguns companheiros tivessem uma chance de recomeçar. Ajudou John, seu amigo, a fugir com a esposa e o filho, mesmo sabendo que isso selaria seu destino. Gravemente ferido e consumido pela doença, Arthur enfrentou sozinho os últimos homens de Dutch. Morreu ali, entre montanhas e silêncio, não como o fora-da-lei que começou a jornada, mas como um homem tentando, enfim, fazer a coisa certa.
