A Jornada dos Amantes (Leia, Arwen e Mary Jane)
Em nossas viagens pelas jornadas arquetípicas da cultura pop, conhecemos todo tipo de trajetória: a do herói, a do vilão, a do anti-herói e até mesmo a do traidor, explorando e definindo conceitos que tornam personagens como Harry Potter, Darth Vader, Severo Snape e Boromir tão fantásticos (se não entendeu as referências, faça igual ao Capitão América e as entenda lendo os capítulos anteriores da série). No entanto, ao explorar a jornada de um par romântico, não contemplamos somente o desenvolvimento do protagonista, mas a comunhão de duas linhas narrativas que se unem e se complementam de diferentes maneiras, mas que estão sempre ligadas por um mesmo sentimento: o amor. O amor se mostra capaz de superar o medo, as diferenças e até mesmo a vida, e firma o elo entre pessoas e realidades totalmente distintas. Como de costume, vamos analisar esse conceito por meio de uma estrutura padrão, mas aplicando-a a diferentes casais e universos. Os escolhidos de hoje são: Mary Jane e Homem-Aranha, da Marvel; Arwen e Aragorn, de O Senhor dos Anéis; e, finalmente, Han e Leia, de StarWars. Com tudo isso em mente, sem mais delongas, vamos caminhar ao lado dos maiores ícones da ficção e compreender cada passo das suas jornadas!
MARVEL E DCSTAR WARSSENHOR DOS ANÉIS
Rafael Silva
9/19/202615 min read
Mary Jane e Homem-Aranha: Um amor entre imperfeitos


Então, antes de mais nada, vamos conhecer os seis passos mais recorrentes na Jornada dos Amantes.
Vida própria – Antes do romance, o personagem possui sua própria identidade, objetivos e conflitos.
Encontro – Sua trajetória cruza com a do protagonista.
Aproximação – A relação se desenvolve, e ambos passam a conhecer aquilo que existe além das aparências.
Conflito – Amar o protagonista passa a trazer consequências e desafios próprios.
Escolha – O personagem decide se aceita aquela relação e tudo que vem com ela.
Transformação – A experiência modifica sua visão de mundo e sua própria identidade.
Desfecho – A relação chega a uma definição, seja pela união, separação ou por alguma forma de encerramento.
Antes de The Amazing Spider-Man #42 (1966), tudo que Peter Parker sabia sobre Mary Jane Watson vinha da boca de sua tia May, que fazia de tudo para que seu sobrinho tivesse um encontro com a jovem. Ele, por sua vez, sempre desdenhou da possibilidade, ocupado demais com sua vida tripla como super-herói, fotógrafo e estudante, enquanto ainda tentava, de alguma forma, aproximar-se de Gwen Stacy.
Para ele, MJ deveria ser uma garota comum, sem graça. Essa ilusão caiu por terra assim que May finalmente conseguiu trazê-la à casa dos Parker e, ao ver pela primeira vez o rosto deslumbrante da ruiva, ele só pôde pensar uma coisa:
“Tigrão, você tirou a sorte grande.”
Além de linda, Mary Jane era vívida e cheia de personalidade, deixando Peter deslumbrado.
Todavia, não é aí que o romance entre eles começa. Jane se integra ao grupo de amigos de Peter, ao lado de Gwen e Harry Osborn. Por mais que estivesse apaixonado por Stacy, Parker jamais conseguiu fechar completamente os olhos para MJ.
Mas Gwen era mais segura, compartilhava de seus interesses acadêmicos e esteve ao seu lado nos bons e nos maus momentos. Era a mulher perfeita para ele. Em The Amazing Spider-Man #59 (1968), eles começam a namorar, enquanto MJ seguia pulando de festa em festa, aparentemente despreocupada com o mundo à sua volta.
Ela provou o contrário durante as crises de Harry com o LSD, quando todos os seus amigos se uniram para ajudá-lo. Nesse momento, Parker pôde ver um lado da garota que ainda não conhecia. A garota fútil de outrora parecia nunca ter existido. Talvez, para deixar para trás o lar disfuncional que compartilhava com seu pai alcoólatra, ela precisasse usar uma máscara, assim como ele. Talvez, assim como Peter, ela não fosse perfeita.
Porém, é com a morte de Gwen Stacy pelas mãos do Duende Verde, entre The Amazing Spider-Man #121 e #122, que tudo muda entre eles. O Homem-Aranha havia falhado em salvar a pessoa que mais amava no mundo. Possesso, revirou a cidade em busca do Duende, pensando que sua morte levaria consigo o sofrimento que o esmagava. Não aconteceu. Mesmo com Osborn empalado diante dele, a raiva continuava lá, agora sem outro alvo além dele mesmo para voltar-se.
Derrotado por si mesmo, Peter volta para o seu apartamento. Norman e Gwen estavam mortos, Harry completamente viciado em LSD. Ao abrir a porta, ele deu de cara com a única pessoa que ainda restava ao seu lado: Mary Jane Watson. Ela se oferece para ajudá-lo, mas ele responde grosseiramente.
“Você não lamentaria nem se sua mãe morresse. Que te importam pessoas como eu e Gwen? Vai embora. Sei como você odeia tristeza, e acredite, eu não quero arruinar seu humor.”
Arrasada, ela caminha até a porta, a poucos passos de libertar-se da melancolia que dominava aquele quarto, de virar as costas para a dor, como ela sempre fez.
Mas ela hesita em abri-la, sabendo que, quando a fechasse, o homem lá dentro ficaria preso para sempre. Quando MJ decide trancar a porta, ela decide não só enfrentar a sua própria dor, como também servir de ombro amigo para que Peter pudesse suportar a sua.
Pelos anos seguintes, a amizade entre eles foi um pilar essencial para sustentá-los. O amor entre eles nasceu da dor, mas essa mesma dor, por muito tempo, os impediu de vivê-lo. Em The Amazing Spider-Man #143, o primeiro beijo deles ocorre em um aeroporto. Mas ele rendeu mais perguntas do que respostas. Peter ainda sentia a morte de Gwen e estava com um pé atrás em assumir um novo relacionamento. MJ, por sua vez, nunca foi de se apegar e tinha medo de estar, de alguma forma, tentando tomar o lugar de sua amiga.
Eles passam por uma prova de fogo na HQ The Amazing Spider-Man #144, onde o vilão Chacal cria um clone perfeito de Gwen e o utiliza para pressionar o Homem-Aranha.
O clone carrega consigo todas as lembranças de Gwen e realmente acredita ser ela, o que torna tudo ainda mais difícil para Peter. Ele não precisava apenas se convencer de que não havia esperanças de reverter o passado, mas também convencer o passado disso. E, para isso, MJ também esteve ao seu lado, não para competir pelo seu amor, mas para apoiar tanto Peter quanto a criação que jurava ser sua melhor amiga.
Ela se sente deixada de lado, mas May novamente intervém e insiste que Peter lute por ela, esqueça o passado e abrace o amor que o presente lhe deu. E, em The Amazing Spider-Man #150, eles finalmente engatam o namoro. Porém, os problemas não estavam nem perto de acabar.
Como sempre acontece na vida do Homem-Aranha, sua vida dupla se torna um problema. O tempo entre eles era escasso, e suas expectativas, muito diferentes.
Em The Amazing Spider-Man #182, Peter até mesmo a pede em casamento, mas seu pedido é negado. Era impossível se apegar a alguém tão incerto. Era melhor, então, que eles continuassem sendo somente amigos.
Isso fez da sua relação uma interminável novela de idas e vindas: uma hora juntos, na outra, separados. Quando MJ o deixou temporariamente para seguir carreira como modelo e atriz, Peter até mesmo chegou a entrar em um romance explosivo com a vilã Gata Negra.
Com Felícia, o Homem-Aranha não era um problema. Todavia, ele era Peter Parker e jamais poderia viver ao lado de alguém que não conhecesse verdadeiramente o homem por trás da máscara. Suas divergências morais eram grandes demais para serem deixadas de lado em favor da adrenalina e, como era óbvio desde o início, esse relacionamento também fracassou.
Mesmo nesses momentos, MJ ainda estava presente, mesmo que como amiga. A conexão entre eles sempre foi muito além da atração romântica.
Mas o momento decisivo de suas jornadas se deu em The Amazing Spider-Man #257 (1984), quando o Homem-Aranha se recupera de um duelo feroz contra o vilão Puma em seu apartamento, e Mary Jane surge de repente para conversar.
Como sempre fazia, ele tenta esconder a verdade, mas isso nunca foi possível, não quando ela era a única pessoa que de fato conhecia o homem por trás da máscara, literalmente e psicologicamente falando.
Na noite em que Ben Parker foi morto e Peter saiu à caça do assassino como Homem-Aranha, MJ o viu saindo pela janela de seu quarto. A verdade nunca foi um segredo para ela, mas o fardo de carregá-la era pesado demais.
Ela podia ter dito a ele a verdade a qualquer momento, mas escolheu, dia após dia, não se envolver. Porém, mais uma vez, ela decide não fugir e aceita dividir esse peso com Parker, compartilhando com ele seu passado difícil com seus pais e como encontrou no desprendimento a única forma de manter-se inteira. Um removeu a máscara do outro, e somente eles conheciam a verdade diante deles por inteiro.
Mary Jane sabia que amar o Homem-Aranha não seria tarefa fácil. Muitas vezes, ela seria deixada de lado em favor de algo muito maior do que eles, consciente de que aquele a quem ela confiou seu coração poderia nunca mais voltar. Não haveria mais espaço para a jovem indecisa e descompromissada que ela foi durante toda a sua vida. Por ele, ela abriu mão dessa máscara.
O Homem-Aranha sabia que amar novamente seria o maior desafio de sua vida. Na última vez que ele se abriu a esse sentimento, ele quase o destruiu. Não havia tempo para Peter Parker. Era impossível conciliar emprego, amigos, uma tia cada vez mais frágil e um novo namoro, com uma lista cada vez maior de vilões maníacos e de pessoas que contavam com ele para protegê-las deles. A cidade precisava do Homem-Aranha, e não de Peter Parker.
Porém, para ser um herói, é preciso, antes de tudo, ser um homem, e ele jamais seria completo sem alguém para amar, sem alguém para voltar no final do dia, sem alguém para lembrá-lo de que ele era amado por trás da máscara, que era humano. Gwen amava Peter, Felicia amava o Homem-Aranha, mas somente Mary Jane era capaz de amar os dois, de fazer com que um desse sentido ao outro.
Ainda assim, quando Peter pede a sua mão em casamento uma segunda vez, Watson precisa de tempo para pensar, para ter certeza de que seria capaz de honrar esse compromisso. Em The Amazing Spider-Man Annual #21 (1987), eles finalmente se casam, naquele que seria um dos maiores eventos da história do universo Marvel. Os eternos adolescentes haviam enfim se tornado adultos. As idas e vindas de seu namoro deram lugar ao compromisso eterno.
Isso, é claro, não pôs fim às dificuldades. Houve brigas, crises e momentos em que Mary Jane teve certeza de que nunca mais veria seu marido (A Última Caçada de Kraven é um ótimo exemplo). Porém, um amor construído na turbulência sabia muito bem como suportá-la. A eterna imperfeição de ambos era o que, de fato, os fazia perfeitos um para o outro.
Mary Jane e Peter Parker seguem à risca cada um dos passos da jornada. Eles não nascem grudados e, quando se encontram, não é amor à primeira vista. Para estar ao lado de Peter, MJ precisa se expor, e isso faz com que Parker comece a vê-la como algo mais que uma jovem fútil. Assim como Gwen, Mary Jane sofre com a dualidade de seu namorado, que, somada ao seu temor pelo compromisso, os leva a se distanciar.
Porém, no momento certo, ela decide abraçar Peter por inteiro, apresentando-se como a única pessoa que o conhece tão bem quanto ele, independentemente dos riscos. Isso muda completamente o status de ambos, com seu casamento tornando-se não apenas um evento narrativo, mas uma mudança brutal no próprio universo do Homem-Aranha. A luta do herói continua, mas agora com uma estabilidade que ele nunca teve antes e que nunca pensou que teria. E, em dada medida, Watson tem o mesmo sentimento.
Diferentemente dos dois próximos exemplos, o romance entre Mary Jane e Homem-Aranha foi moldado por décadas, com paciência e profundidade, fazendo deles, seguramente, um dos melhores casais da história dos quadrinhos.
Aragorn e Arwen: A finitude do amor


Como o único herdeiro do trono de Gondor e Arnor, Aragorn foi levado a Valfenda ainda bebê, onde foi criado por Elrond, que só disse ao garoto qual seria o seu destino quando o mesmo se tornou adulto.
Foi somente então que Aragorn passou a envolver-se mais significativamente com o círculo íntimo de Elrond, onde conheceu sua belíssima filha, Arwen. Vê-la era como ter um vislumbre do paraíso, e não é para menos, já que a princesa élfica era tida por todos como um dos seres mais lindos da Terra-Média. Assim como Peter, Passolargo também tirou a sorte grande. A única diferença talvez seja o fato de que Aragorn tinha por volta de vinte anos naquele momento, enquanto sua amada tinha 2.700. De fato, nunca é tarde para se apaixonar.
O sentimento entre eles era recíproco, mas jamais poderia ser consumado devido à vontade de Elrond.
Elfos eram imortais, destinados a passar a eternidade vendo a finitude de todos os outros seres vivos desfazer-se diante de seus olhos. De que valia um amor passageiro, se o mesmo daria lugar à tristeza infinita quando Aragorn morresse? Não fazia sentido permitir que sua filha sentisse uma dor que não era da sua natureza.
Todavia, ela estava decidida: preferia viver um sopro de tempo ao seu lado do que uma eternidade sabendo que nunca poderia amá-lo.
Por mais que discordasse, Elrond não poderia impedir sua filha de seguir seu coração, mas deu uma condição muito clara a Aragorn: aceitar seu destino como Rei de Gondor e guiar os povos livres da Terra-Média na vitória suprema contra Sauron.
A grosso modo: quer casar com a minha filha? Salve o mundo antes.
Aragorn temia esse destino, não por covardia, mas por medo de ser indigno dele. Ele sabia que o sangue que corria em suas veias, ao mesmo tempo que lhe dava direito ao trono, carregava a mesma fraqueza que levou Isildur a lançar o destino da Terra-Média nas trevas ao sucumbir perante o poder tentador do Um Anel.
Era impossível vencer Sauron apenas com uma espada, era preciso rejeitar seu poder de coração, mostrar-se mais forte que ele. Mas será que um homem poderia resistir a tamanha tentação? E se ele falhasse, que esperança restaria? Ele não precisava apenas lutar, precisava inspirar, liderar, fazer com que, ao seu comando, todos os povos livres falassem uma só voz.
Parecia demais para ele, talvez realmente fosse, mas ele aceita o desafio, não somente por nobreza, mas principalmente por amor.
Ela, por sua vez, tem a chance de ir aos Portos Cinzentos e seguir para Valinor, deixar toda a morte e destruição que assolavam aquele mundo. Mas, se em meio aquele caos estava o homem que amava, então ela permaneceria.
Mesmo que não tenha ido à linha de frente com ele, Arwen ajudou Aragorn de outras formas. Foi ela a responsável por entregar-lhe a espada de Andúril reforjada, devolvendo-a às mãos do futuro Rei.
O peso simbólico desse momento é imenso. Com Andúril , ele tinha direito a reinar sobre os vivos e os mortos; era o símbolo que unificaria a Terra-Média em torno de Gondor, em torno dele. Arwen foi o motivo de ele ter aceitado esse destino, e agora, ela estava entregando a chave para consumá-lo.
Ela não precisava lutar ao seu lado para estar sempre junto com ele.
Quando o Um Anel finalmente foi destruído pelo mesmo fogo que o forjou, Aragorn pôde voltar aos braços de Arwen, sua Rainha. Eles sobem juntos ao trono de Gondor, ostentando em suas coroas a decisão que haviam tomado. Um dia, eles e todos ali presentes morreriam. Seu castelo ruiria. Sua coroa perderia o sentido. Mas o amor entre eles permaneceria vivo em cada ser da Terra-Média, pois foi pelo sacrifício deles que cada um teria a chance de usufruir do sopro de existência que lhe foi dado.
Diferente do caso anterior, Aragorn e Arwen se envolvem muito pouco e passam a maior parte do tempo distantes. Isso pode parecer uma fragilidade, mas, na verdade, é a maior prova da força da paixão entre eles.
Seu primeiro encontro ocorre de maneira quase lúdica e muda totalmente seus rumos. O garoto predestinado e a elfa imortal viam um no outro um princípio e um fim.
O amor cresce rápido, mas traz consigo dilemas que os levam ao limite: assumir o peso de um povo inteiro sobre as costas e aceitar de livre e espontânea vontade o seu próprio fim. Por mais difícil que seja, ambos escolhem um ao outro e enfrentam seus desafios, separados fisicamente, mas unidos de coração.
A coroação de Aragorn torna-se o desfecho ideal, a verdade cristalina do mundo que eles escolheram ao abrir mão de seu conforto.
Um casal adolescente, outro parecendo ter saído de um conto de fadas. Mas, para concluir esta análise, nada melhor do que uma dama e um vagabundo.
Han Solo e Leia Organa: O amor improvável


Talvez, Han Solo tivesse nascido para ser a escória da galáxia. Desde sua infância em Corellia, ele aprendeu a sobreviver por conta própria e se importar somente com si mesmo. Em uma galáxia selvagem, não havia espaço para caridade.
Ao lado de Chewbacca, Han embarcou na carreira de contrabandista, transportando armas, especiarias e até passageiros, fazendo as engrenagens do Império criminoso de Jabba, o Hutt, girarem. Ele sabia o tipo de criminoso que Jabba era, também sabia o quão tirânico e assassino o Império Galáctico poderia ser, mas, o que importava? Se não o afetava, não era problema dele.
Por outro lado, Leia Organa foi ensinada desde cedo a se importar. Com seu pai, Bail Organa, sendo um dos principais líderes da emergente Aliança Rebelde, Leia rapidamente aprendeu o valor de lutar pela liberdade, de levantar aqueles que o Império lançava na lama. Ela podia não ter sofrido como os trilhões escravizados pelo Imperador, mas isso de maneira nenhuma, lhe dava o direito de fechar os olhos para a sua dor.
Todavia, a necessidade de sentir pelos outros e de liderá-los, acabou tornando-a fria em relação a si mesma. Para que a princesa existisse, a mulher precisava ser deixada de lado.
O caminho desses dois seres tão diferentes, se cruzam em Uma Nova Esperança (1977), quando precisavam escapar juntos da Estrela da Morte, junto a Luke Skywalker, Obi-Wan e Chewbacca. Leia estava lá por ter se recusado a entregar a base rebelde em Yavin 4, por ter mantido sua cabeça levantada mesmo diante de Darth Vader. Solo, por sua vez, estava lá por dinheiro, pela chance de finalmente quitar sua dívida com Jabba. Eles poderiam estar do mesmo lado, mas nem de longe tinham os mesmos objetivos.
Prova disso, é o momento em que Han vai embora logo após escaparem da estação bélica, pouco se importando com a batalha que estava por vir. Naquele momento, Leia teve certeza de que aquele homem não passava de um cafajeste interesseiro. Felizmente, ela se enganou, e Solo voltou no momento certo para salvar Luke e permitir que ele destruísse a Estrela da Morte.
Ele era sim um cafajeste, mas um com coração. Ele então se une à Aliança Rebelde, tomando para si a missão de libertar a galáxia, a missão que Leia apresentou. Solo não tinha mais como fingir que a galáxia se limitava a ele mesmo.
Durante quatro anos, eles se aproximam. Desde o primeiro momento, Han ficou encantado pela beleza da princesa. Porém, ele sabia que havia algo a mais. O senso de dever dela, despertou algo nele, mostrou que ele poderia ser melhor.
Com Leia, era o contrário. Por mais que Han não fosse o cavalheiro gentil que ela um dia sonhou, ele fazia algo único: enxergá-la como Leia. Não princesa, não general, mas Leia, a mulher, e não o símbolo. Por mais que tentasse negar, era aquele canalha que a protegia quando a armadura da autoridade era removida.
Em Império Contra-Ataca, podemos ver ainda mais a dinâmica deles. A arrogância de Han, o temperamento explosivo de Leia, uma mistura que tinha tudo para dar errado. Porém, é na Millennium Falcon, enquanto eles desavisadamente descem pela garganta de uma lesma especial, que um momento definiria sua relação.
Leia está apertando uma válvula com dificuldades, quando Han chega para ajudá-la. Ela grosseiramente o afasta, depois, permite que ele a ajude, somente quando ele deixa de provocá-la chamando-a de “altezíssima” e e passa a chamá-la por quem ela realmente é: Leia.
Sem se importar com a graxa nas mãos dela, ele as segura. Ela diz que tem sim sentimentos por ele, pelo menos quando ele não agia como um canalha (o que era bem raro).
“Não, gosta de mim porque sou um canalha”, e é com essa verdade que eles finalmente se beijam pela primeira vez. Com ele, Leia podia deixar de lado a invulnerabilidade que construiu em torno de si, poderia ser vulnerável, imperfeita, uma pessoa comum.
Ainda sim, Solo não perdeu sua irreverência. Mais tarde, instantes antes de ser congelado em Carbonita por Darth Vader, Leia confessa a ele: Eu te amo.
Um cavalheiro responderia: eu também. Mas ele definitivamente não era um.
“Eu sei.” é com a certeza no amor de Leia que Solo é congelado, tendo seu rosto como sua última visão. Curiosamente, é justamente ela que o resgata no Palácio de Jabba em Retorno de Jedi (1983), quando ele ainda não era capaz de ver devido ao longo tempo de hibernação. Felizmente, isso não era mais necessário entre eles.
“Quem é você?”, pergunta Solo.
“Alguém que te ama.”, responde Leia, dando-lhe a certeza do que havia dito meses antes, quando seu mundo tornou-se um breu. Juntos, como sempre, eles organizam a invasão de Endor, sendo peça-chave na destruição da Segunda Estrela da Morte e no começo do fim do Império.
Nos Legends (que nós historicamente utilizamos como referência por aqui), suas vidas mudam drasticamente após isso. Jacen, Jaina e Anakin Solo nascem, e eles mal têm tempo para estar ao lado deles. Leia estava mais atarefada do que nunca, como uma das lideranças da Nova República. Han, por sua vez, agia nos bastidores, firmando alianças que fortalecessem a frágil autoridade da República sob a galáxia.
Mesmo assim, quando tudo parecia confuso, eram nos braços um do outro, ao lado da família que haviam construído, que eles recuperavam a sua certeza. Leia deu um propósito a Han, e Han deu uma vida a Leia.
O encontro entre eles ocorre por um acaso que somente a Força poderia explicar, e é o interesse em comum que os conecta temporariamente. Porém, quando seus ideais se tornam conflitantes, são os valores de Leia dentro de Han que o fazem voltar.
Por anos eles lutam lado a lado, aprendendo um com o outro, até finalmente entenderem o quanto do outro havia neles mesmos. Casados, pais e líderes da Nova República, Han e Leia consolidam seus destinos: dar sentido um ao outro.
Cada uma dessas jornadas nos apresenta aventuras, personagens e desfechos totalmente diferentes, mas, encontram um ponto em comum no amor, e nos outros dons que ele carrega: a coragem, a compaixão, a empatia, o aprendizado. A Jornada dos Amantes não é simplesmente o encontro de um protagonista com seu par romântico. São duas histórias distintas que encontram um novo sentido quando suas trajetórias se unem. Sem uma, o a outra não pode existir plenamente.
E para você, qual dessas três é a melhor jornada? Faltou alguma? Não deixe de comentar!
