A FILOSOFIA DE HARRY POTTER

O mundo mágico de Harry Potter está repleto de personagens psicologicamente complexos, com filosofias de vida tão complexas quanto, que dão ao universo de JK Rowling sua verdadeira magia. Muito além de Snape, Dumbledore e Voldemort, HP possui muitos outros ícones dignos de análise, e serão deles (e, claro, dos mais clássicos também) que iremos falar hoje.

HARRY POTTER

Rafael Silva

3/21/202625 min read

Remo Lupin: A Eterna Fuga de si Mesmo

A tragédia de Aluado começou muito antes de seu nascimento e o seguiria até o último dia de sua vida. Seu pai, Lyall Lupin, era membro do Departamento de Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas, sendo tido como um dos mais brilhantes funcionários do Ministério da Magia. Ao mesmo tempo, mantinha-se um homem reservado, tímido, e limpo de preconceitos de sangue, uma vez que casou-se com Hope Lupin, uma trouxa, fazendo de seu filho, Remo, um mestiço.

Porém, todos têm seus preconceitos, e o de Lyall era contra as criaturas tidas como perigosas, em especial, os lobisomens. Seres considerados “das trevas”, como eles, Trasgos, Gigantes e Dementadores, passaram a ser cada vez mais mal vistos pela sociedade, já que sistematicamente se uniam a Lorde Voldemort, que estava em ascensão, e, mesmo que os desprezasse tanto quanto o Ministério da Magia, lhes prometia a única coisa que desejavam: vingança.

Tais criaturas viviam à margem da comunidade bruxa, sem conseguir empregos, amigos e, muitas vezes, até mesmo um teto sobre suas cabeças. Suas vidas eram suas maldições.

Para Lyall, a situação deles era irremediável, já que os lobisomens eram maus por natureza, indignos de amor, pena ou misericórdia e, portanto, precisavam ser exterminados, pelo bem da sociedade. Essas afirmações chegaram aos ouvidos de Fenrir Greyback, Comensal da Morte dos mais sanguinários e que vivia com a licantropia desde a juventude.

Ele odiava Lupin, ao mesmo tempo que representava todo o preconceito que o homem tinha quanto aos lobisomens. Ele descobriu que a melhor forma de feri-lo não era atacá-lo diretamente, e sim transformar aquilo que ele mais amava naquilo que ele mais odiava.

Quando Remo Lupin tinha apenas cinco anos, Greyback o atacou em seu quarto, infectando-o com a licantropia ao mordê-lo no rosto, condenando-o a uma vida de temor de si mesmo e a ostentar a marca da vergonha em sua face pelo resto da vida.

Ao perceber o que havia feito, Lyall se desesperou. Seu filho agora encarnava aquilo que ele mais desprezava no mundo bruxo. Todavia, seu amor superou seu ódio, e ele se manteve um pai amoroso com Remo, fazendo de tudo para ajudá-lo, em uma espécie de redenção não só para com seu filho, mas também para com quem ele mesmo havia sido no passado.

Sabendo de sua condição, Remo cresceu isolado, com poucos amigos e extremamente tímido, acreditando não ser merecedor do carinho das pessoas, especialmente pela forma que a sociedade enxergava sua classe.

Ele acreditava que nunca poderia ir para Hogwarts, já que seria uma ameaça para seus amigos. Porém, Dumbledore interveio, plantando o Salgueiro Lutador logo na entrada da Casa dos Gritos, para que Lupin pudesse transformar-se nas luas cheias e permanecer longe do olhar dos curiosos, para o seu bem e para o deles. Por mais que Lupin tentasse fugir das pessoas, elas sempre o traziam para perto delas.

Logo em seu primeiro ano em Hogwarts, em 1969, Remo conheceu seus três melhores amigos: Tiago Potter, Pedro Pettigrew e Sirius Black, os saudosos Pontas, Rabicho e Almofadinhas, os Marotos, com quem viveria os melhores anos de sua vida. Sabendo da condição de seu amigo, todos se tornaram animagos, para poder acompanhá-lo em suas transformações, nunca deixando-o sozinho.

Para um garoto que desde a infância temia que todos lhe virassem as costas, ter amigos assim era tudo que ele poderia desejar, mas, para isso, ele muitas vezes precisou passar por cima do que acreditava. Ele não participava ativamente da perseguição dos Marotos a Snape, mas não fazia nada para impedi-la. Ele discordava das humilhações que Potter fazia Severo passar, mas sabia que já tinha sorte demais em ter amigos, e desafiá-los, por alguém de quem ele nem mesmo gostava, poderia fazer tudo isso ruir. De certa forma, ele se tornou refém de quem o amava.

Após sua formatura, Lupin tornou-se membro da Ordem da Fênix, lutando ativamente contra Voldemort ao lado de seus amigos e liderado por Dumbledore. Quando foi descoberto que o Lorde das Trevas viria a caça dos Potter e de seu filho, Lupin nem sequer foi cogitado para ser o guardião do segredo, e o motivo, o marcaria pelo resto da vida, por mostrar que nem mesmo entre aqueles que melhor o conheciam, havia plena confiança.

Tiago e Sirius temiam que Lupin fosse um espião de Voldemort infiltrado na Ordem da Fênix. O motivo: ser um lobisomem. Se todos eles estavam se aliando ao bruxo das trevas, por que ele seria diferente?

Realmente havia alguém repassando informações ao vilão, Rabicho, que foi justamente a quem Tiago confiou o esconderijo de sua família, em Godric's Hollow. Sirius era óbvio demais, e Lupin, pelo menos para ele, não era confiável.

Remo mal teve tempo de digerir aquela traição, antes que Tiago e Lílian fossem mortos, Sirius fosse preso e Rabicho fosse assassinado (ou, pelo menos, era o que se pensava). Na noite de 31 de outubro de 1981, o mundo que Lupin conhecia estava totalmente devastado.

Nos anos que se seguiram, ele viveu cercado pela tristeza e miséria. Sua família e amigos haviam partido, e nenhum local aceitaria um lobisomem como funcionário. Ele passou a viver sob a máxima: confiar é igual a sofrer.

Seu exílio foi quebrado em 1993, quando Dumbledore o chamou para lecionar Defesa Contra as Artes das Trevas em Hogwarts. Ele estava receoso, mas sabia não ter muita escolha e, além disso, poderia estar perto de Harry, a única coisa que havia restado de seus antigos amigos.

Mesmo com desconfiança (e seu rancor característico), Snape o ajudou com suas poções, evitando suas transformações. Em sala, foi tranquilamente o melhor professor da disciplina a ser visto na saga (apesar de não ser muito difícil), com lições práticas, em que até alunos desajeitados como Rony e Neville conseguiram se desenvolver. Tudo isso se deve à compreensão que Lupin tinha deles: ele sabia o que era ter medo de falhar (no seu caso, de falhar em controlar a si mesmo) e, por isso, tinha uma enorme paciência para ensiná-los.

Para Harry, tornou-se uma figura paterna, sendo a ponte entre o garoto e os pais de quem mal tinha lembranças. Remo explicou a fragilidade do menino aos dementadores, ao mesmo tempo que lhe fez aprender o feitiço do Patrono para bloqueá-los, algo raríssimo para um bruxo tão jovem. Isso foi possível não apenas pela habilidade de Harry, mas também pela insistência e inteligência emocional de Lupin, que conseguiu extrair o melhor dele.

Foi também por meio de Harry e do Mapa do Maroto que havia ganho de Fred e George Weasley que Lupin descobriu não apenas a entrada de Sirius Black em Hogwarts (a quem até mesmo ele acreditava ser um assassino) como também que Rabicho ainda estava vivo.

Seguindo seus passos, ele encontrou seu velho amigo e ouviu sua história, acreditando realmente em sua inocência. Mesmo sem provas, Black e Potter haviam lhe acusado de traição no passado, e agora, mesmo com todo o Reino Unido contra Sirius, Lupin permanecia confiante em suas palavras, como um verdadeiro irmão.

Por mais que não tenha conseguido inocentá-lo e muito menos capturar Pettigrew, Lupin foi decisivo não só para livrar Black do Beijo do Dementador, como também para mostrar a Harry que seu padrinho não era um assassino. Ao mesmo tempo, Potter mostrou a diferença entre justiça e vingança, mostrou que punir o mal é muito diferente de se tornar parte dele.

Sua transformação na lua cheia ao fim de Prisioneiro de Azkaban, que foi plenamente divulgada por Snape (que continuava odiando Lupin mesmo décadas após sua rivalidade…), encerrou sua curta carreira como professor, mas, sua aliança com Harry, ainda estava só no início.

Ele seguiu como uma das lideranças da Ordem da Fênix, especialmente após as mortes de Sirius e Dumbledore. Foi lá também que ele conheceu seu grande amor: Ninfadora Tonks. Mesmo que o sentimento fosse mútuo, ele tentava evitá-lo, pois, assim como todas as outras vezes em que se relacionou com alguém, temia que tudo acabasse em desastre.

Ele insistiu, e em 1997, eles se casaram e, logo um ano depois, tiveram seu primeiro e único filho: Edward “Ted” Lupin. Ao saber da gravidez de sua esposa, Remo se apavorou. A licantropia poderia ser hereditária, e ele não suportaria a culpa de condenar uma criança à mesma dor que ele viveu durante toda sua vida.

Essa pressão, somada ao peso de proteger Harry nos eventos de Relíquias da Morte, o fez se afastar dela, acreditando piamente que, quanto mais longe ele ficasse de sua família, mais seguros eles estariam. Porém, Harry o convenceu a voltar e enfrentar a única coisa que tinha medo: ele mesmo. Lupin viu seu filho nascer e, em seguida, lutou ao lado de Tonks na Batalha de Hogwarts, com sua esposa recusando-se a sair do seu lado. Por mais que Lupin tenha muitas vezes experimentado a solidão, sempre houve pessoas ao seu lado: seus pais, os marotos, Dumbledore, Harry e, por fim, Tonks e seu filho. Por mais que tenha feito de tudo para se esconder, o amor nunca o abandonou.

Quando ele tombou na batalha final, Ninfadora tombou com ele. Seu filho cresceu órfão, mas, sabendo que seus pais entregaram sua vida pela sua liberdade, pelo seu direito de existir. Entenderia que não é pelo que alguém é, sim pelo que faz, que deve ser julgado, e um bom amigo, pai, marido ou esposa é aquele que permanece ao seu lado, mesmo nas dificuldades.

A filosofia de Lupin era acolher mesmo sem esperar ser acolhido e, como um presente da vida para ele, recebeu pessoas que sempre o abraçaram, mesmo em suas horas mais difíceis.

Sirius Black: Um Sonho de Liberdade

Iniciada por Cadmus Black, a família Black encontra suas raízes no ano 1200, crescendo ao longo dos séculos como uma das famílias mais ricas da Grã-Bretanha, mantendo relações próximas com a aristocracia britânica, mesmo entre os trouxas.

Membros dos Sagrados 28, os Black nutriam uma obsessão doentia pela pureza de sangue, desprezando trouxas e mestiços. Por séculos, todos os seus descendentes foram selecionados para a Sonserina, tornando a casa o reduto das famílias mais preconceituosas da comunidade bruxa do Reino Unido. Imagine como foi para o jovem Sirius Black romper com séculos de preconceito do dia para a noite?

Filho de Orion e Walburga Black, Sirius desde jovem mostrou-se extremamente rebelde em relação a todos os preceitos da família, desejando, acima de tudo, romper com seus estigmas. Já no Expresso de Hogwarts, conheceu Tiago Potter, Remo Lupin e Pedro Pettigrew, que se tornaram seus grandes amigos. Suas famílias eram mestiças, e o sangue “impuro” corria por suas veias, e para Black, isso pouco importava.

Assim como eles, Sirius foi selecionado para a Grifinória, o que deu um imenso desgosto para seus pais, que viram em seu filho mais de 700 anos de tradição serem destruídos. Como amigo de mestiços e de um lobisomem, ele foi na contramão de tudo que se esperava dele, demonstrando uma imensa coragem, mas que não o tornava santo.

Desde que conheceu Snape ainda no Expresso de Hogwarts, insistiu em zombar dele junto a Tiago, mesmo que o garoto até então nunca tivesse feito nada contra ele. Essa rivalidade os acompanharia por todo seu tempo em Hogwarts, com episódios realmente sérios, como quando, para revelar que Lupin era um lobisomem, Snape foi até a Casa dos Gritos, quando foi impedido por Tiago. A necessidade de destruir a reputação de uma inimizade fez com que o Príncipe Mestiço pusesse sua própria vida em risco, o que só mostra o quão grande era essa disputa entre um simples grupo de adolescentes.

Enquanto Tiago detestava Snape especialmente por ciúmes da amizade que o sonserino mantinha com ela até o quinto ano, Sirius tinha um ódio quase ideológico contra o futuro Professor de Poções. A frieza, o preconceito, as conexões com as artes das trevas, Black via Snape como a forma física da Sonserina, que, por sua vez, era o símbolo de tudo aquilo que ele desprezava em sua vida. Pode-se dizer que, em sua juventude, fazer da vida de Snape um inferno foi a maior missão de Black, o que, sem saber, apenas pavimentou o caminho de Severo para se tornar um Comensal da Morte.

Sem perceber, enquanto rompia com as correntes impostas por sua família, ele mesmo se prendia a outras, criadas pelo ódio que tinha da Sonserina.

Aos dezesseis anos, ele fugiu de casa, fazendo com que sua mãe oficialmente o desertasse, chegando a queimar seu nome da árvore genealógica da família, tamanha a vergonha que sentia de seu filho. Agora, definitivamente, Sirius era um homem livre, só não sabia que isso não duraria muito tempo.

Durante os cinco anos que se seguiram, ele lutou ao lado de seus amigos na Primeira Guerra Bruxa, tornando-se um dos homens de maior confiança de Dumbledore, o que foi justamente o motivo de ele não ter sido escolhido como fiel do segredo dos Potter, já que seria muito óbvio para Voldemort que ele seria o escolhido.

Sua amizade com Tiago era tamanha que Black foi escolhido para ser o padrinho de Harry Potter, sem saber que, no futuro, seria a única família que Harry realmente teria.

Sem saber, Tiago e Lílian Potter haviam entregue seus destinos nas mãos de um traidor, Rabicho.

Black foi o primeiro a chegar em Godric's Hollow após a morte dos Potter, chegando a pedir a Hagrid para levar o garoto, mas o meio-gigante recusou-se, afirmando que Alvo Dumbledore havia ordenado que ele fosse levado aos Dursley. Logo depois disso, Sirius saiu à caça de Rabicho, que ele não tinha dúvidas de que teria sido o traidor de seus amigos.

Ele o confrontou, e, para não ser morto, o Comensal da Morte lançou um feitiço poderosíssimo, que matou 12 trouxas. Em meio ao caos, transformou-se em um rato e arrancou o próprio dedo, para que ficasse subentendido que aquilo era a única coisa que havia sobrado de seu corpo.

Quando os aurores chegaram ao local, Black era o único bruxo próximo, ajoelhado na calçada e rindo histericamente. Para os bons entendedores, apenas uma imagem bastava. Black foi preso como Comensal da Morte, culpado por não só assassinar Pettigrew e os trouxas, como também por ter entregue os Potter a Voldemort.

Todos o culpavam, com nem mesmo Dumbledore acreditando em sua inocência. Por doze anos, ele viveu em meio aos Dementadores em Azkaban, sentindo, dia após dia, sua saúde física e mental se esvaírem. Se antes eram ideologias e ressentimentos que o prendiam, agora, eram as paredes intransponíveis da prisão e a loucura que seus horripilantes guardas lhe causavam. Mais uma vez, Black precisaria buscar a liberdade, mas, pela primeira vez, lhe faltava vontade. Não havia nada para ele além daquelas paredes: sua família o abandonou, seu melhor amigo estava morto, seu afilhado, possivelmente, acreditava que ele havia sido culpado pela morte de seus pais, assim como seus amigos e professores. A mídia e o Ministério da Magia o tinham como o pior dos assassinos. De que adiantaria fugir, se livre ele estaria tão preso quanto dentro de uma cela?

Todavia, após mais de uma década preso injustamente, não seria um sonho de liberdade que o faria tentar fugir, e sim, o mais puro desejo de vingança. Ao ler o "Profeta Diário", ele encontrou uma foto da família Weasley, na qual reconheceu uma figura perturbadoramente familiar: Rabicho, em sua forma de rato, nas mãos de Rony Weasley. Vê-lo despertou em Sirius não só raiva, como também medo. Se Pettigrew estava vivo e em Hogwarts, ele poderia ser uma ameaça a Harry.

Então, Black assumiu sua forma de cão, ocultando completamente sua presença aos Dementadores. Passando pela segurança, ele encarou a turbulência das águas que cercavam o imponente castelo, até enfim chegar ao solo. Essa “facilidade” apenas mostra como ele jamais teve interesse em fugir, apenas lhe faltava motivo.

Com a ajuda de Lupin, que acreditou na sua versão dos fatos, Black se infiltrou em Hogwarts e atraiu o Trio de Ouro, junto a Rabicho, até a Casa dos Gritos, onde finalmente poderia matar o homem que destruiu metade da sua vida. Mesmo como um fugitivo, Sirius era imprudente, saía à luz do dia, falava aos berros e era extremamente impulsivo, como se ainda tivesse os mesmos vinte e um anos de quando foi preso. Para ele, era como se sua vida tivesse congelado até aquele momento.

Porém, mesmo sabendo que Rabicho havia causado a morte de seus pais, Harry não permitiu que Sirius o matasse, não permitiu que ele se tornasse o que todos o acusavam injustamente de ser. Como dito antes, Rabicho escapou, e a inocência de Sirius jamais foi provada, mas isso não tinha mais importância para ele.

Remo, Dumbledore, Hermione, Rony e principalmente Harry sabiam o homem que ele verdadeiramente era. O orgulho que tinha de seu afilhado era incalculável, vendo nele o reflexo do homem que seu pai havia sido. Mesmo sendo forçado a viver nas sombras, ele, pela primeira vez na vida, estava realmente livre.

A antiga casa de sua família no Largo Grimmauld, agora era o QG da Ordem da Fênix, deixando para trás toda a dor que aquele lugar trazia a Sirius. Snape, por mais que o odiasse, agora sabia que ele não era um assassino, e Sirius sabia que, no fundo, Severo não era um covarde. Por mais que não houvesse admiração, havia respeito entre eles. E acima de tudo, não havia mais grades em sua volta. O mundo começou a fazer sentido, pois ele fazia sentido.

Em Cálice de Fogo, ele ajudou Harry a compreender as artimanhas de Voldemort e reforçou seu compromisso com Dumbledore. Em Ordem da Fênix, foi decisivo para que Harry entendesse seu próprio lugar no mundo mágico.

Infelizmente, seu sonho de viver com seu afilhado, construindo o primeiro lar feliz que ambos teriam em suas vidas, Black foi morto por sua própria prima, Bellatrix Lestrange, durante a Batalha do Departamento de Mistério, atravessando o véu da morte, perante os olhos perplexos de Harry.

Todavia, sua morte não foi em vão. Harry jamais se esqueceu de seus ensinamentos e, como homenagem ao sacrifício de seu padrinho, colocou seu nome em seu filho mais velho, James Sirius Potter, como tributo a uma das pessoas mais fortes e corajosas que já havia conhecido, limpando definitivamente o nome de Sirius para o mundo mágico.

A filosofia de Sirius Black sempre foi a de libertação. Por mais que tenha passado quase toda sua vida preso fisicamente ou mentalmente, ele jamais desistiu de lutar pela verdade, mesmo tendo morrido antes de alcançá-la plenamente.

O Medo de Voldemort

Lorde Voldemort já nasceu condenando a maldade, sendo incapaz de amar ou ter empatia por qualquer um. Porém, sua sede de poder e grandeza, somada a seu medo irracional de perde-lo, lhe transformaram no maior monstro que o mundo bruxo já viu.

Voldemort é incapaz de sentir quaisquer tipos de sentimentos de empatia, por ter sido concebido através de uma poção do amor, que automaticamente bloqueia isso em sua mente. Isso, nada mais é que uma metáfora para a psicopatia, um distúrbio real, que priva a mente de quem o possui, de compreender sentimentos como esses.

Além de imune a sentimentos, Riddle é fascinado pela grandeza, desejando sempre ser o centro das atenções, seja amado, seja temido. Porém, ele é vítima da máxima dos tiranos. Todo o homem que almeja o poder e consegue obtê-lo, teme mais que tudo, vê-lo escorrer por entre seus dedos. Voldemort temia a morte.

O vilão apresenta um distúrbio conhecido como Tanatofobia, o medo surreal da morte (Nome dado em homenagem ao deus grego da morte, Tanatos). O bruxo foi capaz de praticar os piores tipos de bruxaria, como as horcruxes, e fazer tudo possível para evitar a morte. Os seus milhares de assassinatos, também refletem essa doença. Matar, faz com que Voldemort se sinta sob o controle da vida e da morte, se achando acima dela, mas no final, mesmo com tudo que fez para evitar isso, o seu maior medo se tornou realidade.

No fim, Voldemort morreu como todo o ser humano um dia irá. Sua busca incansável por poder, lhe levou de volta ao pó, algo inevitável, até mesmo para ele.

O Amor de Harry Potter

O amor se mostrou a espinha dorsal da franquia desde o princípio, apresentando-se logo de início em sua forma mais primordial: o amor de uma mãe por seu filho. Quando Lillian Potter fez o sacrifício derradeiro, entregando sua vida pela de Harry, ela impôs sobre ele uma proteção máxima, protegendo-o de Voldemort não somente naquela noite em Godric's Hollow, como também em todos os seus confrontos seguintes com o Lorde das Trevas. Foi o sacrifício de Lillian que salvou seu filho do vilão em Pedra Filosofal, Cálice de Fogo e Relíquias da Morte, mostrando que seu amor por seu filho era tão imenso que nem a morte poderia superá-lo.

Esse foi o poder que permitiu que um garoto comum (com muitas aptidões, é claro), como Harry Potter, pudesse vencer um dos maiores bruxos das trevas de todos os tempos, pois ele tinha ao seu lado a única arma que Aquele que não deve ser nomeado, jamais conseguiu compreender, seja pela incapacidade de sentir amor, seja pela incapacidade ainda maior de entendê-lo. O Eleito foi guiado por essa força durante toda sua jornada, mesmo sem perceber.

Porém, engana-se quem acredita que apenas Lílian e Tiago entram nessa súmula. O Menino Que Sobreviveu sobreviveu apenas porque muitas pessoas o amavam. Seus amigos, Rony e Hermione, estiveram ao seu lado em suas horas mais sombrias e foram tão heroicos quanto ele.

Seus mentores, desde Hagrid até Dumbledore e Lupin, que o protegeram, guiaram e moldaram, não apenas como um bruxo poderoso, mas como um bom homem. Hagrid foi a porta de entrada de Potter ao mundo mágico, Dumbledore o fez percorrer o caminho até a vitória sobre Voldemort, dando-lhe lições valiosas no processo. O próprio diretor lhe ensinou o poder do amor, atrelando-o como um poderoso tipo de magia ancestral, que nem mesmo Voldemort conseguia compreender. E Lupin o conectou, mesmo que indiretamente, ao passado de seus pais, sendo para ele quase uma figura paterna.

E o que falar de Sírius? A única parte da família de Harry que o amava e ainda era viva, mas com a qual infelizmente nunca pôde viver. Até mesmo Snape, que desprezava o garoto devido a suas semelhanças com Tiago (que sempre o atormentou na infância), o protegeu sempre que podia, pois um resquício do amor que sentia por Lilian ainda vivia por meio de seu filho.

E claro, não podemos esquecer de Gina Weasley, a mulher com quem se casou e teve seus três filhos, enfim conquistando a família que sempre sonhou.

Então, é inegável que, por várias vezes, o amor foi decisivo na Jornada do Herói de Harry Potter, do início ao fim de sua luta, mostrando de diversas formas: amor materno, amizade, romântico e mentorial. E não apenas Harry, mas praticamente todos os mocinhos da saga, em maior ou menor intensidade, também foram influenciados por esse sentimento. Vale também citar os Weasley, uma grande e amorosa família, que prova que não é preciso muito para se ter felicidade, em contraste com os Malfoy, que, mesmo cercados de riquezas materiais, vivem na escuridão.

Snape: O Personagem Cinza

Iniciada por Cadmus Black, a família Black encontra suas raízes no ano 1200, crescendo ao longo dos séculos como uma das famílias mais ricas da Grã-Bretanha, mantendo relações próximas com a aristocracia britânica, mesmo entre os trouxas.

Membros dos Sagrados 28, os Black nutriam uma obsessão doentia pela pureza de sangue, desprezando trouxas e mestiços. Por séculos, todos os seus descendentes foram selecionados para a Sonserina, tornando a casa o reduto das famílias mais preconceituosas da comunidade bruxa do Reino Unido. Imagine como foi para o jovem Sirius Black romper com séculos de preconceito do dia para a noite?

Filho de Orion e Walburga Black, Sirius desde jovem mostrou-se extremamente rebelde em relação a todos os preceitos da família, desejando, acima de tudo, romper com seus estigmas. Já no Expresso de Hogwarts, conheceu Tiago Potter, Remo Lupin e Pedro Pettigrew, que se tornaram seus grandes amigos. Suas famílias eram mestiças, e o sangue “impuro” corria por suas veias, e para Black, isso pouco importava.

Assim como eles, Sirius foi selecionado para a Grifinória, o que deu um imenso desgosto para seus pais, que viram em seu filho mais de 700 anos de tradição serem destruídos. Como amigo de mestiços e de um lobisomem, ele foi na contramão de tudo que se esperava dele, demonstrando uma imensa coragem, mas que não o tornava santo.

Desde que conheceu Snape ainda no Expresso de Hogwarts, insistiu em zombar dele junto a Tiago, mesmo que o garoto até então nunca tivesse feito nada contra ele. Essa rivalidade os acompanharia por todo seu tempo em Hogwarts, com episódios realmente sérios, como quando, para revelar que Lupin era um lobisomem, Snape foi até a Casa dos Gritos, quando foi impedido por Tiago. A necessidade de destruir a reputação de uma inimizade fez com que o Príncipe Mestiço pusesse sua própria vida em risco, o que só mostra o quão grande era essa disputa entre um simples grupo de adolescentes.

Enquanto Tiago detestava Snape especialmente por ciúmes da amizade que o sonserino mantinha com ela até o quinto ano, Sirius tinha um ódio quase ideológico contra o futuro Professor de Poções. A frieza, o preconceito, as conexões com as artes das trevas, Black via Snape como a forma física da Sonserina, que, por sua vez, era o símbolo de tudo aquilo que ele desprezava em sua vida. Pode-se dizer que, em sua juventude, fazer da vida de Snape um inferno foi a maior missão de Black, o que, sem saber, apenas pavimentou o caminho de Severo para se tornar um Comensal da Morte.

Sem perceber, enquanto rompia com as correntes impostas por sua família, ele mesmo se prendia a outras, criadas pelo ódio que tinha da Sonserina.

Aos dezesseis anos, ele fugiu de casa, fazendo com que sua mãe oficialmente o desertasse, chegando a queimar seu nome da árvore genealógica da família, tamanha a vergonha que sentia de seu filho. Agora, definitivamente, Sirius era um homem livre, só não sabia que isso não duraria muito tempo.

Durante os cinco anos que se seguiram, ele lutou ao lado de seus amigos na Primeira Guerra Bruxa, tornando-se um dos homens de maior confiança de Dumbledore, o que foi justamente o motivo de ele não ter sido escolhido como fiel do segredo dos Potter, já que seria muito óbvio para Voldemort que ele seria o escolhido.

Sua amizade com Tiago era tamanha que Black foi escolhido para ser o padrinho de Harry Potter, sem saber que, no futuro, seria a única família que Harry realmente teria.

Sem saber, Tiago e Lílian Potter haviam entregue seus destinos nas mãos de um traidor, Rabicho.

Black foi o primeiro a chegar em Godric's Hollow após a morte dos Potter, chegando a pedir a Hagrid para levar o garoto, mas o meio-gigante recusou-se, afirmando que Alvo Dumbledore havia ordenado que ele fosse levado aos Dursley. Logo depois disso, Sirius saiu à caça de Rabicho, que ele não tinha dúvidas de que teria sido o traidor de seus amigos.

Ele o confrontou, e, para não ser morto, o Comensal da Morte lançou um feitiço poderosíssimo, que matou 12 trouxas. Em meio ao caos, transformou-se em um rato e arrancou o próprio dedo, para que ficasse subentendido que aquilo era a única coisa que havia sobrado de seu corpo.

Quando os aurores chegaram ao local, Black era o único bruxo próximo, ajoelhado na calçada e rindo histericamente. Para os bons entendedores, apenas uma imagem bastava. Black foi preso como Comensal da Morte, culpado por não só assassinar Pettigrew e os trouxas, como também por ter entregue os Potter a Voldemort.

Todos o culpavam, com nem mesmo Dumbledore acreditando em sua inocência. Por doze anos, ele viveu em meio aos Dementadores em Azkaban, sentindo, dia após dia, sua saúde física e mental se esvaírem. Se antes eram ideologias e ressentimentos que o prendiam, agora, eram as paredes intransponíveis da prisão e a loucura que seus horripilantes guardas lhe causavam. Mais uma vez, Black precisaria buscar a liberdade, mas, pela primeira vez, lhe faltava vontade. Não havia nada para ele além daquelas paredes: sua família o abandonou, seu melhor amigo estava morto, seu afilhado, possivelmente, acreditava que ele havia sido culpado pela morte de seus pais, assim como seus amigos e professores. A mídia e o Ministério da Magia o tinham como o pior dos assassinos. De que adiantaria fugir, se livre ele estaria tão preso quanto dentro de uma cela?

Todavia, após mais de uma década preso injustamente, não seria um sonho de liberdade que o faria tentar fugir, e sim, o mais puro desejo de vingança. Ao ler o "Profeta Diário", ele encontrou uma foto da família Weasley, na qual reconheceu uma figura perturbadoramente familiar: Rabicho, em sua forma de rato, nas mãos de Rony Weasley. Vê-lo despertou em Sirius não só raiva, como também medo. Se Pettigrew estava vivo e em Hogwarts, ele poderia ser uma ameaça a Harry.

Então, Black assumiu sua forma de cão, ocultando completamente sua presença aos Dementadores. Passando pela segurança, ele encarou a turbulência das águas que cercavam o imponente castelo, até enfim chegar ao solo. Essa “facilidade” apenas mostra como ele jamais teve interesse em fugir, apenas lhe faltava motivo.

Com a ajuda de Lupin, que acreditou na sua versão dos fatos, Black se infiltrou em Hogwarts e atraiu o Trio de Ouro, junto a Rabicho, até a Casa dos Gritos, onde finalmente poderia matar o homem que destruiu metade da sua vida. Mesmo como um fugitivo, Sirius era imprudente, saía à luz do dia, falava aos berros e era extremamente impulsivo, como se ainda tivesse os mesmos vinte e um anos de quando foi preso. Para ele, era como se sua vida tivesse congelado até aquele momento.

Porém, mesmo sabendo que Rabicho havia causado a morte de seus pais, Harry não permitiu que Sirius o matasse, não permitiu que ele se tornasse o que todos o acusavam injustamente de ser. Como dito antes, Rabicho escapou, e a inocência de Sirius jamais foi provada, mas isso não tinha mais importância para ele.

Remo, Dumbledore, Hermione, Rony e principalmente Harry sabiam o homem que ele verdadeiramente era. O orgulho que tinha de seu afilhado era incalculável, vendo nele o reflexo do homem que seu pai havia sido. Mesmo sendo forçado a viver nas sombras, ele, pela primeira vez na vida, estava realmente livre.

A antiga casa de sua família no Largo Grimmauld, agora era o QG da Ordem da Fênix, deixando para trás toda a dor que aquele lugar trazia a Sirius. Snape, por mais que o odiasse, agora sabia que ele não era um assassino, e Sirius sabia que, no fundo, Severo não era um covarde. Por mais que não houvesse admiração, havia respeito entre eles. E acima de tudo, não havia mais grades em sua volta. O mundo começou a fazer sentido, pois ele fazia sentido.

Em Cálice de Fogo, ele ajudou Harry a compreender as artimanhas de Voldemort e reforçou seu compromisso com Dumbledore. Em Ordem da Fênix, foi decisivo para que Harry entendesse seu próprio lugar no mundo mágico.

Infelizmente, seu sonho de viver com seu afilhado, construindo o primeiro lar feliz que ambos teriam em suas vidas, Black foi morto por sua própria prima, Bellatrix Lestrange, durante a Batalha do Departamento de Mistério, atravessando o véu da morte, perante os olhos perplexos de Harry.

Todavia, sua morte não foi em vão. Harry jamais se esqueceu de seus ensinamentos e, como homenagem ao sacrifício de seu padrinho, colocou seu nome em seu filho mais velho, James Sirius Potter, como tributo a uma das pessoas mais fortes e corajosas que já havia conhecido, limpando definitivamente o nome de Sirius para o mundo mágico.

A filosofia de Sirius Black sempre foi a de libertação. Por mais que tenha passado quase toda sua vida preso fisicamente ou mentalmente, ele jamais desistiu de lutar pela verdade, mesmo tendo morrido antes de alcançá-la plenamente.

Hermione: A Vida como Escola

A bruxa mais inteligente da sua idade, mas talvez a que mais tenha precisado aprender ao longo da saga. Hermione Jean Granger nasceu filha de dois trouxas, buscando suas raízes bruxas em sua avó.

Como uma garota naturalmente curiosa, ela jamais permitiu que seu distanciamento da magia lhe impedisse de conhecê-la. Sua vivência mágica passou a ser nos livros, aprendendo a história da magia, como fazer feitiços e poções, como catalogar criaturas mágicas. Antes mesmo de pisar em King's Cross, Hermione certamente já conhecia mais do mundo bruxo do que a maioria de seus moradores, mas muito pouco sobre si mesma.

Surpreendentemente, ela foi selecionada para a Grifinória, e não para a Corvinal, típica daqueles fascinados pelo conhecimento. Inicialmente, aquilo poderia não fazer sentido, mas, nos anos seguintes, Granger mostraria que sua coragem conseguia ser tão grande quanto seu conhecimento.

Porém, como ela rapidamente descobriria, ser uma enciclopédia ambulante não é exatamente a melhor forma de se conseguir amigos. Para Harry e Rony, ela era arrogante demais, desejando sempre se mostrar como a mente mais brilhante da turma. No fundo, aquilo não se tratava de ego, e sim de um imenso desejo de expor tudo aquilo que havia passado anos estudando. Mas, com apenas onze anos, a jovem ainda não fazia ideia dos reflexos disso.

Felizmente, sua turbulenta amizade com Potter e Weasley a fez sair dos livros pelo menos um pouco e levá-la à ação. Logo após destruir a Pedra Filosofal, Hermione diz algo revelador a seus dois novos amigos: “Livros e inteligência. Tem coisas mais importantes que isso, como amizade e bravura.” Ela compreendia o valor do saber, especialmente quando ele foi capaz de salvar o Trio de Ouro várias vezes, mas percebeu que havia coisas maiores pelas quais lutar.

Seu desenvolvimento emocional cresce gradualmente a cada livro e filme. Em Câmara Secreta, ela enfrenta suas raízes trouxas, quando Draco a chama de “sangue ruim”, e em Prisioneiro de Azkaban, mostra empatia por Lupin, tentando ajudá-lo mesmo após sua transformação.

Porém, o ponto de virada veio em Cálice de Fogo, quando a adolescência virou sua vida de ponta cabeça, e seus dois melhores amigos agora poderiam ser algo a mais. Fica subentendido que sua escolha de ir ao Baile de Inverno com Vítor Krum (que, apesar de inegavelmente bonito, não tinha o perfil dela) foi uma alfinetada em Rony, que não havia nem sequer a convidado.

Sua relação teria idas e vindas até se consolidar em Relíquias da Morte. Rony era simples, tinha “o sentimental de uma pedra”, um contraponto absoluto a Hermione, que, mesmo tão brilhante, tinha dificuldade em entender a si mesma. Talvez fosse essa simplicidade emocional que ele tanto precisava em alguém.

Ainda em Cálice de Fogo, Hermione funda a FALE para ajudar os Elfos Domésticos de Hogwarts a conseguir sua liberdade, mostrando compaixão para com a sua situação de servidão.

Ela também demonstra liderança ao unir a Armada de Dumbledore em Ordem da Fênix, mesmo a contragosto de Harry. Mesmo que seu amor por Potter fosse muito diferente daquele que sentia por Rony, Granger jamais saiu do seu lado, mesmo nos momentos mais difíceis, como a caça às horcruxes em Relíquias da Morte, em que ambos eram a única sustentação um do outro.

Quando iniciou sua jornada, Hermione acreditava que tudo que precisava saber estava nas páginas dos livros, quando, na verdade, a vida lhe ensinou tudo que ela mais precisava saber. Como Ministra da Magia, Hermione uniu seu conhecimento técnico com seu enorme coração e coragem, forjados na Segunda Guerra Bruxa, a combinação que a tornou uma líder ideal para a comunidade mágica britânica.